(67) 9 9689-6297 | ocontribuintebr@gmail.com

Vice-prefeita tem casa alvo de buscas da PF em investigação sobre recursos da Previdência

Camilla Nascimento comandava o IMPCG quando R$ 1,2 milhão da Previdência municipal foram aplicados no banco; instituto afirma que valor foi recuperado com rendimentos.

A Operação Presciência, deflagrada pela Polícia Federal nesta terça-feira (25), teve um novo desdobramento em Campo Grande: a residência da vice-prefeita Camilla Nascimento também foi alvo de mandado de busca e apreensão.

O Contribuinte já havia mostrado, nas primeiras horas da manhã, que agentes da PF estiveram na Secretaria Municipal de Assistência Social, comandada atualmente por Camilla, e também no IMPCG (Instituto Municipal de Previdência de Campo Grande).

A informação de que a operação também chegou à casa da vice-prefeita amplia o alcance das diligências realizadas pela Polícia Federal.

Camilla Nascimento comandava o IMPCG no período em que o instituto realizou uma aplicação de R$ 1,2 milhão em títulos do Banco Master, operação que agora está sob investigação federal.

PF foi à residência da vice-prefeita

Além das buscas realizadas em órgãos públicos, policiais federais cumpriram ordem judicial na residência de Camilla.

A diligência acontece justamente porque a atual vice-prefeita ocupava a presidência do Instituto de Previdência na época em que os recursos previdenciários foram direcionados ao Banco Master.

A PF investiga como a operação foi aprovada, quais critérios foram adotados e se houve descumprimento de normas técnicas e administrativas durante o processo.

O cumprimento do mandado, por si só, não significa culpa ou condenação. A investigação ainda está em andamento.

Operação já havia chegado à SAS e ao IMPCG

Mais cedo, O Contribuinte revelou a movimentação da Polícia Federal dentro da Secretaria de Assistência Social.

Agentes chegaram ao local nas primeiras horas do dia e realizaram diligências em salas da pasta, inclusive na área ocupada pela titular da secretaria.

A PF também esteve no próprio IMPCG.

Agora, com a confirmação de que houve busca na residência de Camilla Nascimento, fica evidente que a operação não ficou restrita aos prédios públicos e avançou também sobre endereço ligado diretamente à ex-presidente do instituto.

Caso envolve aplicação de R$ 1,2 milhão

A Operação Presciência investiga a aplicação de R$ 1,2 milhão de recursos do IMPCG em Letras Financeiras do Banco Master.

Segundo a Polícia Federal, a investigação teve origem em relatório da Coordenação-Geral de Auditoria do Departamento dos Regimes Próprios de Previdência Social, ligado ao Ministério da Previdência.

O documento apontou que servidores municipais teriam ignorado normas técnicas e administrativas durante a aprovação do investimento.

A suspeita é de que o patrimônio destinado ao pagamento de aposentadorias e pensões tenha sido exposto a riscos financeiros.

Os investigados podem responder por crimes de gestão temerária, corrupção ativa e corrupção passiva.

IMPCG diz que dinheiro foi recuperado

Enquanto a PF investiga a origem e as condições em que a aplicação foi realizada, a atual direção do IMPCG afirma que não houve prejuízo financeiro para o instituto.

O atual diretor-presidente, Marcos Tabosa, declarou que mais de R$ 1,4 milhão já estão depositados em conta judicial, incluindo os R$ 1,2 milhão investidos e aproximadamente R$ 227 mil em rendimentos.

Segundo ele, o resgate estava previsto originalmente apenas para 2029.

“O resgate seria feito em 2029 e vai resgatar antes do tempo, com juros e correção monetária. Campo Grande foi a primeira capital do país que não teve perda. Fomos os primeiros a recuperar o dinheiro”, declarou.

Tabosa também afirmou que o instituto apoia a investigação da Polícia Federal.

“Apoiamos toda operação da PF, porque o Banco Master é o maior escândalo da história do nosso país e os responsáveis devem ser punidos.”

Recuperação do dinheiro não encerra apuração

O fato de o instituto afirmar que conseguiu assegurar judicialmente os recursos não encerra a investigação.

A PF busca esclarecer o processo que levou à aplicação do dinheiro no Banco Master, independentemente da posterior recuperação dos valores.

A apuração deverá identificar quem participou da decisão, quais análises técnicas foram feitas, quais riscos foram apresentados e se todas as regras para aplicação de recursos previdenciários foram cumpridas.

Com a busca realizada também na residência da vice-prefeita, a operação entra agora em uma nova fase de análise dos materiais apreendidos.

A Prefeitura de Campo Grande ainda não havia divulgado, até a publicação desta atualização, uma manifestação específica sobre o mandado cumprido na casa de Camilla Nascimento.