Investigadores afirmam que conteúdo indica que o líder do governo Lula no Senado não seria apenas destinatário de informações sobre negócios ligados ao Banco Master.
Uma mensagem enviada pelo empresário Augusto Ferreira Lima ao senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo Lula no Senado e um dos aliados mais próximos do presidente da República, tornou-se um dos principais elementos da nova fase da Operação Compliance Zero.
Segundo documentos apresentados pela Polícia Federal ao Supremo Tribunal Federal (STF), Augusto escreveu a Wagner em março de 2025:
“Você mais do que ninguém sabe da minha história e faz parte disso.”
Para a PF, a frase vai além de uma conversa informal e sugere uma relação de proximidade que merece aprofundamento investigativo.
No relatório encaminhado ao STF, os investigadores afirmam que a mensagem indica que Jaques Wagner não seria apenas um receptor passivo de informações relacionadas ao grupo econômico investigado, mas um interlocutor relevante em temas considerados sensíveis.
A conversa ocorreu durante discussões envolvendo a venda do Banco Master para o Banco de Brasília (BRB), operação que estava sendo acompanhada pelo mercado financeiro e pelos órgãos de fiscalização.
A revelação amplia a pressão política sobre um dos principais articuladores do governo Lula no Congresso Nacional.
Transferência de R$ 3,5 milhões entra na mira da investigação sobre líder de Lula
Um dos pontos mais delicados da investigação envolve empresas ligadas ao núcleo familiar de Jaques Wagner.
Segundo a Polícia Federal, as empresas BN Financeira Ltda. e BN Representações Tecnológicas Ltda. aparecem em movimentações consideradas suspeitas pelos investigadores.
A PF apura se essas estruturas teriam sido utilizadas para receber recursos vinculados ao grupo investigado, apresentando os valores como pagamentos por prestação de serviços.
Os documentos apontam que a PKL One Participações S.A., ligada ao empresário Augusto Lima, realizou uma transferência de R$ 3,5 milhões para a BN Financeira.
Agora, os investigadores buscam identificar a natureza dos serviços prestados e verificar se houve efetiva contraprestação que justifique os pagamentos.
A investigação também examina se familiares, pessoas de confiança e empresas próximas ao senador teriam sido utilizadas para operacionalizar supostos benefícios.
André Mendonça impõe restrições a Jaques Wagner e proíbe contato com investigados
Além das buscas e apreensões, a nova fase da Operação Compliance Zero trouxe medidas cautelares que atingem diretamente Jaques Wagner.
Na decisão que autorizou a operação, o ministro André Mendonça determinou que o senador não mantenha contato com outros investigados no caso.
A medida tem como objetivo preservar a produção de provas e evitar eventual alinhamento de versões durante a investigação.
O magistrado também proibiu contato com profissionais ligados ao empreendimento Poème Horto, em Salvador, onde está localizado o apartamento apontado pela PF como um dos benefícios investigados.
A decisão inclui engenheiros, arquitetos e colaboradores da construtora responsáveis pela unidade nº 1702, imóvel avaliado em cerca de R$ 2,4 milhões.
Apesar das medidas, Mendonça rejeitou autorizar buscas no gabinete parlamentar de Jaques Wagner, entendendo que não havia necessidade suficiente para justificar a medida.