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Whisky de R$ 500 mil, imóveis milionários e sigilos: Lula e Flávio protagonizam último embate na Globo

Último bloco teve questionamentos sobre uma ilha, presentes de luxo, imóveis milionários e relações com o Banco Master; confronto terminou com desafios sobre transparência financeira, ataques pessoais e compromissos apresentados pelos presidenciáveis.

O quarto e último bloco do debate presidencial da TV Globo, realizado nesta sexta-feira (23), foi marcado por uma intensa troca de acusações entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). Na rodada de tema livre, os candidatos deixaram as discussões programáticas em segundo plano em diversos momentos e concentraram parte das intervenções em questionamentos sobre patrimônio, corrupção, sigilos e relações com o empresário Daniel Vorcaro, associado ao Banco Master.

Com oito minutos disponíveis para cada candidato administrar suas intervenções, o confronto começou com Lula questionando Flávio sobre uma disputa envolvendo uma ilha e o jogador de futebol Richarlison.

A discussão avançou para acusações relacionadas a presentes de luxo, financiamentos de produções audiovisuais, imóveis milionários, movimentações financeiras e supostas relações de integrantes dos dois grupos políticos com o empresário.

O encerramento também teve um desafio de Lula para que ambos abrissem suas contas bancárias e uma cobrança de Flávio pela divulgação de informações sobre o cartão corporativo da Presidência e visitas atribuídas a Vorcaro.

As acusações feitas durante o confronto não constituem, por si só, comprovação de irregularidades.

Lula questiona Flávio sobre ilha envolvendo Richarlison

Lula abriu o último bloco questionando Flávio Bolsonaro sobre uma disputa patrimonial envolvendo uma ilha e o jogador Richarlison.

O presidente perguntou por que o candidato teria tomado a ilha do atleta.

Flávio respondeu que a disputa já havia sido decidida definitivamente pela Justiça, afirmando que o imóvel nunca pertenceu ao jogador e que isso teria sido reconhecido judicialmente.

Lula voltou ao tema e declarou que, caso a propriedade realmente pertencesse a Richarlison, deveria ser devolvida.

Durante a discussão, Flávio também questionou o posicionamento do presidente em relação às forças policiais, enquanto Lula fez referência a uma ministra presente na plateia.

A situação envolvendo a ilha foi apresentada pelos candidatos durante o debate, mas a íntegra da decisão judicial não foi disponibilizada nas anotações da transmissão.

Whisky de R$ 500 mil e Daniel Vorcaro entram no confronto

A discussão ganhou novos contornos quando Flávio Bolsonaro passou a questionar Lula sobre um suposto presente recebido do empresário Daniel Vorcaro.

O candidato afirmou que o presidente teria recebido uma garrafa de whisky avaliada em R$ 500 mil e fez uma comparação entre o valor alegado do presente e os recursos destinados à saúde pública.

Flávio calculou que, caso a garrafa tivesse dez doses, cada uma custaria aproximadamente R$ 50 mil.

O candidato perguntou repetidamente qual seria o sabor do whisky e comparou o valor mencionado aos pagamentos que, segundo ele, são realizados pelo SUS por determinados procedimentos médicos.

Lula rebateu afirmando que quem mantinha relações de amizade com Vorcaro seria o próprio Flávio.

A discussão prosseguiu com acusações de ambos os lados sobre os relacionamentos políticos e empresariais do empresário.

Importante: o suposto presente, seu valor e as relações mencionadas pelos candidatos precisam de comprovação documental independente. As afirmações são registradas aqui como declarações feitas no debate.

Financiamento de filmes e acusações sobre o Instituto Lula

O confronto também abordou financiamentos relacionados a produções audiovisuais envolvendo as trajetórias políticas de Lula e Jair Bolsonaro.

Lula questionou Flávio sobre o financiamento de um filme relacionado ao ex-presidente Bolsonaro.

Flávio respondeu afirmando que, segundo informações atribuídas por ele à Polícia Federal, os financiamentos seriam privados e legais.

Em seguida, o candidato voltou suas críticas ao Instituto Lula e levantou suspeitas sobre recursos destinados à instituição.

O presidente rebateu as declarações e acusou integrantes da família Bolsonaro de manter relações com Vorcaro.

Flávio também mencionou uma reportagem atribuída à revista Veja, alegando que um assessor ligado ao ministro Alexandre Padilha teria participado de uma negociação envolvendo valores bilionários e uma suposta cobrança de comissão.

Lula voltou a sugerir que o público pesquisasse informações sobre o assunto na internet.

As referências a investigações e reportagens não permitem concluir que as acusações sejam verdadeiras sem consultar os documentos originais e ouvir os envolvidos.

Imóveis milionários e patrimônio familiar ampliam discussão

Na sequência, o debate passou a tratar do patrimônio de familiares dos candidatos.

Flávio levantou questionamentos sobre um imóvel de alto valor que, segundo ele, seria utilizado por um filho de Lula. Também retomou referências ao sítio de Atibaia e a possíveis vínculos patrimoniais.

O presidente contestou as acusações e passou a cobrar explicações sobre o patrimônio do próprio Flávio.

Lula perguntou como o candidato havia adquirido um imóvel de milhões de reais.

Flávio respondeu que construiu seu patrimônio por meio do trabalho, mencionando suas atividades como advogado e empresário.

Os dois voltaram a mencionar investigações e disputas judiciais de episódios anteriores, sem chegar a um consenso sobre as acusações apresentadas.

Lula desafia Flávio a abrir contas bancárias; adversário cobra sigilo do cartão corporativo

Um dos principais momentos do último bloco aconteceu quando Lula desafiou Flávio Bolsonaro a divulgar informações financeiras.

O presidente propôs que os dois abrissem suas contas bancárias no sábado (24), véspera da eleição, afirmando que a medida poderia esclarecer as acusações sobre patrimônio e movimentações financeiras.

Flávio respondeu cobrando transparência sobre o uso do cartão corporativo da Presidência da República.

O candidato afirmou que Lula havia prometido maior transparência e questionou a manutenção de informações sob sigilo.

Flávio também sugeriu uma mobilização nas redes sociais com a hashtag #LulaAbraOCartãoCorporativo.

O confronto sobre transparência continuou com referências a pedidos de quebra de sigilo, à atuação do ex-procurador Deltan Dallagnol e a documentos relacionados às investigações citadas pelos candidatos.

Flávio ainda cobrou esclarecimentos sobre supostas visitas de Daniel Vorcaro e voltou a mencionar alegações envolvendo familiares do presidente.

Lula, por sua vez, afirmou que informações pertinentes estavam disponíveis e contestou as acusações apresentadas pelo adversário.

O desafio para abertura das contas foi feito verbalmente durante o programa. Não há, nas anotações, confirmação de que os dois candidatos tenham formalizado o procedimento.

Últimos minutos têm novas acusações e direito de resposta

Nos minutos finais, Flávio voltou a questionar o patrimônio de familiares de Lula e mencionou Roberta Luchsinger, que havia sido citada em controvérsias políticas durante a campanha.

O candidato também cobrou explicações sobre eventuais registros de visitas de Vorcaro e afirmou que o presidente deveria prestar esclarecimentos à população.

Lula, por sua vez, voltou a mencionar a família Bolsonaro e acusou o adversário de representar um risco à democracia, utilizando novamente o termo “miliciano”.

A declaração levou à concessão de um minuto de direito de resposta a Flávio.

O candidato respondeu defendendo o enfrentamento às milícias e a classificação dessas organizações como terroristas, além de reforçar compromissos com a segurança pública e a soberania nacional.

Lula e Flávio encerram debate com considerações finais

Nas considerações finais, Lula agradeceu ao público pela audiência e defendeu seu histórico político.

O presidente convidou os eleitores a compararem os gastos realizados com cartões corporativos durante seu governo e o de Jair Bolsonaro.

Lula destacou sua trajetória e afirmou que a votação de domingo representa uma escolha sobre a continuidade da democracia no país.

Flávio Bolsonaro encerrou sua participação agradecendo a Deus e afirmando que percorreu o Brasil durante a campanha.

O candidato enviou uma mensagem ao pai, Jair Bolsonaro, que, segundo ele, estaria sendo injustiçado.

Flávio apresentou três compromissos: não prometer aquilo que não poderá cumprir, recuperar o poder de compra da população e devolver a tranquilidade aos brasileiros por meio de medidas de segurança pública.

Os dois candidatos encerraram suas participações pedindo votos aos eleitores para o segundo turno, marcado para domingo, 25 de outubro.

Debate termina após quatro blocos de confrontos

O último bloco encerrou uma noite de discussões que começaram com infraestrutura e desenvolvimento regional, passaram por políticas sociais e saúde e chegaram a endividamento, educação e segurança pública.

Na rodada final, a discussão ficou concentrada em acusações pessoais, patrimônio e transparência financeira.

Lula defendeu sua trajetória e questionou as relações e os bens atribuídos à família Bolsonaro. Flávio rebateu as acusações, cobrou informações sobre o patrimônio de integrantes da família do presidente e retomou críticas relacionadas à gestão federal.

A dois dias da eleição, os dois candidatos utilizaram o último debate para reforçar suas propostas e contestar as afirmações do adversário.