Instituto já havia enfrentado tentativas de barrar levantamentos no Estado; decisão reforça legalidade da divulgação
A Justiça Eleitoral de Mato Grosso do Sul decidiu revogar a liminar que suspendia a divulgação de uma pesquisa eleitoral do Instituto Veritá e julgou improcedente a ação movida pelo partido AGIR. A decisão, assinada pelo desembargador Sérgio Fernandes Martins, reconhece que não há irregularidades suficientes para impedir a publicação do levantamento.
A representação questionava a pesquisa registrada sob o número MS-03077/2026, alegando supostos vícios como inconsistências metodológicas, ausência de documentos obrigatórios, omissão de pré-candidatos e informações consideradas incorretas no questionário. No entanto, após análise do mérito, o Tribunal Regional Eleitoral (TRE-MS) entendeu que os pontos levantados não comprometem a legalidade do estudo.
Documento ausente foi apresentado e motivou reversão
O principal argumento que havia levado à suspensão inicial da pesquisa foi a ausência do Demonstrativo de Resultado do Exercício (DRE), documento exigido quando o levantamento é financiado com recursos próprios. Contudo, o Instituto Veritá apresentou posteriormente o material, sanando a irregularidade.
Com isso, segundo a decisão, “perde consistência a alegação de ocultação do verdadeiro financiador” e não há mais motivo para manter a suspensão.
Justiça não vê falha metodológica nem obrigação de incluir todos os nomes
Outro ponto central da ação dizia respeito ao plano amostral e à ausência de determinados pré-candidatos no questionário. A Justiça foi categórica ao afirmar que não cabe ao Judiciário interferir em critérios estatísticos sem previsão legal específica.
Além disso, o TRE reforçou que não há obrigatoriedade de incluir todos os nomes ventilados no cenário político antes do registro oficial das candidaturas, o que enfraqueceu mais uma das teses apresentadas pelo partido autor da ação.
Decisão valida atuação da Veritá em meio a resistências no Estado
A decisão judicial também ocorre em meio a um contexto de pressão e questionamentos sobre o Instituto Veritá em Mato Grosso do Sul. O instituto, que possui atuação nacional e ganhou destaque recentemente ao divulgar uma das maiores pesquisas já realizadas no Brasil — com mais de 40 mil entrevistas e que colocou o senador Flávio Bolsonaro na liderança em cenário presidencial — tem enfrentado dificuldades no Estado.
Nos bastidores, já são pelo menos duas tentativas de barrar levantamentos da Veritá em território sul-mato-grossense, o que evidencia o clima de disputa em torno dos números eleitorais.
Ação do AGIR é rejeitada e liminar cai
Ao final, o magistrado determinou a revogação da liminar e julgou improcedente a ação, liberando definitivamente a divulgação da pesquisa.
A tentativa do partido AGIR de impedir a circulação dos dados não prosperou, reforçando o entendimento de que eventuais divergências ou questionamentos sobre qualidade ou metodologia não são suficientes, por si só, para censurar um levantamento eleitoral.
A decisão marca mais um capítulo da disputa política que antecede as eleições de 2026 em Mato Grosso do Sul, onde, além das urnas, a batalha também passa pelos números e pela credibilidade das pesquisas.