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Pacientes com câncer podem ter recebido remédios irregulares em esquema investigado em MS

Apuração indica fornecimento de medicamentos sem registro na Anvisa e sem garantias sanitárias para pacientes vulneráveis

O que começou como uma investigação sobre desvio de recursos públicos revelou um cenário ainda mais grave: pacientes com câncer podem ter sido expostos a medicamentos sem qualquer garantia sanitária em Mato Grosso do Sul.

A operação “Oncojuris”, deflagrada nesta quinta-feira (23), aponta que, além da fraude processual para liberação de verbas públicas, o esquema investigado pode ter colocado diretamente em risco a vida de pessoas em tratamento de doenças graves.

De acordo com as apurações, há indícios de que medicamentos de alto custo eram importados de forma irregular, sem registro na Anvisa, sem controle de lote e sem certificação de qualidade. Em alguns casos, os produtos eram trazidos em nome dos próprios pacientes — prática que levanta suspeitas sobre a legalidade e rastreabilidade dos itens.

A investigação também indica que os valores pagos pelo poder público eram muito superiores aos custos reais desses medicamentos no exterior, ampliando a margem para o desvio de recursos.

O alerta inicial veio do Núcleo de Atenção à Saúde (NAS) e da Defensoria Pública, que identificaram um padrão incomum: empresas sem estrutura e sem estoque participando de ações judiciais como fornecedoras de medicamentos complexos.

Essas empresas ofereciam preços aparentemente mais baixos, mas, segundo a investigação, funcionavam como peça-chave no esquema. Após o pagamento judicial, parte significativa dos recursos não era destinada à compra dos remédios.

A fase mais sensível do caso está justamente no impacto direto sobre os pacientes. Sem garantias sanitárias, o uso de medicamentos irregulares pode comprometer tratamentos, causar efeitos adversos e até agravar o estado clínico de quem já se encontra em condição crítica.

A operação cumpre 5 mandados de prisão e 21 de busca e apreensão em Mato Grosso do Sul, São Paulo e Minas Gerais. Entre os conduzidos estão os advogados Victor Guilherme Lezo e Altair Malhada, localizados em um escritório no Jardim Bela Vista, e segue em andamento.

Mais do que um caso de corrupção, a investigação levanta um alerta urgente: quando falha o controle sobre o fornecimento de medicamentos, não é apenas o dinheiro público que está em jogo — é a vida de quem depende dele