Ex-prefeito afirma que contratos foram aprovados por órgãos de controle e diz que eventual irregularidade na execução não era atribuição direta do prefeito
A operação “Buraco Sem Fim”, que levou à prisão preventiva do ex-secretário municipal de Infraestrutura Rudi Fiorese nesta terça-feira (12), também colocou novamente sob os holofotes a gestão do ex-prefeito de Campo Grande, Marquinhos Trad (PV), período em que os contratos investigados foram firmados.
Apesar da repercussão da operação, Marquinhos Trad não foi alvo das medidas cumpridas pelo Ministério Público e afirmou estar tranquilo em relação às investigações conduzidas pelo Gecoc e pelo Gaeco.
Em declaração à imprensa, o ex-prefeito sustentou que não houve ilegalidade na formalização dos contratos e destacou que as contas de sua gestão foram aprovadas pelos órgãos de controle.
“De ilegalidade contratual, eu afirmo que não existe. Tanto que na época todos os órgãos de controle validaram e minhas contas foram aprovadas. Se teve irregularidade na execução, eu não consigo saber, porque não é da alçada do prefeito”, declarou.
Rudi Fiorese foi um dos principais nomes da área de infraestrutura durante a administração de Marquinhos Trad. Ele assumiu a Sisep em 2017 e permaneceu no comando da pasta até 2023, sendo responsável por obras, manutenção viária e contratos relacionados ao tapa-buraco na Capital.
As investigações apontam suspeitas de fraudes sistemáticas na execução dos contratos, incluindo manipulação de medições técnicas e pagamentos indevidos por serviços supostamente não realizados.
Segundo o Ministério Público, a empresa investigada recebeu mais de R$ 113 milhões em contratos e aditivos entre 2018 e 2025.
OPERAÇÃO REACENDE PRESSÃO SOBRE ANTIGA GESTÃO
Embora Marquinhos Trad não tenha sido incluído entre os investigados presos nesta fase da operação, a prisão de integrantes que ocuparam cargos estratégicos em sua gestão aumentou a pressão política sobre o período em que os contratos foram executados.
Além de Fiorese, também foram presos Mehdi Talayeh e Edivaldo Aquino Pereira, ambos ligados diretamente à estrutura técnica da Sisep.
Os três já haviam aparecido na Operação Cascalhos de Areia, investigação aberta em 2023 para apurar suspeitas envolvendo contratos de manutenção de vias não pavimentadas.
Nos bastidores políticos, a nova operação voltou a alimentar questionamentos sobre a fiscalização dos contratos públicos relacionados à infraestrutura urbana de Campo Grande ao longo dos últimos anos.
INVESTIGAÇÃO APONTA PAGAMENTOS IRREGULARES
De acordo com o Ministério Público, a investigação identificou indícios de pagamentos públicos incompatíveis com os serviços efetivamente executados nas ruas da Capital.
A suspeita é de que o esquema operasse mediante manipulação de medições técnicas utilizadas para liberar pagamentos às empreiteiras contratadas.
As autoridades também investigam possível atuação coordenada entre servidores públicos e empresas envolvidas nos contratos.