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Gaeco aponta organização criminosa com atuação em diversos municípios de MS; veja o que se sabe até agora

Ministério Público aponta atuação estruturada de empresários e agentes públicos para fraudar contratações e ocultar recursos públicos.

A deflagração da Operação Gutenberg colocou Mato Grosso do Sul diante de uma das maiores investigações recentes envolvendo contratos públicos nas áreas da Saúde e da Educação.

Segundo o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), o grupo investigado teria movimentado mais de R$ 27 milhões em recursos públicos por meio de um esquema estruturado para fraudar contratações, direcionar compras, praticar corrupção e ocultar a origem do dinheiro.

As suspeitas ainda serão analisadas pela Justiça, mas a investigação já revela uma estrutura considerada complexa pelos promotores responsáveis pelo caso.

Como o grupo teria atuado

De acordo com o MPMS, a organização criminosa possuía divisão de tarefas e atuação coordenada.

Empresários seriam responsáveis pela articulação dos contratos e pela aproximação com agentes públicos, enquanto servidores investigados teriam papel na viabilização administrativa das contratações.

Segundo a investigação, o grupo utilizava principalmente contratações de livros paradidáticos para dar aparência de legalidade às operações financeiras.

O Ministério Público também investiga a hipótese de que contratos públicos fossem direcionados sem o devido processo competitivo, favorecendo empresas previamente escolhidas.

Recursos da Saúde

Outro ponto que chamou atenção dos investigadores foi a suposta utilização de recursos da área da Saúde.

Conforme o MPMS, há indícios de que autorizações para exames, cirurgias e vagas hospitalares, em situações investigadas, teriam sido condicionadas à aquisição dos livros comercializados pelo grupo.

Essa linha de investigação ainda será aprofundada durante a análise das provas apreendidas.

Lavagem de dinheiro

Segundo o Ministério Público, após os pagamentos realizados pelo poder público, os valores seriam pulverizados entre pessoas físicas e jurídicas.

Essa estratégia, de acordo com os investigadores, teria como finalidade dificultar o rastreamento da origem dos recursos e ocultar eventual produto dos crimes investigados.

Por essa razão, além das suspeitas de fraude em contratações e corrupção, a investigação também apura possíveis práticas de lavagem de dinheiro.

Operação em três estados

A Operação Gutenberg mobilizou dezenas de equipes do Gaeco.

Foram cumpridos:

16 mandados de prisão preventiva;

43 mandados de busca e apreensão.

As diligências ocorreram em:

Campo Grande;

Dourados;

São Gabriel do Oeste;

Caarapó;

Corguinho;

Porto Murtinho;

São Paulo (SP);

Abadiânia (GO).

As ações contaram com apoio do Batalhão de Choque e do Bope.

Quem são alguns dos alvos

Entre os investigados citados publicamente pelo Ministério Público e por veículos de imprensa estão:

Júnior Vasconcelos, ex-prefeito de Fátima do Sul e servidor da Polícia Civil cedido ao gabinete do deputado estadual Jamilson Name;

Ed Carlos Burgatti, servidor ligado à área de regulação da Secretaria de Estado de Saúde;

Rossana Paroschi Jafar, sócia-administradora de uma empresa gráfica.

Até o momento, o MPMS não detalhou publicamente a participação individual atribuída a cada investigado.

Por que “Operação Gutenberg”?

O nome escolhido pelo Ministério Público faz referência ao alemão Johannes Gutenberg, inventor responsável por revolucionar a impressão de livros.

Segundo o MPMS, a escolha representa justamente o contraste entre o papel histórico dos livros na disseminação do conhecimento e a suspeita de que livros paradidáticos tenham sido utilizados como instrumento para conferir aparência de legalidade ao esquema investigado.

Governo reage

Após a operação, o Governo do Estado anunciou o afastamento e/ou exoneração dos servidores investigados vinculados ao Executivo.

Também foram instauradas auditorias pela Secretaria de Estado de Saúde e pela Controladoria-Geral do Estado para revisar os procedimentos administrativos relacionados aos fatos apurados.

Assembleia também repercute

A operação alcançou ainda um servidor cedido que atua no gabinete do deputado estadual Jamilson Name.

Em nota, o parlamentar afirmou não possuir qualquer relação com os fatos investigados, esclareceu que o servidor exerce funções administrativas e declarou confiança no trabalho das instituições e no devido processo legal.

Próximos passos

Com o cumprimento dos mandados, a investigação entra agora em uma etapa considerada decisiva.

O material apreendido — celulares, computadores, documentos físicos e registros financeiros — deverá passar por perícia e análise detalhada.

A partir dessas informações, o Ministério Público decidirá sobre eventuais novas diligências, oferecimento de denúncia ou ampliação das investigações.

Enquanto isso, os investigados permanecem amparados pelos direitos constitucionais da ampla defesa, do contraditório e da presunção de inocência.

A expectativa é de que os próximos desdobramentos da Operação Gutenberg continuem movimentando os cenários político e administrativo de Mato Grosso do Sul nas próximas semanas.