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Gaeco apreende arma, munições e R$ 76 mil em empresa ligada à filha de ex-chefe da Regulação da Saúde

Revólver calibre .38, munições de diferentes calibres e R$ 76 mil em espécie foram encontrados durante cumprimento de mandado em endereço onde funciona a Capital Saúde, em Campo Grande.

A Operação Gutenberg ganhou um novo desdobramento com a apreensão de uma arma de fogo, munições de diversos calibres e aproximadamente R$ 76 mil em dinheiro vivo durante o cumprimento de mandado de busca em um imóvel ligado à empresária Jéssyca Duarte Burgatt, presa preventivamente na investigação conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).

O imóvel, localizado na Rua 13 de Maio, em Campo Grande, é apontado como endereço da Capital Saúde, empresa da qual Jéssyca é sócia. A empresária é filha de Ed Carlo Britto Burgatt, ex-coordenador estadual de Regulação Assistencial da Secretaria de Estado de Saúde (SES), também preso na Operação Gutenberg e posteriormente exonerado da função de chefia.

O que foi apreendido

Segundo as informações obtidas pela reportagem, equipes do Batalhão de Choque da Polícia Militar cumpriram o mandado de busca no período da tarde, quando pai e filha já haviam sido presos.

Durante as diligências, os policiais localizaram:

um revólver calibre .38 da marca Taurus;

munições de calibres .38, .380 e 9 milímetros;

carregadores de arma de fogo;

aproximadamente R$ 76 mil em espécie.

Todo o material foi apreendido e encaminhado para os procedimentos periciais.

Material estava em sala de sócio da empresa

De acordo com as informações levantadas pela investigação, a arma, as munições e o dinheiro foram encontrados em uma sala utilizada por Adelto dos Santos Soares, apontado como sócio de Jéssyca Burgatt na Capital Saúde.

No momento do cumprimento do mandado, Adelto não estava no local.

Segundo os policiais, nenhuma pessoa presente apresentou documentação que comprovasse autorização para posse ou porte do armamento apreendido.

As circunstâncias da apreensão também passarão a ser analisadas durante o andamento da investigação.

Empresa já estava no radar

A Capital Saúde já figurava entre as empresas analisadas pelo Ministério Público em razão da prisão de sua sócia, Jéssyca Burgatt.

Além da investigação criminal, a empresa também responde a uma execução fiscal movida pelo Município de Campo Grande para cobrança de aproximadamente R$ 116 mil em Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISSQN), processo que segue em tramitação.

Outra frente da investigação busca esclarecer a estrutura societária da empresa e verificar a movimentação patrimonial relacionada aos investigados.

Operação continua avançando

A apreensão do armamento e do dinheiro amplia o conjunto de elementos que serão submetidos à análise do Ministério Público.

Os investigadores também realizam perícias em celulares, computadores, contratos, documentos e movimentações financeiras apreendidos durante a Operação Gutenberg.

Segundo o MPMS, a organização investigada é suspeita de movimentar aproximadamente R$ 27 milhões em contratos públicos relacionados à aquisição de livros paradidáticos, além de apurar possíveis crimes de organização criminosa, corrupção ativa, corrupção passiva, fraude em contratações públicas e lavagem de dinheiro.

Até o momento, o Ministério Público não afirmou que a arma, as munições ou os valores em dinheiro tenham relação direta com os fatos investigados. Esse material passará por análise técnica e integrará o conjunto probatório da investigação.

A reportagem deixa o espaço aberto para manifestação da defesa de Jéssyca Burgatt, de Adelto dos Santos Soares e da Capital Saúde.