Segundo a investigação, mensagens extraídas com autorização judicial mostram que valores recebidos por empresas investigadas eram rapidamente redistribuídos conforme orientações de integrantes do grupo
As conversas obtidas pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) passaram a revelar um dos pontos considerados mais importantes da Operação Gutenberg: a forma como, segundo a investigação, o dinheiro recebido por empresas investigadas era distribuído entre os integrantes do suposto esquema.
De acordo com o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), mensagens extraídas mediante autorização judicial indicam que, logo após pagamentos realizados por prefeituras, começava uma sequência de orientações sobre a redistribuição dos valores entre pessoas ligadas ao grupo investigado.
Os diálogos integram o conjunto de provas utilizado para apurar um suposto esquema que teria movimentado aproximadamente R$ 27 milhões em contratos públicos para aquisição de livros paradidáticos.
Depósito era seguido por orientações
Um dos exemplos citados na investigação envolve um pagamento realizado pela Prefeitura de Douradina.
Segundo os autos, após o município transferir R$ 336.075,10 para a conta da Editora Avante, começaram as conversas sobre a destinação dos recursos.
Nas mensagens, a então proprietária formal da empresa, Rhayane Souza Fanaia, pergunta quais procedimentos deveria adotar com o dinheiro recebido.
Em seguida, realiza transferências e encaminha os comprovantes às pessoas indicadas pela investigação como responsáveis pela condução financeira do grupo.
Investigação aponta comando central
Para o Ministério Público, as mensagens reforçam a hipótese de que as decisões financeiras não eram tomadas por quem aparecia oficialmente como proprietária da empresa.
Segundo o Gaeco, a investigação aponta Rossana Paroschi Jafar como a pessoa responsável por determinar a distribuição dos recursos, enquanto Rhayane executaria as transferências conforme as orientações recebidas.
Essa é uma das razões pelas quais os investigadores sustentam que a empresa seria administrada, na prática, por pessoas diferentes daquelas que figuravam formalmente no contrato social.
Conversas ganharam peso na investigação
As mensagens passaram a ser consideradas um dos principais elementos da investigação porque permitem confrontar depósitos, comprovantes bancários, contratos públicos e demais documentos apreendidos durante a Operação Gutenberg.
Segundo o Ministério Público, esse cruzamento de informações pode auxiliar na identificação do caminho percorrido pelos recursos e na individualização da participação de cada investigado.
Investigação continua
A Operação Gutenberg segue em andamento e ainda está na fase de análise das provas reunidas durante as buscas realizadas em Mato Grosso do Sul, São Paulo e Goiás.
Além das conversas de WhatsApp, o Ministério Público também analisa contratos administrativos, documentos fiscais, computadores, celulares, extratos bancários, cheques e demais materiais apreendidos.
As informações apresentadas nesta reportagem correspondem à linha investigativa do Ministério Público de Mato Grosso do Sul. Até eventual denúncia, julgamento e decisão definitiva, todos os investigados permanecem amparados pelos princípios constitucionais da ampla defesa, do contraditório e da presunção de inocência.