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Infância sob ameaça: MS lidera ranking nacional de maus-tratos contra crianças

Mato Grosso do Sul ocupa uma posição que ninguém gostaria de ver estampada nas estatísticas. O Estado aparece na liderança nacional em casos de maus-tratos contra crianças de até 14 anos, segundo levantamento divulgado no 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, ontem (23), referente ao ano de 2025. Mais do que um número preocupante, o índice lança luz sobre uma realidade marcada pela violência dentro de ambientes que deveriam oferecer proteção, cuidado e acolhimento.

O levantamento mostra que MS registrou a maior taxa de notificações de maus-tratos contra crianças no país. Embora os números evidenciem a gravidade do problema, especialistas alertam que eles também podem refletir um maior volume de denúncias e uma rede de saúde e assistência social mais preparada para identificar e registrar os casos. Ainda assim, o cenário exige atenção permanente do poder público e da sociedade.

O impacto social

A violência contra crianças nem sempre deixa marcas visíveis. Além das agressões físicas, ela pode ocorrer por meio de abuso psicológico, negligência, abandono e violência sexual, comprometendo o desenvolvimento emocional, social e cognitivo das vítimas. Em muitos casos, os agressores fazem parte do círculo familiar, o que torna a identificação e a denúncia ainda mais difíceis.

Para especialistas em proteção à infância, combater esse tipo de violência depende de uma atuação conjunta entre escolas, unidades de saúde, conselhos tutelares, forças de segurança, Ministério Público e Judiciário. Professores, profissionais da saúde e vizinhos costumam ser os primeiros a perceber mudanças de comportamento, lesões recorrentes ou sinais de negligência.

Outro desafio é romper o silêncio. Muitas vítimas, principalmente as menores, não conseguem relatar o que vivem por medo, vergonha ou dependência dos próprios agressores. Por isso, a participação da sociedade é considerada essencial para interromper ciclos de violência antes que eles provoquem consequências irreversíveis.

A legislação brasileira determina que qualquer suspeita de violência contra crianças e adolescentes deve ser comunicada às autoridades competentes. As denúncias podem ser feitas de forma anônima pelo Disque 100, além dos Conselhos Tutelares, Polícia Civil e demais órgãos da rede de proteção.

Mais do que ocupar o topo de um ranking, Mato Grosso do Sul enfrenta o desafio de transformar esses indicadores em ações concretas de prevenção, acolhimento e responsabilização. Cada caso notificado representa uma criança que precisou de ajuda — e reforça que proteger a infância é uma responsabilidade compartilhada entre famílias, instituições e toda a sociedade.