Segundo o relatório da Operação Gutenberg, Ed Carlos Brito Burgatt e Gabriel Taquino discutiam percentuais quando o então coordenador da Regulação Estadual afirmou que “Jamilson cresceu o olho”. O diálogo integra o conjunto de mensagens analisadas pelo Ministério Público.
Uma conversa reproduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) na investigação da Operação Gutenberg traz uma frase que chamou a atenção dos investigadores e passou a integrar o relatório apresentado à Justiça.
Durante um diálogo atribuído a Ed Carlos Brito Burgatt, então coordenador estadual da Regulação Assistencial, e ao advogado Gabriel Taquino de Paula, surge a seguinte afirmação:
“Jamilson cresceu o olho.”
A frase aparece em meio a uma conversa sobre percentuais e tratativas relacionadas às negociações investigadas pelo Ministério Público. O diálogo foi extraído, segundo o Gaeco, de aparelhos celulares apreendidos durante a investigação.
A conversa
Segundo o relatório, a troca de mensagens ocorreu em 30 de maio de 2022.
O diálogo começa quando Ed Carlos pergunta a Gabriel:
Ed Carlos: “As 5 meu e 5 do Jr está garantido no governo, né?”
Gabriel responde:
Gabriel: “Sim. Será 35.”
Na sequência, Ed Carlos envia uma nova mensagem:
Ed Carlos: “Mas no governo vocês falaram 35 e o Jamilson cresceu o olho.”
O relatório não esclarece, nesse trecho, a que correspondem os percentuais mencionados na conversa. Essa interpretação integra a linha investigativa desenvolvida pelo Ministério Público.
“Ele vai me ligar”
Após mencionar o deputado estadual, a conversa continua.
Segundo o relatório, Gabriel responde:
Gabriel: “Ele vai me ligar.”
Na sequência, Ed Carlos demonstra confiança na continuidade das tratativas.
Ed Carlos: “Vai dar certo.”
Pouco depois, acrescenta:
“Ele me ligou e disse que vai dar certo em todos os municípios.”
Essas mensagens foram reproduzidas pelo Gaeco como parte do conjunto de diálogos analisados na Operação Gutenberg.
Como o Gaeco utiliza esse diálogo
No relatório, o Ministério Público apresenta essa conversa como um dos elementos que, segundo a investigação, ajudam a reconstruir a dinâmica das negociações envolvendo contratos da Editora Avante.
O nome do deputado estadual Jamilson Name aparece mencionado pelos interlocutores, e o diálogo foi incorporado ao acervo probatório reunido pelo Gaeco. O relatório, nesse trecho específico, reproduz as mensagens e as insere no contexto da investigação, cabendo ao processo judicial a análise do seu alcance e significado, com garantia do contraditório e da ampla defesa.
O que é a Operação Gutenberg?
Deflagrada em 7 de julho de 2026, a Operação Gutenberg investiga uma suposta organização criminosa acusada de direcionar contratos públicos para fornecimento de livros paradidáticos a municípios de Mato Grosso do Sul.
Segundo o Ministério Público, a investigação aponta indícios de corrupção, fraude em licitações, organização criminosa e lavagem de dinheiro, além da suposta utilização da estrutura da regulação estadual da saúde para influenciar negociações relacionadas à Editora Avante.
De acordo com o Gaeco, o suposto esquema teria movimentado cerca de R$ 27 milhões. As conclusões apresentadas pelo Ministério Público refletem a linha investigativa da acusação e serão submetidas ao contraditório, à ampla defesa e ao julgamento do Poder Judiciário.