A confirmação da formação de um Super El Niño para o segundo semestre de 2026 colocou economistas e produtores rurais em estado de atenção. Em Mato Grosso do Sul, onde o agronegócio responde por cerca de um quarto do Produto Interno Bruto (PIB), o fenômeno climático pode provocar reflexos diretos na produção agrícola, elevar os custos das cadeias produtivas e chegar ao consumidor na forma de alimentos mais caros.
Segundo especialistas, o milho está entre as culturas que mais preocupam. O cereal é o principal componente da ração utilizada na criação de aves, suínos e bovinos. Caso haja quebra de safra ou aumento dos custos de produção, o efeito tende a se espalhar por toda a cadeia, pressionando os preços de carnes, leite, ovos e outros alimentos básicos.
O economista Hudson Garcia, diretor de negócios da Agricon Consultoria, destaca que o Super El Niño deixou de ser apenas um fenômeno meteorológico para se tornar um fator econômico relevante.
Segundo ele, quando as condições climáticas reduzem a previsibilidade das safras, produtores e empresas passam a conviver com custos mais elevados, maior volatilidade e aumento das incertezas, cenário que afeta investimentos e o ritmo de crescimento da economia.
Impacto pode chegar à inflação
Os efeitos também devem ser sentidos pelos consumidores. Como o grupo alimentação e bebidas representa uma das maiores parcelas do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), qualquer aumento significativo no valor dos alimentos tende a pressionar a inflação.
Além disso, um cenário de inflação persistente pode dificultar a redução das taxas de juros e tornar o ambiente econômico mais cauteloso para empresas e investidores.
MS está entre os estados mais expostos
Em Mato Grosso do Sul, a preocupação é ainda maior devido à forte dependência da economia em relação ao agronegócio. Alterações no regime de chuvas podem afetar culturas importantes, reduzir a produtividade e aumentar os custos de produção em diferentes segmentos.
Especialistas ressaltam que o impacto não se limita às propriedades rurais. A indústria, o transporte, o comércio e o consumidor final também acabam sendo atingidos quando a oferta de produtos diminui ou os custos aumentam.
Planejamento será decisivo
Diante desse cenário, economistas defendem que produtores, cooperativas e empresas incorporem cada vez mais o risco climático ao planejamento financeiro e às estratégias de produção.
Investimentos em tecnologia, inovação, diversificação de atividades e gestão de riscos são apontados como ferramentas essenciais para reduzir os impactos provocados por eventos extremos.
A expectativa é que aqueles que conseguirem antecipar cenários e adaptar seus processos estejam mais preparados para enfrentar um período de maior instabilidade climática e econômica.