Ex-deputado estava foragido desde 8 de julho e foi localizado após operação policial; transferência ao Brasil deverá ser coordenada pela Polícia Federal.
O ex-deputado estadual Roberto Razuk Filho, o Neno Razuk (PL), foi preso neste domingo (2) pela polícia da Bolívia, encerrando quase um mês de buscas após a decretação de sua prisão pela Justiça de Mato Grosso do Sul.
Conforme apuração exclusiva do Portal O Contribuinte, Neno Razuk foi abordado por policiais bolivianos e apresentou uma Carteira Nacional de Habilitação (CNH). Durante a verificação de sua identificação, foi constatada a existência de um mandado de prisão em aberto expedido pela Justiça brasileira, o que resultou em sua prisão.
A expectativa é de que, agora, sejam iniciados os procedimentos de cooperação internacional para sua transferência ao Brasil. O processo costuma ser conduzido pela Polícia Federal, em conjunto com as autoridades bolivianas e o Poder Judiciário.
O Contribuinte antecipou saída do Brasil
A prisão confirma uma linha de apuração que vinha sendo acompanhada pelo Portal O Contribuinte nas últimas semanas.
Antes mesmo da confirmação oficial de que a Justiça suspeitava da saída de Neno Razuk do país, o O Contribuinte publicou, em primeira mão, informações obtidas com fontes que relataram, sob condição de anonimato, que o ex-deputado já não estaria mais em Mato Grosso do Sul e teria deixado o território brasileiro.
Na ocasião, a reportagem deixou claro que a informação ainda não possuía confirmação oficial e seguia em processo de apuração.
Dias depois, a própria Justiça registrou, em decisão encaminhada à Polícia Federal, a existência de indícios de que Neno Razuk estaria fora do Brasil, circunstância que levou ao acionamento dos mecanismos de cooperação policial internacional.
Cerco internacional
O caso ganhou dimensão internacional após a Justiça de Mato Grosso do Sul solicitar a inclusão do nome de Neno Razuk nos sistemas de cooperação policial internacional, diante da suspeita de que ele havia deixado o país para evitar o cumprimento da ordem de prisão.
A medida ampliou o alcance das buscas e permitiu que autoridades estrangeiras fossem alertadas sobre o mandado expedido pela Justiça brasileira.
A prisão realizada neste domingo representa o principal desdobramento dessa cooperação internacional.
Quase um mês foragido
Neno Razuk estava foragido desde o dia 8 de julho, quando foi expedido o mandado de prisão decorrente de sua condenação em primeira instância.
Durante esse período, equipes realizaram diligências para localizá-lo, sem sucesso.
A defesa chegou a afirmar que caberia ao próprio ex-deputado decidir se iria se apresentar espontaneamente às autoridades e também buscou reverter a ordem judicial por meio de habeas corpus.
O pedido liminar foi negado pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul, mantendo a prisão em vigor.
Além disso, o ex-deputado tentou recuperar o mandato na Assembleia Legislativa por meio de um mandado de segurança julgado pelo Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul.
A estratégia tinha como objetivo restabelecer o foro por prerrogativa de função, o que poderia alterar a competência para análise da prisão preventiva.
O TRE-MS, porém, rejeitou o pedido por unanimidade, mantendo a perda do mandato e, consequentemente, a validade da ordem de prisão expedida pela Justiça Estadual.
Operação Successione
Neno Razuk foi condenado a mais de 15 anos de prisão pelos crimes de organização criminosa, roubo e exploração do jogo do bicho no âmbito da Operação Successione.
Segundo o Ministério Público de Mato Grosso do Sul, ele é apontado como integrante do núcleo de comando de uma organização investigada por explorar o jogo do bicho, praticar lavagem de dinheiro, corrupção e outros crimes para consolidar o controle da atividade ilegal no Estado.
Com a prisão na Bolívia, o próximo passo será a adoção dos procedimentos legais para seu retorno ao Brasil, onde deverá ficar à disposição da Justiça para o cumprimento das determinações judiciais.
Essa abordagem destaca a exclusividade do O Contribuinte de forma precisa: o portal antecipou que havia indícios de que Neno Razuk estava fora do Brasil, e posteriormente a Justiça também passou a apontar essa possibilidade, culminando na prisão em território boliviano.