Polícia Federal apura repasses feitos por Roberta Luchsinger a Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola; ex-assessor afirma que valores eram empréstimos pessoais já quitados
A investigação da Polícia Federal sobre o esquema de fraudes envolvendo descontos ilegais em benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) ganhou um novo desdobramento que aproxima as apurações do núcleo político do Palácio do Planalto.
Segundo informações divulgadas pelo Poder360 e confirmadas por outros veículos nacionais, a empresária e lobista Roberta Luchsinger realizou pagamentos a Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido em Brasília como Marcola, que ocupou até o último dia 21 de julho um dos cargos mais estratégicos da Presidência da República: a chefia do Gabinete Pessoal do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Os valores, segundo pessoas que acompanham as investigações, somam dezenas de milhares de reais. A Polícia Federal tenta esclarecer quanto foi efetivamente transferido, qual a origem dos recursos, qual a finalidade dos pagamentos e se existe alguma relação entre essas movimentações financeiras e o esquema investigado no INSS.
Até o momento, não há acusação formal contra Marcola relacionada aos repasses.
Marcola confirma recebimento
Após a divulgação do caso, Marco Aurélio Santana Ribeiro reconheceu que recebeu valores de Roberta Luchsinger.
Segundo ele, os depósitos correspondem a um empréstimo pessoal, que já teria sido integralmente quitado.
Em manifestação enviada à imprensa, afirmou:
“Recebi com surpresa a matéria que trata um empréstimo pessoal contraído e já quitado como algo ilegal. Nunca tive qualquer relação que caracterize ilegalidade no exercício de minha função.”
A declaração passa agora a integrar o conjunto de informações que deverão ser analisadas pelos investigadores.
Quem é Marcola
Poucos servidores tinham acesso tão direto ao presidente Lula quanto Marco Aurélio Santana Ribeiro.
Desde janeiro de 2023, ele ocupava a chefia do Gabinete Pessoal da Presidência da República, estrutura responsável por organizar a agenda do presidente, coordenar compromissos oficiais, acompanhar viagens e administrar boa parte da rotina institucional do chefe do Executivo.
Na prática, Marcola era considerado um dos homens de maior confiança de Lula dentro do Palácio do Planalto.
Sua exoneração foi assinada por Lula no dia 21 de julho e publicada no Diário Oficial da União em 22 de julho. Logo em seguida, passou a integrar oficialmente a coordenação da campanha presidencial do petista.
Mesmo nos últimos dias em que permaneceu no cargo, Marcola seguia participando normalmente da agenda presidencial. Os registros oficiais mostram reuniões com ministros e integrantes do Gabinete Pessoal poucos dias antes de sua saída.
Quem é Roberta Luchsinger
A empresária Roberta Luchsinger tornou-se uma das personagens centrais dos desdobramentos da investigação sobre as fraudes no INSS.
Ela prestou serviços para Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, apontado pela Polícia Federal como figura importante nas investigações e preso desde setembro de 2025.
Além disso, Roberta também aparece em outra linha investigativa envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha.
Em depoimentos públicos, ela confirmou que apresentou Lulinha ao Careca do INSS, mas afirmou que a aproximação ocorreu apenas por cortesia, negando qualquer intermediação comercial.
Relação com Lulinha
O nome de Roberta também aparece em investigações que envolvem o filho mais velho do presidente.
Ao longo das apurações, a Polícia Federal identificou viagens realizadas por Roberta e Lulinha com reservas emitidas sob o mesmo código localizador, incluindo deslocamentos internacionais e voos domésticos.
Os investigadores tratam essas informações como indícios da proximidade entre ambos.
Em outra frente investigativa, Lulinha também é alvo de inquéritos que apuram possíveis práticas de tráfico de influência. Ele nega irregularidades.
O que a PF pretende esclarecer
Com os novos elementos reunidos, a Polícia Federal busca responder uma série de questões consideradas essenciais para o avanço da investigação.
Entre elas:
Qual foi o valor exato recebido por Marcola.
Qual a origem dos recursos utilizados por Roberta Luchsinger.
Qual era a finalidade dos pagamentos.
Se houve alguma contrapartida.
Se existe conexão entre essas movimentações financeiras e o esquema investigado no INSS.
Essas perguntas permanecem sem resposta definitiva e fazem parte da investigação em andamento.
Pressão sobre o Planalto
A revelação dos pagamentos aumenta a pressão política sobre o governo federal por envolver um ex-integrante do núcleo mais próximo do presidente da República.
Embora Marcola tenha deixado oficialmente o Gabinete Pessoal para integrar a coordenação da campanha de Lula, o caso amplia o alcance das investigações que já envolvem operadores apontados pela Polícia Federal como integrantes do esquema de fraudes no INSS.
Nos próximos dias, a expectativa é que novos documentos e informações sejam analisados pela Polícia Federal para esclarecer a natureza dos repasses e definir se haverá ou não novos desdobramentos na investigação.