(67) 9 9689-6297 | ocontribuintebr@gmail.com

Neno Razuk chega ao presídio em Campo Grande após prisão na Bolívia; veja a imagem exclusiva e relembre toda a cronologia do caso

Após quase um mês foragido, ex-deputado entrou no sistema prisional de Mato Grosso do Sul nesta segunda-feira. O Contribuinte acompanhou, em primeira mão, todos os principais desdobramentos do caso, desde a perda do mandato até a captura internacional.

O ex-deputado estadual Roberto Razuk Filho, o Neno Razuk (PL), chegou na tarde desta segunda-feira (3) ao Centro de Triagem Anísio Lima, no Jardim Noroeste, em Campo Grande, onde permanecerá à disposição da Justiça após ser preso na Bolívia.

A chegada ao sistema prisional encerra uma das fases mais emblemáticas da Operação Successione, investigação conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), que aponta Neno como integrante do núcleo de comando de uma organização investigada por exploração do jogo do bicho, organização criminosa, roubos e lavagem de dinheiro.

A transferência ocorreu após o ex-parlamentar ser entregue pelas autoridades bolivianas à Polícia Federal na fronteira, passar pelos procedimentos legais em Corumbá e ser conduzido até Campo Grande.

Segundo a defesa, Neno retornava ao Brasil quando foi abordado por policiais bolivianos.

Primeiro registro em território brasileiro

Antes da chegada à Capital, Neno Razuk passou pela Delegacia da Polícia Federal em Corumbá.

Na unidade, foi submetido aos procedimentos de identificação e, posteriormente, ao exame de corpo de delito, etapa obrigatória antes da transferência de presos.

O advogado Roberto Razuk Neto confirmou ao Portal O Contribuinte que acompanhou essa fase do procedimento em Corumbá.

IMAGEM | Neno Razuk com a Polícia Federal em Corumbá após ser entregue pelas autoridades bolivianas.

Foi nesse momento que surgiu o primeiro registro fotográfico do ex-deputado novamente em solo brasileiro, já sob custódia das autoridades federais.

Após a conclusão dos procedimentos periciais e administrativos, equipes responsáveis pelo cumprimento do mandado iniciaram o deslocamento até Campo Grande.

Chegada ao sistema prisional

Já na Capital, Neno Razuk foi encaminhado diretamente ao Centro de Triagem Anísio Lima.

A unidade é responsável por receber presos recém-ingressos no sistema penitenciário estadual antes da definição da unidade onde permanecerão custodiados.

IMAGEM | Chegada de Neno Razuk ao Centro de Triagem Anísio Lima, em Campo Grande.

Com a entrada no sistema prisional, o ex-deputado passa oficialmente a permanecer à disposição do Poder Judiciário para o cumprimento das determinações judiciais decorrentes da Operação Successione.

Como o caso chegou até aqui

A prisão de Neno Razuk é resultado de uma sequência de acontecimentos que começou ainda no primeiro semestre deste ano.

Tudo teve início quando a Justiça Eleitoral determinou a retotalização dos votos das eleições de 2022.

A decisão decorreu da condenação definitiva de Raquelle Trutis por gastos ilícitos de campanha, o que levou à anulação dos votos obtidos por ela e alterou a composição da Assembleia Legislativa.

Com o novo cálculo eleitoral, o Partido Liberal perdeu uma cadeira.

Neno Razuk deixou o mandato de deputado estadual, enquanto João César Mattogrosso (PSDB) assumiu a vaga.

Perda do foro abriu caminho para a prisão

Ao perder o mandato, Neno também deixou de possuir foro por prerrogativa de função.

Pouco tempo depois, o Gaeco requereu sua prisão preventiva.

A Justiça acolheu o pedido e expediu o mandado no início de julho.

Naquele momento, começaram as buscas pelo ex-deputado.

As equipes realizaram diligências em diversos endereços ligados a Neno, mas ele não foi localizado.

O Contribuinte antecipou que Neno havia deixado o Brasil

Enquanto as buscas eram realizadas em Mato Grosso do Sul, o Portal O Contribuinte publicou, em primeira mão, informações obtidas junto a fontes que apontavam que Neno Razuk já não estava mais no Estado e teria deixado o território brasileiro.

Na ocasião, a reportagem destacou que a informação ainda não possuía confirmação oficial.

Dias depois, a própria Justiça registrou nos autos existirem indícios de que o ex-deputado estava fora do país.

A constatação levou ao acionamento dos mecanismos de cooperação internacional e ao pedido para inclusão do nome de Neno nos sistemas da Interpol.

Pouco tempo depois, ele passou a ser procurado internacionalmente.

Recursos não impediram manutenção da prisão

Durante o período em que permaneceu foragido, a defesa adotou diversas medidas judiciais.

Primeiro, impetrou habeas corpus no Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul para tentar revogar a prisão preventiva.

O pedido liminar foi negado.

Em seguida, tentou recuperar o mandato na Assembleia Legislativa por meio de um mandado de segurança no Tribunal Regional Eleitoral.

A estratégia buscava restabelecer o foro privilegiado, o que poderia alterar a competência da Justiça para manter a prisão decretada.

Entretanto, o TRE-MS rejeitou o pedido por unanimidade.

Com isso, permaneceram válidas tanto a perda do mandato quanto a ordem de prisão.

Prisão na Bolívia encerrou quase um mês de buscas

O desfecho ocorreu na noite de domingo (2).

Segundo apuração do Portal O Contribuinte, Neno Razuk foi abordado por policiais na Bolívia.

Ao apresentar uma Carteira Nacional de Habilitação brasileira, os agentes verificaram a existência do mandado de prisão expedido pela Justiça de Mato Grosso do Sul.

Ele foi imediatamente detido.

Na sequência, teve início o procedimento de entrega às autoridades brasileiras na fronteira.

O que acontece agora

Com a chegada ao Centro de Triagem Anísio Lima, encerra-se oficialmente a fase de buscas que mobilizou autoridades brasileiras e internacionais nas últimas semanas.

Agora, Neno Razuk permanece à disposição da Justiça para o cumprimento da ordem de prisão e para o prosseguimento dos processos relacionados à Operação Successione.

Apesar da prisão, os recursos apresentados pela defesa continuam tramitando normalmente, conforme prevê a legislação.

Os advogados sustentam que o ex-deputado deixou o Brasil antes da decretação da prisão e afirmam que seguirão adotando todas as medidas judiciais cabíveis para questionar a legalidade da ordem de prisão.

Com a captura, a transferência ao Brasil e o ingresso no sistema prisional sul-mato-grossense, o caso entra agora em uma nova fase: a do cumprimento das decisões judiciais e da continuidade da ação penal que investiga a atuação do chamado clã Razuk na exploração do jogo do bicho em Mato Grosso do Sul.