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Alfredo Gaspar é anunciado como vice de Flávio Bolsonaro na disputa pela Presidência

Deputado federal por Alagoas, ex-promotor de Justiça e ex-secretário de Segurança Pública, Alfredo Gaspar foi escolhido após semanas de negociações com partidos de centro.

O senador Flávio Bolsonaro anunciou o deputado federal Alfredo Gaspar de Mendonça Neto, do PL de Alagoas, como candidato a vice-presidente em sua chapa na disputa pelo Palácio do Planalto.

A escolha encerra semanas de negociações, especulações e tentativas de atrair partidos de centro para uma aliança nacional.

Flávio buscou inicialmente uma composição que ampliasse a chapa para além do PL. A senadora Tereza Cristina, do Progressistas, chegou a aceitar o convite para ser vice, mas encontrou resistência na cúpula partidária, que decidiu manter a neutralidade na eleição presidencial.

Sem conseguir o apoio oficial do Progressistas ou de outra legenda, Flávio optou por um nome de seu próprio partido.

Alfredo Gaspar chega à chapa com uma trajetória ligada principalmente ao Ministério Público, à segurança pública, ao combate às organizações criminosas e à investigação de fraudes contra aposentados e pensionistas.

Quem é Alfredo Gaspar

Natural de Maceió, em Alagoas, Alfredo Gaspar de Mendonça Neto tem 55 anos, é advogado, casado e pai de três filhos.

Graduado em Direito e pós-graduado em Direito Público, ele atuou durante 24 anos no Ministério Público de Alagoas.

Ao longo da carreira, exerceu diferentes funções na área jurídica e de segurança pública. Foi promotor de Justiça, procurador-geral de Justiça de Alagoas, secretário estadual de Segurança Pública e presidente do Grupo Nacional de Combate às Organizações Criminosas.

Em 2022, foi eleito deputado federal por Alagoas, tornando-se o segundo candidato mais votado do estado para a Câmara dos Deputados.

Segurança pública como principal bandeira

A trajetória de Alfredo Gaspar é diretamente associada ao combate à criminalidade.

Como integrante do Ministério Público, atuou em investigações e ações relacionadas a organizações criminosas, corrupção e violência.

Também comandou a Secretaria de Segurança Pública de Alagoas, experiência que deve ser explorada pela chapa durante a campanha presidencial.

A escolha indica que Flávio pretende colocar a segurança pública entre os principais temas do debate eleitoral.

O discurso deverá envolver combate ao crime organizado, endurecimento das leis, fortalecimento das forças policiais e enfrentamento das facções criminosas.

Relator da CPMI do INSS

Alfredo Gaspar também ganhou projeção nacional como relator da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito que investigou fraudes em descontos aplicados sobre benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social.

A CPMI apurou suspeitas de cobranças indevidas, associações envolvidas em descontos não autorizados e possíveis falhas de fiscalização.

Na relatoria, Alfredo passou a ser apresentado por aliados como uma voz em defesa dos aposentados e pensionistas atingidos pelo esquema.

A atuação na comissão ampliou sua presença no debate nacional e fortaleceu o discurso de combate à corrupção e proteção dos brasileiros mais vulneráveis.

Chapa aposta em perfil jurídico

Ao escolher Alfredo, Flávio forma uma chapa com forte presença no campo jurídico e legislativo.

O candidato a vice reúne experiência no Ministério Público, no Executivo estadual e no Congresso Nacional.

A combinação será utilizada pela campanha para defender uma imagem de autoridade institucional, preparo jurídico e enfrentamento ao crime.

Alfredo também possui experiência eleitoral recente e ligação com o Nordeste, região em que o PL busca ampliar sua votação.

Escolha fortalece presença no Nordeste

A origem alagoana de Alfredo Gaspar deve ser apresentada como um dos elementos estratégicos da chapa.

Historicamente, a direita encontra maiores dificuldades eleitorais em diversos estados nordestinos, especialmente diante da força de Lula e do Partido dos Trabalhadores.

Ao colocar um político da região na Vice-Presidência, Flávio tenta demonstrar que sua campanha terá presença nacional e não ficará restrita ao Sul, Sudeste e Centro-Oeste.

Alfredo, no entanto, terá o desafio de transformar sua projeção estadual e sua atuação parlamentar em capacidade de mobilização regional.

Fim da expectativa por Tereza Cristina

Antes do anúncio de Alfredo, Tereza Cristina era tratada como a opção preferencial de Flávio.

A senadora chegou a ser chamada pelo candidato de sua “vice dos sonhos”.

Ex-ministra da Agricultura no governo Jair Bolsonaro, Tereza agregaria à chapa uma forte ligação com o agronegócio, experiência administrativa, interlocução com partidos de centro e representatividade feminina.

Ela também levaria o peso eleitoral de Mato Grosso do Sul, onde foi eleita senadora com 829.149 votos, a maior votação já recebida por um candidato ao Senado no estado.

A composição, entretanto, não avançou porque o Progressistas decidiu manter-se neutro na disputa presidencial.

Michelle Bolsonaro, Tarcísio de Freitas, Eduardo Riedel, empresários e lideranças do agronegócio chegaram a atuar para tentar liberar a senadora.

Mesmo com as pressões, Ciro Nogueira e a direção nacional do partido mantiveram a decisão.

PL opta por solução interna

Sem uma aliança formal com outra legenda, Flávio escolheu uma solução partidária interna.

A chapa formada por dois integrantes do PL evita novas negociações com direções nacionais, convenções e federações partidárias.

Ao mesmo tempo, reduz a ampliação política que poderia ser conquistada com um nome do Progressistas, Republicanos ou outra legenda de centro-direita.

A campanha deverá compensar essa limitação apostando na unidade do eleitorado bolsonarista e no perfil de Alfredo como representante do combate ao crime e à corrupção.

Nomes femininos ficaram pelo caminho

Durante as articulações, Flávio avaliou diferentes nomes femininos para a Vice-Presidência.

Além de Tereza Cristina, foram mencionadas a ex-presidente da Caixa Econômica Federal Daniella Marques, a vereadora Priscila Costa, a deputada federal Júlia Zanatta, a deputada Bia Kicis e outras lideranças conservadoras.

Michelle Bolsonaro também apareceu em especulações, embora a participação de dois integrantes da mesma família na chapa provocasse debates políticos e eleitorais.

Ao escolher Alfredo, Flávio desistiu da estratégia inicial de utilizar a Vice-Presidência para ampliar sua presença entre o eleitorado feminino.

A campanha deverá agora explicar por que optou por um homem depois de semanas buscando uma mulher para completar a chapa.

Alfredo deixa disputa pelo Senado em Alagoas

A indicação também altera diretamente o cenário político de Alagoas.

Alfredo Gaspar havia sido oficializado como candidato do PL ao Senado e aparecia na liderança das pesquisas mencionadas nas informações encaminhadas.

Sua saída da disputa abre espaço para uma reorganização da chapa estadual do partido.

Também muda o equilíbrio da corrida pelas duas vagas ao Senado, disputadas por nomes como Arthur Lira, do Progressistas, e Renan Calheiros, do MDB.

O PL deverá indicar outro candidato para substituir Alfredo.

Ainda assim, a retirada do deputado da eleição estadual reduz a concorrência para os principais nomes que apareciam atrás dele nas pesquisas.

Esse impacto será aprofundado em outra reportagem do O Contribuinte.

Chapa está formada

Com o anúncio, Flávio encerra a principal indefinição de sua candidatura.

A chapa será formada por dois parlamentares do PL:

Flávio Bolsonaro, senador pelo Rio de Janeiro e candidato à Presidência;

e Alfredo Gaspar, deputado federal por Alagoas e candidato à Vice-Presidência.

A campanha deverá apresentar a composição como uma união entre conservadorismo, experiência legislativa, segurança pública e combate à corrupção.

Alfredo chega à chapa com uma trajetória reconhecida no Ministério Público e no enfrentamento ao crime organizado.

O desafio agora será demonstrar que esse currículo também é capaz de ampliar a candidatura para além da base tradicional do PL e do bolsonarismo.