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Mais de 1,5 mil presos têm “saidão” no DF, mas Bolsonaro não poderá ver os filhos no Dia dos Pais

Enquanto detentos beneficiados pela saída temporária deixam presídios para passar a data fora das unidades, Moraes mantém suspensão de visitas ao ex-presidente

O Dia dos Pais deste domingo, 9 de agosto, será marcado por um contraste que já provoca reação política e repercussão nas redes sociais.

Enquanto mais de 1,5 mil detentos do Distrito Federal foram beneficiados pelo chamado “saidão de Dia dos Pais”, podendo deixar temporariamente as unidades prisionais, o ex-presidente Jair Bolsonaro não poderá receber a visita dos próprios filhos.

Bolsonaro está submetido a uma suspensão de visitas determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

A defesa tentou obter uma autorização excepcional para que os filhos pudessem visitar o ex-presidente neste domingo, mas o pedido não prosperou.

Na decisão assinada neste sábado (8), Moraes considerou a solicitação prejudicada porque uma determinação anterior, de 17 de julho, suspendeu por 30 dias as visitas a Bolsonaro, com exceção de médicos, fisioterapeutas e advogados.

O resultado é uma imagem política de forte repercussão neste Dia dos Pais: enquanto presos beneficiados pela legislação deixam temporariamente os presídios, Bolsonaro permanece sem autorização sequer para receber a visita familiar dos filhos.

Mais de 1,5 mil presos deixam unidades no DF

No Distrito Federal, mais de 1.500 detentos foram autorizados a deixar as unidades prisionais durante o período do chamado “saidão de Dia dos Pais”.

Os presos começaram a deixar os estabelecimentos penitenciários na quinta-feira e devem retornar às unidades até esta segunda-feira.

Durante o período fora dos presídios, os beneficiados precisam cumprir uma série de condições estabelecidas pela Justiça.

A Polícia Penal também realiza fiscalizações e visitas para verificar se as regras impostas estão sendo respeitadas.

A saída temporária é prevista dentro do sistema de execução penal para presos que preencham os requisitos legais estabelecidos para o benefício.

É importante destacar que a situação jurídica desses detentos não é idêntica à de Jair Bolsonaro.

No caso dos presos beneficiados pelo “saidão”, trata-se de saída temporária. No caso do ex-presidente, a discussão é sobre uma suspensão de visitas determinada dentro de sua execução penal.

Ainda assim, justamente por acontecerem no mesmo fim de semana e envolverem o Dia dos Pais, a diferença entre as situações passou a alimentar críticas e comparações no debate político.

Bolsonaro pediu apenas para receber os filhos

A defesa de Jair Bolsonaro não estava pedindo que o ex-presidente deixasse o local de cumprimento de pena.

O requerimento apresentado ao STF buscava autorização para uma visita.

Segundo as informações divulgadas, a defesa pediu que Carlos Bolsonaro, Jair Renan Bolsonaro e Flávio Bolsonaro pudessem encontrar o pai neste domingo.

O pedido foi protocolado em 5 de agosto.

Moraes, porém, manteve a restrição determinada anteriormente.

Na decisão, o ministro escreveu:

“Em virtude do ‘ITEM 1’ de decisão proferida em 17/7/2026, JULGO PREJUDICADO O PEDIDO.”

O ministro acrescentou que, ressalvadas as visitas permanentes de médicos, fisioterapeutas e advogados, “as demais visitas estão suspensas pelo prazo de 30 dias”.

Ou seja: não houve exceção nem mesmo para o Dia dos Pais.

O contraste que ganha força neste domingo

É justamente nesse ponto que a decisão assume um peso que ultrapassa o processo judicial.

De um lado, mais de 1,5 mil presos recebem autorização para deixar temporariamente o sistema penitenciário do Distrito Federal.

Do outro, um ex-presidente da República não poderá receber os filhos dentro do local onde cumpre pena.

Novamente: juridicamente, são benefícios e restrições diferentes.

Politicamente e simbolicamente, porém, a comparação é inevitável e já vem sendo utilizada por aliados de Bolsonaro para questionar o tratamento dado ao ex-presidente.

O episódio deverá alimentar ainda mais o debate sobre os limites das restrições impostas a Bolsonaro.

Suzane von Richthofen também teve saída no Dia dos Pais

Outro episódio antigo voltou a ser lembrado nas redes sociais após a decisão de Moraes.

Em 2016, Suzane von Richthofen, condenada pelo assassinato dos próprios pais, foi beneficiada com saída temporária durante o período do Dia dos Pais.

O caso voltou à tona justamente pelo contraste provocado pela data.

Condenada por participar do assassinato de Manfred e Marísia von Richthofen, em 2002, Suzane recebeu ao longo do cumprimento da pena benefícios previstos pela legislação para presos que atendiam às condições necessárias.

Entre eles esteve a saída temporária.

A lembrança desse episódio passou a circular novamente nas redes neste fim de semana: Suzane, condenada pelo assassinato dos pais, já deixou o sistema prisional durante um período de Dia dos Pais; Bolsonaro, em 2026, não poderá receber os próprios filhos.

Moraes mantém restrição de 30 dias

A decisão que impede o encontro neste domingo não foi criada especificamente para o Dia dos Pais.

Moraes aplicou uma restrição determinada anteriormente, em 17 de julho, que estabeleceu a suspensão das visitas por 30 dias.

Ao analisar o pedido excepcional apresentado pela defesa, o ministro optou por não flexibilizar a medida.

Permanecem autorizadas somente visitas relacionadas a atendimento médico, fisioterapia e atuação dos advogados.

Familiares ficaram fora das exceções.

Um Dia dos Pais diferente para Bolsonaro

Jair Bolsonaro, portanto, passará este domingo sem poder receber Carlos, Flávio e Jair Renan.

A situação provocou reação imediata principalmente entre familiares e aliados políticos.

O fato de a negativa ocorrer simultaneamente ao “saidão” que beneficia mais de 1,5 mil presos do Distrito Federal ampliou ainda mais a repercussão.

Para os críticos de Moraes, o episódio representa mais uma demonstração do rigor das medidas aplicadas contra Bolsonaro.

Já do ponto de vista estritamente jurídico, a decisão do ministro sustenta que a suspensão de visitas já estava em vigor e deveria continuar sendo cumprida durante o período de 30 dias.

O debate, portanto, deixa de ser apenas jurídico.

Neste domingo de Dia dos Pais, ele também se torna político, simbólico e familiar.