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Com legado de obras e experiência no Executivo, André mira retorno à Assembleia

Ex-governador, que também comandou Campo Grande por dois mandatos, volta a disputar uma cadeira no Legislativo estadual após três décadas e leva para a campanha experiência no Executivo

Aos 78 anos e com uma das trajetórias mais extensas da política de Mato Grosso do Sul, o ex-governador André Puccinelli (MDB) volta às urnas em 2026 diante de um desafio diferente daqueles que marcaram as últimas décadas de sua carreira. Depois de governar o Estado, administrar Campo Grande e disputar novamente o Governo em 2022, André agora busca uma cadeira na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul.

O movimento representa, de certa forma, um retorno às origens.

Puccinelli foi deputado estadual por dois mandatos, entre 1987 e 1995. Portanto, se eleito em 2026, retornará à Assembleia 31 anos depois de deixar o Legislativo estadual.

É uma disputa que reúne passado, experiência e também a tentativa de transformar em votos a lembrança deixada por suas administrações.

Antes de chegar ao Governo de Mato Grosso do Sul, André construiu uma longa trajetória política. Médico formado pela Universidade Federal do Paraná, chegou ao então Mato Grosso ainda na década de 1970 e se estabeleceu em Fátima do Sul.

Foi secretário estadual de Saúde entre 1983 e 1985, deputado estadual durante dois mandatos e, posteriormente, deputado federal. Em 1996, foi eleito prefeito de Campo Grande.

Dois mandatos na Capital e dois no Governo

André comandou Campo Grande entre 1997 e 2005, após ser reeleito em 2000.

Anos depois, em 2006, venceu a eleição para governador de Mato Grosso do Sul enfrentando Delcídio do Amaral. Em 2010, conquistou a reeleição ainda no primeiro turno, desta vez tendo como principal adversário o ex-governador Zeca do PT.

Foram, portanto, oito anos administrando Campo Grande e outros oito anos à frente do Governo do Estado.

É justamente esse período que deverá ocupar espaço importante na campanha de André para deputado estadual.

Obras de infraestrutura, desenvolvimento urbano e investimentos realizados durante suas administrações são parte do capital político que o ex-governador carrega para uma eleição completamente diferente das disputas majoritárias que protagonizou.

Depois de décadas enfrentando eleições para prefeito ou governador, André terá agora de disputar voto a voto uma das cadeiras da Assembleia.

E chega à corrida eleitoral com uma estratégia clara: transformar experiência administrativa e a lembrança de suas gestões em força eleitoral.

2018 marcou um dos períodos mais difíceis da carreira

A trajetória de André, no entanto, também passou por um dos capítulos mais turbulentos da política sul-mato-grossense.

Em 2018, Puccinelli se preparava para tentar voltar ao Governo do Estado pelo então MDB. Seu nome era colocado como um dos principais adversários do governador Reinaldo Azambuja, que buscava a reeleição.

No dia 20 de julho daquele ano, às vésperas da convenção partidária marcada para agosto, André foi preso durante uma fase da Operação Lama Asfáltica.

Na época, sua defesa questionou a medida e chamou atenção justamente para a proximidade entre a prisão e o calendário eleitoral.

Mesmo inicialmente mantendo a pré-candidatura, André acabou fora da disputa pelo Governo. O MDB foi para a eleição com Junior Mochi como candidato.

Reinaldo Azambuja acabou reeleito.

André permaneceu preso durante o período eleitoral e somente deixou a prisão em dezembro de 2018, após decisão da ministra Laurita Vaz, do Superior Tribunal de Justiça. Posteriormente, a 6ª Turma do STJ confirmou, por unanimidade, os efeitos da liminar que havia colocado o ex-governador em liberdade.

Anos de processos e decisões favoráveis

Os desdobramentos da Operação Lama Asfáltica acompanharam André durante anos e tiveram forte impacto em sua imagem pública e trajetória política.

O ex-governador foi investigado em diferentes ações envolvendo suspeitas de irregularidades em contratos e obras realizadas durante seus governos.

Nos processos citados, entretanto, Puccinelli posteriormente conseguiu decisões favoráveis na Justiça.

Em uma das ações derivadas da operação, a Justiça Federal absolveu André e a ex-presidente da Agesul, Maria Wilma Casanova Rosa, em processo relacionado a suposto superfaturamento em obras.

A sentença apontou insuficiência de provas capazes de demonstrar a participação de ambos em atos ilícitos.

Em outra decisão, o Tribunal Regional Federal da 3ª Região determinou a extinção de processo envolvendo acusações de fraude e desvio de recursos públicos, além da devolução de valores e do desbloqueio de bens do ex-governador.

Segundo as informações do processo, a decisão considerou não haver elementos mínimos suficientes para a manutenção das medidas que haviam sido adotadas.

É um capítulo que André pode levar para a campanha de 2026: depois de anos carregando o peso político das investigações, passou a acumular absolvições e decisões favoráveis em ações relacionadas à operação.

Em 2022, André voltou às urnas

Depois de não disputar efetivamente o Governo em 2018, André voltou a concorrer ao cargo em 2022.

Naquela eleição, enfrentou, entre outros candidatos, Eduardo Riedel, nome escolhido pelo então governador Reinaldo Azambuja para sua sucessão.

Riedel acabou eleito governador e o apoio de André no segundo turno da eleição foi fundamental.

Quatro anos depois, o cenário político colocou antigos adversários dentro de uma composição muito diferente.

Reinaldo, que enfrentaria André nas urnas em 2018, deixou o Governo e em 2026 disputa uma cadeira no Senado. André, por sua vez, abandonou a corrida pelo Executivo e voltou suas atenções para a Assembleia Legislativa.

Agora, ambos estão inseridos em um grupo político que reúne forças que estiveram em campos adversários em eleições anteriores.

É uma fotografia de como a política de Mato Grosso do Sul mudou nos últimos anos.

Retorno à Assembleia 31 anos depois

A candidatura de André para deputado estadual também tem forte valor simbólico.

Sua última passagem pela Assembleia terminou em 1995. Depois disso, vieram Câmara dos Deputados, Prefeitura de Campo Grande, Governo do Estado e novas disputas eleitorais.

Agora, três décadas depois, ele tenta voltar ao Parlamento estadual.

Mas não pretende fazer uma campanha apenas para conquistar uma das 24 cadeiras.

O ex-governador entra na disputa buscando uma votação expressiva e tentando colocar sua experiência eleitoral e administrativa a serviço de uma candidatura proporcional.

O desafio é diferente.

Uma eleição para deputado estadual exige presença nos municípios, construção de bases locais e disputa direta com dezenas de candidatos dentro e fora da própria coligação.

André, entretanto, parte de um patamar incomum para uma eleição proporcional. Poucos candidatos à Assembleia possuem reconhecimento estadual construído durante décadas e a experiência de quem já comandou tanto a maior cidade quanto o próprio Mato Grosso do Sul.

Memória das gestões pode virar ativo eleitoral

Existe ainda outro elemento que a candidatura pretende explorar: a comparação que naturalmente parte do eleitor faz entre diferentes períodos da administração pública.

André governou Campo Grande e Mato Grosso do Sul em momentos bastante diferentes do atual, tanto na economia quanto na realidade urbana e política.

Por isso, sua campanha pode tentar transformar em ativo eleitoral a memória das obras, programas e investimentos realizados quando esteve no Executivo.

É o componente da nostalgia política.

Eleitores que acompanharam seus mandatos como prefeito e governador conhecem André principalmente como administrador, e não como parlamentar, embora tenha sido justamente na Assembleia Legislativa que sua carreira eletiva ganhou força.

A eleição de 2026 mostrará quanto desse reconhecimento ainda consegue ser convertido em voto.

Um veterano em uma disputa diferente

André Puccinelli chega, portanto, a 2026 carregando praticamente todas as experiências possíveis na política estadual.

Já foi secretário.

Foi deputado estadual.

Foi deputado federal.

Governou Campo Grande durante oito anos.

Governou Mato Grosso do Sul durante outros oito.

Passou por investigações, prisões, processos e posteriormente obteve absolvições e decisões judiciais favoráveis em ações que permaneceram durante anos associadas ao seu nome.

Também experimentou derrotas e mudanças profundas no tabuleiro político estadual.

Agora busca novamente o lugar onde esteve há mais de três décadas.

Aos 78 anos, André Puccinelli tenta transformar experiência, lembrança administrativa e um sobrenome conhecido em todo Mato Grosso do Sul em votos suficientes não apenas para retornar à Assembleia Legislativa, mas para voltar ao Parlamento estadual com uma votação de peso.

Se conseguir, será mais um capítulo de uma carreira política iniciada ainda nos anos 1980 e que, quatro décadas depois, continua presente no centro das eleições de Mato Grosso do Sul.