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Após abrir 3 a 0, Jerson tem julgamento da candidatura adiado para terça-feira no TRE-MS

Julgamento da candidatura foi suspenso após pedido de vista e será retomado em 8 de setembro no Tribunal Regional Eleitoral.

Depois de décadas entre os principais personagens da política e dos órgãos de controle de Mato Grosso do Sul, Jerson Domingos (União Brasil) tenta escrever mais um capítulo de sua trajetória: voltar à Assembleia Legislativa como deputado estadual.

Mas antes das urnas, o ex-parlamentar precisa vencer uma batalha na Justiça Eleitoral.

E, até agora, está na frente.

O julgamento da impugnação de sua candidatura no Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul (TRE-MS) foi interrompido com três votos favoráveis a Jerson e nenhum contrário.

O desembargador Luiz Tadeu Barbosa Silva, relator do processo, votou pela improcedência da ação de impugnação apresentada contra o candidato.

Na sequência, Flávio Saad Peron e Carlos Alberto Garcete acompanharam integralmente o relator.

O placar, portanto, chegou a 3 a 0 pelo deferimento da candidatura.

A definição, contudo, terá de esperar.

Fernando Nardon Nielsen pediu vista, interrompendo o julgamento. A análise deverá ser retomada na próxima terça-feira, 8 de setembro.

Ainda restam votos no colegiado, inclusive do presidente da Corte, desembargador Carlos Eduardo Contar.

Relator: Jerson não foi condenado

O principal ponto do voto de Luiz Tadeu foi a ausência, até o momento, de uma condenação criminal contra Jerson que sustentasse a pretensão de retirá-lo da disputa eleitoral.

O Ministério Público Eleitoral tenta impedir a candidatura citando duas ações penais relacionadas à Operação Omertà.

Segundo a acusação, Jerson teria integrado organização criminosa armada, além de responder por imputações envolvendo porte de arma e suposta atuação estratégica dentro do grupo investigado.

Jerson é cunhado de Jamil Name, apontado pelas investigações como líder de organização criminosa e que morreu após complicações da Covid-19, e tio de Jamil Name Filho.

A existência dos processos também aparece em documentos levados ao CNJ, que registram que Jerson foi denunciado e responde a ação que tramita no Superior Tribunal de Justiça. 

Luiz Tadeu destacou que Jerson não possui condenação nesses processos e que não haveria, segundo seu voto, provas robustas ou indícios suficientes que demonstrassem sua vinculação a uma organização criminosa armada ou paramilitar.

Foi com esse fundamento que votou pela manutenção do ex-conselheiro na eleição.

Armas também entraram no julgamento

Outro ponto explorado pelo Ministério Público diz respeito às armas apreendidas em poder de Jerson.

O relator, porém, minimizou o peso desse elemento para fins eleitorais.

Segundo o material da sessão, Luiz Tadeu ressaltou que se tratava de espingardas e revólveres de baixo calibre, objetos que classificou como comuns em propriedades rurais de Mato Grosso do Sul.

Também recordou que, em uma das frentes criminais envolvendo o suposto plano para matar autoridades, decisão da 1ª Vara Criminal não resultou na condenação dos acusados apontada pelo MPE como sustentação para barrar o registro.

A conclusão do relator foi direta: não haveria fundamento jurídico suficiente, no estágio atual, para impedir Jerson de ser candidato.

Relator fez diferença entre Jerson e Jamilson

Um dos momentos mais relevantes do voto ocorreu quando Luiz Tadeu separou expressamente a situação jurídica de Jerson daquela enfrentada pelo deputado Jamilson Name.

Segundo o relato da sessão, o desembargador afirmou:

“Não há motivação jurídica lógica para não se deferir a candidatura de Jerson Domingos, diferentemente de Jamilson Name.”

A diferença é importante porque os dois processos chegaram ao TRE-MS em meio a acusações relacionadas à Operação Omertà, mas possuem situações processuais distintas.

Jamilson já foi condenado em primeira instância a oito anos de prisão por organização criminosa e lavagem de dinheiro, enquanto, conforme ressaltou o relator, Jerson ainda não possui condenação nas ações utilizadas pelo MPE para tentar barrá-lo. A existência da condenação de Jamilson e da impugnação das duas candidaturas também consta da documentação judicial anteriormente analisada pelo O Contribuinte.

É justamente essa distinção que, até aqui, produziu resultados diferentes no tribunal.

Uma tentativa de voltar para onde começou

A candidatura também chama atenção pela própria trajetória de Jerson.

Antes de chegar ao Tribunal de Contas, ele construiu boa parte de sua carreira na política partidária.

Foi deputado estadual e presidiu a Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul em duas oportunidades, tornando-se durante anos um dos nomes de maior influência no Legislativo estadual.

Depois, deixou o Parlamento para assumir uma cadeira no Tribunal de Contas do Estado.

No TCE-MS, voltou a ocupar posição de destaque e chegou também à presidência da Corte de Contas. 

Ele permaneceu no órgão até sua aposentadoria.

Agora, aos 75 anos, tenta fazer o caminho inverso: sair da aposentadoria institucional para retornar ao voto popular e buscar novamente uma cadeira exatamente na Assembleia que já comandou.

É uma volta à origem política.

Pedido de vista impede vitória antecipada

Apesar da vantagem confortável, ainda não existe decisão final.

Fernando Nardon Nielsen decidiu pedir vista e analisar melhor o processo antes de apresentar seu voto.

O julgamento foi suspenso.

Portanto, assim como no caso de Jamilson, é preciso evitar confundir placar parcial com candidatura definitivamente deferida.

No caso de Jerson, porém, o cenário até aqui é mais favorável.

São três votos pela manutenção da candidatura e nenhum pela impugnação.

Na terça-feira, dia 8, o TRE-MS volta ao caso.

E a decisão terá um peso que vai além de um simples registro eleitoral.

Depois de comandar a Assembleia, passar pelo Tribunal de Contas e se aposentar da Corte, Jerson Domingos tenta, aos 75 anos, voltar ao lugar onde construiu uma das fases mais importantes de sua vida pública.

Por enquanto, a Justiça Eleitoral está deixando o caminho aberto.

O placar é 3 a 0. A palavra final, porém, ainda não foi dada.