(67) 9 9689-6297 | ocontribuintebr@gmail.com

URGENTE: Mendonça homologa delação de operador de Vorcaro que relata propina a políticos e vídeos de dinheiro vivo

Antônio Carlos Freixo Júnior, o “Mineiro”, apontado como operador financeiro de Daniel Vorcaro, relatou supostos pagamentos a políticos e afirmou possuir vídeos de entregas de dinheiro; colaboração também detalha mais de US$ 12 milhões destinados a fundo americano ligado ao financiamento de “Dark Horse”.

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), homologou nesta quarta-feira, 9 de setembro de 2026, o acordo de colaboração premiada de Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como “Mineiro”, apontado nas informações do caso como operador financeiro ligado ao banqueiro Daniel Vorcaro.

A homologação abre uma nova e potencialmente explosiva frente dentro das investigações relacionadas ao Banco Master.

Segundo as informações apresentadas, Mineiro afirmou ter realizado operações financeiras a mando de Vorcaro e forneceu aos investigadores detalhes sobre movimentações milionárias, supostos pagamentos de propina e entregas de dinheiro em espécie.

Há ainda outro elemento que pode ganhar importância nas próximas etapas da investigação: o colaborador teria afirmado possuir vídeos de entregas de dinheiro vivo.

Os nomes dos políticos supostamente mencionados permanecem sob sigilo.

Mais de US$ 12 milhões

Um dos capítulos da colaboração envolve operações internacionais.

Segundo o relato atribuído a Mineiro, mais de US$ 12 milhões teriam sido enviados para um fundo nos Estados Unidos relacionado ao financiamento de “Dark Horse”, produção cinematográfica sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.

O colaborador teria detalhado como essas operações financeiras foram realizadas e atribuído a Daniel Vorcaro a determinação para executá-las.

A existência das movimentações e sua finalidade deverão ser objeto de confrontação com documentos bancários, registros financeiros e outros elementos reunidos pela investigação.

A homologação de uma colaboração não significa que todas as declarações do delator foram consideradas verdadeiras pelo STF. As informações precisam ser corroboradas por provas independentes.

Delator fala em suposta propina a políticos

A parte politicamente mais sensível da colaboração, entretanto, vai além das operações internacionais.

Mineiro teria relatado supostos pagamentos de propina envolvendo políticos.

Até o momento, os nomes citados não foram tornados públicos.

Por isso, não é possível atribuir responsabilidade a qualquer autoridade ou parlamentar com base apenas nas informações conhecidas nesta quarta-feira.

O que existe agora é uma nova linha investigativa que poderá ser confrontada com movimentações financeiras, mensagens, documentos, registros de encontros e outros elementos.

E há supostos vídeos

Outro ponto aumenta a expectativa em torno da colaboração.

Segundo as informações divulgadas sobre o acordo, Mineiro afirmou possuir registros em vídeo de entregas de dinheiro vivo.

Caso esse material exista e seja entregue às autoridades, será necessário verificar sua autenticidade, identificar as pessoas retratadas, estabelecer datas, locais, valores e circunstâncias e determinar se as imagens confirmam ou não os relatos apresentados pelo colaborador.

Ou seja: o vídeo, sozinho, também precisará ser contextualizado.

Mas sua eventual existência pode fornecer aos investigadores uma ferramenta objetiva para tentar confirmar partes da narrativa apresentada na delação.

O que significa Mendonça homologar uma delação?

Esse ponto precisa ficar claro.

Ao homologar uma colaboração premiada, André Mendonça não está declarando que todas as acusações feitas por Mineiro são verdadeiras.

A homologação representa o controle judicial sobre a regularidade, legalidade e voluntariedade do acordo, permitindo que a colaboração passe a produzir seus efeitos jurídicos nos termos definidos.

Depois vem uma etapa fundamental: corroboração.

Os investigadores terão de verificar se aquilo que foi contado pelo colaborador encontra sustentação em provas externas.

Isso é especialmente importante quando aparecem acusações contra pessoas que ainda não tiveram seus nomes revelados.

Caso Master ganha mais uma frente

A homologação acontece justamente no dia em que o STF atravessa uma das maiores turbulências institucionais dos últimos anos.

Nesta quarta-feira (9), o presidente Edson Fachin interveio no conflito entre André Mendonça e Flávio Dino envolvendo a cúpula da Polícia Federal.

Fachin criticou as “decisões monocráticas sucessivas com comandos normativos incompatíveis entre si” e afirmou ser grave que decisões de ministros sejam “desafiadas horizontalmente”.

Também nesta quarta, Fachin retirou de Alexandre de Moraes a condução do Inquérito das Fake News, encerrando a delegação iniciada em março de 2019.

Paralelamente, a Corte se prepara para enfrentar os desdobramentos do material produzido pela Polícia Federal envolvendo Daniel Vorcaro e autoridades citadas nas investigações.

É nesse ambiente que surge agora uma colaboração premiada que pode expandir ainda mais o alcance político do caso.

De mensagens a dinheiro vivo

Até aqui, uma parcela importante da crise do Master esteve concentrada em mensagens, contatos, reuniões, contratos e referências a autoridades encontradas nos materiais analisados pela Polícia Federal.

A colaboração de Mineiro pode acrescentar outra dimensão.

Segundo seu relato, não se trataria apenas de conversas.

O colaborador fala em operações financeiras, valores milionários remetidos ao exterior, supostos pagamentos a políticos e possíveis registros audiovisuais de entregas de dinheiro.

Agora será necessário saber o que ele consegue provar.

Porque uma delação pode indicar caminhos, personagens e possíveis crimes. Mas, no processo penal, a palavra do colaborador não basta sozinha para condenar alguém.

Nomes permanecem guardados

Por enquanto, talvez o maior mistério esteja justamente naquilo que ainda não foi divulgado.

Quem são os políticos citados por Mineiro?

Quais valores teriam sido pagos?

Em quais datas?

Qual seria a contrapartida?

Quem aparece nos supostos vídeos?

E os registros mencionados pelo colaborador realmente confirmam sua versão?

Essas respostas ainda dependem do avanço das investigações e da eventual retirada do sigilo sobre partes da colaboração.

O fato novo desta quarta-feira (9) é que o acordo passou pelo controle judicial e foi homologado por André Mendonça.

A partir daí, uma nova etapa começa.

E, se as declarações de Mineiro forem corroboradas por documentos, movimentações financeiras e pelos vídeos que afirma possuir, o caso Master poderá abrir uma frente política muito maior do que aquela conhecida até agora.