Presidente Edson Fachin marcou análise para 15 de setembro, às 10h; ministros deverão enfrentar os elementos reunidos pela Polícia Federal sobre Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes e decidir os próximos passos do caso.
O Supremo Tribunal Federal terá uma data decisiva para o futuro do ministro Alexandre de Moraes em meio à crise envolvendo o Banco Master.
O presidente da Corte, Edson Fachin, marcou para 15 de setembro de 2026, às 10h, a análise relacionada ao relatório produzido pela Polícia Federal sobre as relações e contatos envolvendo Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes.
A discussão deverá definir os próximos passos institucionais diante dos elementos levados ao Supremo e da possibilidade de investigação relacionada ao ministro.
A movimentação acontece no mesmo dia em que Fachin adotou uma sequência de decisões para tentar reorganizar uma crise que passou a atingir simultaneamente Moraes, André Mendonça, Flávio Dino e a cúpula da Polícia Federal.
Relatório tem 218 páginas
O documento que está no centro da controvérsia é a Informação de Polícia Judiciária de Análise nº 3298613/2026, produzida pela Polícia Federal em 27 de agosto de 2026.
São 218 páginas de análise de materiais relacionados ao telefone celular apreendido de Daniel Vorcaro.
O documento foi produzido pela PF e destinado ao ministro André Mendonça, conforme consta de sua própria identificação.
A análise policial encontrou, entre outros elementos, mensagens e notas relacionadas a diferentes autoridades.
Em determinado trecho, o relatório registra que Vorcaro enviou notas por WhatsApp para um terminal cujo contato estava atribuído no aparelho a “Alexandre de Moraes BRASILIA”.
Esse é um dado do relatório policial. A atribuição do contato no aparelho, isoladamente, não equivale a uma conclusão judicial sobre autoria ou eventual irregularidade.
Vorcaro mencionou “Andrei” e “Paulo”
O mesmo documento também alcançou personagens que posteriormente entrariam no centro da crise institucional.
Em uma nota modificada em 30 de outubro de 2025, Vorcaro escreveu que seria:
“importante reforçar com Andrei e Paulo pra nao deixar ninguem de baixo fazer uma sacanagem”.
A própria Polícia Federal registrou que os termos “podem indicar” referências a Andrei Passos, diretor-geral da PF, e Paulo Gonet, procurador-geral da República.
A ressalva é importante: o relatório trabalha nesse trecho com uma hipótese de identificação, e não com uma conclusão definitiva.
Caso desencadeou confronto dentro do STF
O material analisado pela Polícia Federal ajudou a alimentar uma sucessão de decisões que levou o Supremo a uma situação incomum.
André Mendonça adotou medidas contra a cúpula da PF.
O caso foi submetido à Segunda Turma.
Depois, Flávio Dino proferiu uma decisão em outro procedimento determinando a reintegração de Andrei Rodrigues e Leandro Almada.
Nesta quarta-feira (9), Fachin precisou intervir.
O presidente suspendeu os comandos conflitantes e fez uma crítica direta à situação instalada dentro da própria Corte:
“O afastamento das autoridades policiais que ora se examina encadeou decisões monocráticas sucessivas com comandos normativos incompatíveis entre si.”
E acrescentou:
“É grave o quadro em que decisões de Ministros passam a ser desafiadas horizontalmente.”
Agora, caso envolvendo Moraes ganha data
Enquanto tenta reorganizar o conflito sobre a Polícia Federal, Fachin também encaminha a discussão envolvendo Alexandre de Moraes.
A análise marcada para segunda-feira, 15 de setembro, às 10h, coloca uma data concreta para que a Corte enfrente institucionalmente o material que desencadeou parte da crise.
O ponto central será definir qual tratamento jurídico deverá ser dado aos elementos reunidos pela Polícia Federal e se existe fundamento para abertura ou prosseguimento de investigação envolvendo Moraes.
Isso não significa que Alexandre de Moraes já tenha sido considerado responsável por qualquer crime.
Também não significa que o relatório da PF represente prova definitiva das suspeitas levantadas.
É justamente a avaliação institucional desses elementos que entra agora em nova etapa.
Fachin também tirou Inquérito das Fake News de Moraes
A decisão ganha ainda mais peso porque foi anunciada no mesmo dia em que Fachin retirou de Moraes a condução do Inquérito 4.781, o Inquérito das Fake News.
Por meio da Portaria nº 189, de 9 de setembro, Fachin revogou a delegação concedida a Moraes em março de 2019.
Os inquéritos, petições e demais procedimentos de investigação preliminar distribuídos por prevenção ao Inquérito 4.781 deverão retornar à Presidência do STF.
As ações penais já instauradas e com denúncia recebida, entretanto, permanecem com Moraes.
Portanto, em questão de horas, duas movimentações relevantes atingiram diretamente a posição do ministro dentro da Corte:
Moraes perdeu a delegação para conduzir as investigações preliminares vinculadas ao Inquérito das Fake News e passou a ter uma data definida para a análise institucional dos elementos da PF relacionados ao caso Vorcaro.
15 de setembro vira data-chave
A próxima segunda-feira passa, assim, a ser uma das datas mais importantes da atual crise do Supremo.
O julgamento ocorrerá depois de uma semana em que:
Mendonça atingiu a cúpula da PF;
Dino tentou reverter o afastamento;
Fachin suspendeu os comandos conflitantes;
Andrei recebeu prazo de 48 horas para prestar informações;
Moraes perdeu a condução do Inquérito das Fake News;
e o presidente do STF decidiu encaminhar ao colegiado a discussão envolvendo o relatório policial.
Agora, a crise que vinha sendo travada por meio de decisões individuais e processos paralelos terá uma nova etapa.
No dia 15 de setembro, às 10h, os ministros terão diante de si uma questão que já ultrapassou os bastidores do Tribunal:
o que fazer com os elementos reunidos pela própria Polícia Federal envolvendo um integrante do Supremo e Daniel Vorcaro?
E, principalmente, há elementos jurídicos suficientes para justificar uma investigação contra Alexandre de Moraes?
Essa resposta deverá começar a ser construída no STF na próxima segunda-feira.