Antônio Carlos Freixo Júnior, o “Mineiro”, apontado como operador financeiro de Daniel Vorcaro, relatou supostos pagamentos a políticos e afirmou possuir vídeos de entregas de dinheiro; colaboração também detalha mais de US$ 12 milhões destinados a fundo americano ligado ao financiamento de “Dark Horse”.
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), homologou nesta quarta-feira, 9 de setembro de 2026, o acordo de colaboração premiada de Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como “Mineiro”, apontado nas informações do caso como operador financeiro ligado ao banqueiro Daniel Vorcaro.
A homologação abre uma nova e potencialmente explosiva frente dentro das investigações relacionadas ao Banco Master.
Segundo as informações apresentadas, Mineiro afirmou ter realizado operações financeiras a mando de Vorcaro e forneceu aos investigadores detalhes sobre movimentações milionárias, supostos pagamentos de propina e entregas de dinheiro em espécie.
Há ainda outro elemento que pode ganhar importância nas próximas etapas da investigação: o colaborador teria afirmado possuir vídeos de entregas de dinheiro vivo.
Os nomes dos políticos supostamente mencionados permanecem sob sigilo.
Mais de US$ 12 milhões
Um dos capítulos da colaboração envolve operações internacionais.
Segundo o relato atribuído a Mineiro, mais de US$ 12 milhões teriam sido enviados para um fundo nos Estados Unidos relacionado ao financiamento de “Dark Horse”, produção cinematográfica sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
O colaborador teria detalhado como essas operações financeiras foram realizadas e atribuído a Daniel Vorcaro a determinação para executá-las.
A existência das movimentações e sua finalidade deverão ser objeto de confrontação com documentos bancários, registros financeiros e outros elementos reunidos pela investigação.
A homologação de uma colaboração não significa que todas as declarações do delator foram consideradas verdadeiras pelo STF. As informações precisam ser corroboradas por provas independentes.
Delator fala em suposta propina a políticos
A parte politicamente mais sensível da colaboração, entretanto, vai além das operações internacionais.
Mineiro teria relatado supostos pagamentos de propina envolvendo políticos.
Até o momento, os nomes citados não foram tornados públicos.
Por isso, não é possível atribuir responsabilidade a qualquer autoridade ou parlamentar com base apenas nas informações conhecidas nesta quarta-feira.
O que existe agora é uma nova linha investigativa que poderá ser confrontada com movimentações financeiras, mensagens, documentos, registros de encontros e outros elementos.
E há supostos vídeos
Outro ponto aumenta a expectativa em torno da colaboração.
Segundo as informações divulgadas sobre o acordo, Mineiro afirmou possuir registros em vídeo de entregas de dinheiro vivo.
Caso esse material exista e seja entregue às autoridades, será necessário verificar sua autenticidade, identificar as pessoas retratadas, estabelecer datas, locais, valores e circunstâncias e determinar se as imagens confirmam ou não os relatos apresentados pelo colaborador.
Ou seja: o vídeo, sozinho, também precisará ser contextualizado.
Mas sua eventual existência pode fornecer aos investigadores uma ferramenta objetiva para tentar confirmar partes da narrativa apresentada na delação.
O que significa Mendonça homologar uma delação?
Esse ponto precisa ficar claro.
Ao homologar uma colaboração premiada, André Mendonça não está declarando que todas as acusações feitas por Mineiro são verdadeiras.
A homologação representa o controle judicial sobre a regularidade, legalidade e voluntariedade do acordo, permitindo que a colaboração passe a produzir seus efeitos jurídicos nos termos definidos.
Depois vem uma etapa fundamental: corroboração.
Os investigadores terão de verificar se aquilo que foi contado pelo colaborador encontra sustentação em provas externas.
Isso é especialmente importante quando aparecem acusações contra pessoas que ainda não tiveram seus nomes revelados.
Caso Master ganha mais uma frente
A homologação acontece justamente no dia em que o STF atravessa uma das maiores turbulências institucionais dos últimos anos.
Nesta quarta-feira (9), o presidente Edson Fachin interveio no conflito entre André Mendonça e Flávio Dino envolvendo a cúpula da Polícia Federal.
Fachin criticou as “decisões monocráticas sucessivas com comandos normativos incompatíveis entre si” e afirmou ser grave que decisões de ministros sejam “desafiadas horizontalmente”.
Também nesta quarta, Fachin retirou de Alexandre de Moraes a condução do Inquérito das Fake News, encerrando a delegação iniciada em março de 2019.
Paralelamente, a Corte se prepara para enfrentar os desdobramentos do material produzido pela Polícia Federal envolvendo Daniel Vorcaro e autoridades citadas nas investigações.
É nesse ambiente que surge agora uma colaboração premiada que pode expandir ainda mais o alcance político do caso.
De mensagens a dinheiro vivo
Até aqui, uma parcela importante da crise do Master esteve concentrada em mensagens, contatos, reuniões, contratos e referências a autoridades encontradas nos materiais analisados pela Polícia Federal.
A colaboração de Mineiro pode acrescentar outra dimensão.
Segundo seu relato, não se trataria apenas de conversas.
O colaborador fala em operações financeiras, valores milionários remetidos ao exterior, supostos pagamentos a políticos e possíveis registros audiovisuais de entregas de dinheiro.
Agora será necessário saber o que ele consegue provar.
Porque uma delação pode indicar caminhos, personagens e possíveis crimes. Mas, no processo penal, a palavra do colaborador não basta sozinha para condenar alguém.
Nomes permanecem guardados
Por enquanto, talvez o maior mistério esteja justamente naquilo que ainda não foi divulgado.
Quem são os políticos citados por Mineiro?
Quais valores teriam sido pagos?
Em quais datas?
Qual seria a contrapartida?
Quem aparece nos supostos vídeos?
E os registros mencionados pelo colaborador realmente confirmam sua versão?
Essas respostas ainda dependem do avanço das investigações e da eventual retirada do sigilo sobre partes da colaboração.
O fato novo desta quarta-feira (9) é que o acordo passou pelo controle judicial e foi homologado por André Mendonça.
A partir daí, uma nova etapa começa.
E, se as declarações de Mineiro forem corroboradas por documentos, movimentações financeiras e pelos vídeos que afirma possuir, o caso Master poderá abrir uma frente política muito maior do que aquela conhecida até agora.