Presidente do Instituto Artigo Quinto já havia recorrido à Justiça em busca de documentos e informações financeiras da instituição; nesta sexta-feira (11), acompanha no local os desdobramentos da operação que cumpre seis prisões e 36 buscas.
O advogado Oswaldo Meza Batista, o Dr. Meza, acompanha pessoalmente nesta sexta-feira (11), na Santa Casa de Campo Grande, os desdobramentos da Operação Antidotum, deflagrada pelo Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc) para investigar possíveis fraudes e desvios milionários envolvendo contratos da instituição e da operadora Santa Casa Saúde.
A presença de Meza no local ocorre depois de o advogado ter levado à Justiça questionamentos relacionados justamente às contas, contratos, transparência e administração da Santa Casa.
Presidente do Instituto Artigo Quinto (IA5º), Meza participou da apresentação de uma ação de produção antecipada de provas destinada a obter documentos e informações da instituição para subsidiar eventual ação civil pública.
Nesta sexta-feira, ele acompanha in loco a movimentação das equipes e os desdobramentos da investigação.
Ao O Contribuinte, Meza classificou os fatos revelados pela investigação como “muito graves” e afirmou que o avanço das apurações não representa surpresa diante dos questionamentos que já vinham sendo levantados sobre a administração do hospital.
O advogado defende que os contratos sejam investigados em profundidade e que as responsabilidades eventualmente identificadas sejam individualizadas.
Meza já havia recorrido à Justiça por documentos
A atuação de Oswaldo Meza envolvendo a Santa Casa começou antes da operação desta sexta-feira.
Por meio do Instituto Artigo Quinto, foi apresentado à Justiça pedido de produção antecipada de provas relacionado à administração da Associação Beneficente Santa Casa de Campo Grande.
A iniciativa busca acesso a documentos e informações para esclarecer questões envolvendo as contas da instituição, governança, contratos e possíveis conflitos de interesse.
O objetivo declarado é reunir elementos documentais que possam subsidiar uma futura ação civil pública, caso sejam identificados elementos suficientes.
Ou seja, enquanto nesta sexta-feira investigadores recolhem documentos em setores estratégicos do hospital, Meza já havia recorrido ao Judiciário anteriormente buscando acesso a informações relacionadas à administração da instituição.
Gecoc recolheu documentos da presidência
A Operação Antidotum cumpriu seis mandados de prisão preventiva e 36 mandados de busca e apreensão em Campo Grande, Dourados e Goiânia (GO).
Na Santa Casa, as diligências alcançaram setores estratégicos. Equipes recolheram documentos da presidência, do financeiro e do faturamento.
A instituição é atualmente presidida por Alir Terra Lima.
Alir não estava no hospital durante as diligências realizadas pela manhã. Até o momento, o Gecoc não divulgou a identidade dos seis alvos das prisões nem informou oficialmente se a presidente está entre os investigados.
O Portal O Contribuinte continua apurando quem são os seis alvos e atualizará as informações assim que houver confirmação oficial.
Contrato de R$ 5,4 milhões está sob investigação
Uma das frentes da Antidotum envolve contrato para digitalização de prontuários firmado pela Associação Beneficente Santa Casa de Campo Grande.
O acordo previa pagamentos de R$ 1,8 milhão por ano durante três anos, totalizando R$ 5,4 milhões.
Segundo o Gecoc, teriam ocorrido pagamentos elevados sem a correspondente prestação dos serviços. Somente no primeiro ano, o suposto desvio identificado alcançaria R$ 1,4 milhão.
A investigação também avançou sobre a Santa Casa Saúde, operadora controlada pela associação.
Segundo o Gecoc, diferentes empresas pertencentes ao mesmo grupo econômico receberam aproximadamente R$ 9,6 milhões somente em 2025.
Os investigadores estimam, até agora, prejuízo mínimo de R$ 3,5 milhões nessa frente da apuração.
O órgão também informou que o proprietário das empresas mantinha ligações com a diretoria da Santa Casa e que elas estavam registradas em um mesmo endereço, onde, segundo a investigação, o imóvel encontrava-se desocupado.
Contratos e contas estão no centro das cobranças
Outro ponto divulgado pelo Gecoc aproxima a operação dos questionamentos sobre transparência que já vinham sendo feitos.
Segundo a investigação, contratos, pagamentos e prestações de contas teriam sido sistematicamente sonegados dos órgãos de controle, incluindo o Conselho Fiscal da Santa Casa e a Controladoria-Geral do Estado.
É justamente a documentação relacionada à administração da entidade que Meza vinha buscando judicialmente.
Para o advogado, a operação reforça a necessidade de aprofundar a análise dos contratos e identificar quem participou da contratação, autorização dos pagamentos e prestação de contas dos recursos.
De Consórcio Guaicurus à Santa Casa
Oswaldo Meza também esteve envolvido em outra disputa judicial de grande repercussão em Campo Grande.
O advogado foi um dos autores da ação que questionou judicialmente o Consórcio Guaicurus, responsável pelo transporte coletivo da Capital, em meio a anos de reclamações da população sobre o serviço.
A atuação resultou em decisão judicial contra o modelo então questionado pelo instituto, episódio que projetou a atuação do IA5º na fiscalização de contratos e serviços de interesse público.
Agora, Meza direciona parte dessa atuação para a Santa Casa, instituição que recebe recursos públicos e presta atendimento essencial a milhares de sul-mato-grossenses.
Meza também disputa eleição em 2026
Oswaldo Meza é candidato a deputado estadual nas eleições de 2026.
A condição eleitoral, entretanto, não começou com a operação desta sexta-feira. Os questionamentos apresentados pelo Instituto Artigo Quinto sobre a Santa Casa já estavam formalizados judicialmente antes da deflagração da Antidotum.
Nesta sexta, Meza permanece acompanhando pessoalmente a movimentação na instituição e afirma que continuará buscando informações sobre os contratos investigados e os documentos apreendidos.
O Contribuinte acompanha operação em tempo real
A Operação Antidotum ocorre no momento mais delicado da história recente da Santa Casa, que enfrenta atrasos, saída de profissionais, falta de insumos e uma disputa por novos aportes públicos.
Agora, a investigação do Gecoc acrescenta suspeitas de desvios milionários ao cenário.
Os nomes dos seis alvos dos mandados de prisão preventiva ainda não foram oficialmente divulgados. Também não há confirmação, até o momento, de que Alir Terra Lima esteja entre eles.
O Portal O Contribuinte acompanha os desdobramentos da operação e apura a identidade dos presos, das empresas investigadas e dos responsáveis pelos contratos. As novas informações serão publicadas assim que forem confirmadas.