Paulo Duarte Cruz é ligado à Duarte & Cruz Soluções, que se apresentava como corretora exclusiva do Plano Santa Casa Saúde; Beatriz Lemes da Silva comandava a direção executiva da operadora.
Operação Antidotum atingiu diretamente nomes ligados à estrutura do Plano Santa Casa Saúde nesta sexta-feira (11). Paulo da Cruz Duarte, advogado ligado à Duarte & Cruz, foi alvo de diligências de busca e apreensão, enquanto Beatriz Lemes da Silva, diretora-executiva do Plano Santa Casa Saúde, está entre os presos preventivamente.
A informação sobre Paulo é uma correção em relação à primeira versão desta reportagem. Inicialmente, O Contribuinte informou que o advogado estaria entre os presos. Paulo da Cruz Duarte não foi preso.
Em manifestação encaminhada ao portal, sua defesa informou que, na decisão judicial e nos documentos aos quais teve acesso até o momento, não consta decretação de prisão preventiva nem mandado de prisão contra o advogado.
Segundo a defesa, foram cumpridas medidas de busca e apreensão de documentos no escritório de advocacia e na sede da Santa Cruz Saúde.
Já Beatriz Lemes da Silva, diretora-executiva do Plano Santa Casa Saúde, permanece entre os nomes apontados como presos preventivamente no âmbito da operação.
Corretora se apresentava como exclusiva do plano
No caso de Paulo da Cruz Duarte, existe uma relação comercial pública com a estrutura de comercialização do plano.
A Duarte & Cruz se apresentava em suas próprias redes sociais como “Corretora exclusiva do Plano Santa Casa Saúde”, além de divulgar canais de atendimento e conteúdos relacionados à comercialização do produto.
A relação ganhou relevância com a Operação Antidotum porque uma das frentes da investigação alcança justamente negócios envolvendo a Santa Casa Saúde.
A realização das buscas, entretanto, não permite concluir que Paulo tenha praticado qualquer irregularidade. Também não significa que a Duarte & Cruz esteja entre as empresas cujos contratos são apontados como irregulares pelos investigadores.
Beatriz Lemes comandava direção executiva
A prisão preventiva de Beatriz Lemes da Silva alcança diretamente a estrutura executiva do plano.
Beatriz ocupava o cargo de diretora-executiva do Plano Santa Casa Saúde, operadora que aparece em uma das frentes investigadas pelo Gecoc.
Segundo as informações divulgadas sobre a Antidotum, foram identificadas supostas irregularidades em contratos celebrados pela operadora com diversas empresas pertencentes a um mesmo grupo econômico.
Os investigadores afirmam que o proprietário dessas empresas possuía ligações com a diretoria da Santa Casa.
As empresas também estariam registradas em um mesmo endereço, mas, segundo a investigação, o imóvel encontrava-se desocupado.
Santa Casa Saúde pagou R$ 9,6 milhões
Somente durante 2025, aproximadamente R$ 9,6 milhões teriam sido pagos pela Santa Casa Saúde às empresas investigadas.
O prejuízo mínimo identificado nessa frente até o momento seria de aproximadamente R$ 3,5 milhões.
A investigação também aponta que contratos, pagamentos e prestações de contas teriam sido sistematicamente sonegados dos órgãos de controle, incluindo o Conselho Fiscal da Santa Casa e a Controladoria-Geral do Estado.
A Antidotum também investiga um contrato de digitalização de prontuários médicos no valor de R$ 1,8 milhão por ano, durante três anos, totalizando R$ 5,4 milhões. Segundo a investigação, somente no primeiro ano o suposto prejuízo teria alcançado R$ 1,4 milhão.
Paulo foi alvo de buscas, não de prisão
A defesa de Paulo da Cruz Duarte procurou O Contribuinte após a publicação das primeiras informações e esclareceu a situação jurídica do advogado.
Segundo a manifestação, busca e apreensão, decretação de prisão e efetivo cumprimento de prisão são medidas distintas.
A defesa confirma o cumprimento das buscas no escritório de advocacia e na sede da Santa Cruz Saúde, mas afirma que Paulo não teve prisão preventiva decretada nem foi preso.