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Justiça mantém prisão de presidente e diretores por desvio de R$ 4,9 milhões na Santa Casa

Alir Terra, Alessandro Junqueira, Paulo Guilherme Mariosa, Rinaldo Romano, Monique Gregório e Maurício Benites seguem presos preventivamente após audiência de custódia.

A Justiça manteve neste sábado (12) as prisões preventivas dos seis alvos da Operação Antidotum, que investiga um suposto esquema de fraudes e desvios envolvendo a Santa Casa de Campo Grande e a operadora Santa Casa Saúde.

Continuam presos Alir Terra Lima, presidente da Santa Casa; Alessandro Dias Junqueira, diretor administrativo; Paulo Guilherme Gutierrez Mariosa, diretor-adjunto de Finanças; Rinaldo Hakme Romano, ex-diretor de Finanças; Monique Gregório, funcionária do setor de prontuários; e o empresário Maurício Benites.

Todos passaram por audiência de custódia na manhã deste sábado, mas as prisões preventivas foram mantidas.

Maurício aparece como proprietário da Redvalue Tecnologia, Administração e Serviços Ltda, de Goiânia (GO), e também ligado à Exbe Tecnologia e Serviços, onde se apresenta como CEO.

Prejuízo de R$ 4,9 milhões

A investigação aponta duas frentes principais de possíveis desvios.

Uma delas envolve contrato firmado pela Associação Beneficente Santa Casa de Campo Grande para a digitalização de prontuários médicos.

O acordo previa pagamento de R$ 1,8 milhão por ano, com duração de três anos, alcançando valor total de R$ 5,4 milhões.

Segundo a investigação, os serviços não teriam sido devidamente prestados e, apenas no primeiro ano de vigência, o suposto desvio teria alcançado R$ 1,4 milhão.

A segunda frente envolve a Santa Casa Saúde.

Plano pagou R$ 9,6 milhões a empresas investigadas

Os investigadores identificaram supostas irregularidades em contratos celebrados pela operadora Santa Casa Saúde com diversas empresas pertencentes ao mesmo grupo econômico.

Segundo a apuração, o proprietário dessas empresas possuía ligações com a diretoria da Santa Casa.

As empresas também estavam registradas no mesmo endereço. Ao verificar o local, porém, os investigadores encontraram o imóvel desocupado.

Somente em 2025, a Santa Casa Saúde teria pago aproximadamente R$ 9,6 milhões a essas empresas.

O prejuízo mínimo apurado nessa frente seria de R$ 3,5 milhões.

Somados aos R$ 1,4 milhão apontados no contrato de digitalização de prontuários, os valores chegam a R$ 4,9 milhões em supostos prejuízos.

Primeira operação contra corrupção atinge maior hospital do Estado

A Operação Antidotum representa um episódio sem precedentes na história recente da Santa Casa de Campo Grande.

É a primeira vez que o maior hospital de Mato Grosso do Sul é alvo de uma operação dessa dimensão voltada ao combate à corrupção.

E o momento chama ainda mais atenção.

A investigação ocorre justamente quando a Santa Casa enfrenta uma das maiores crises financeiras de sua história, com fechamento e suspensão de serviços, falta de recursos e judicialização de cobranças.

Nos últimos meses, a instituição vinha alegando dificuldades para manter serviços essenciais e cobrando novos aportes públicos.

Agora, ao mesmo tempo em que afirma enfrentar falta de recursos, a administração passa a ser alvo de uma investigação que aponta milhões de reais em possíveis desvios.

Prisões seguem preventivas

As prisões mantidas neste sábado são cautelares e não representam condenação.

As defesas dos investigados ainda podem apresentar pedidos de revogação, habeas corpus ou outras medidas judiciais.

O caso segue sob investigação, e o prejuízo total causado à Santa Casa ainda pode aumentar à medida que novos contratos, pagamentos e documentos forem analisados.