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Fachin rejeita mudança e mantém para terça sessão que pode abrir investigação contra Moraes

Presidente do Supremo rejeitou neste sábado (12) inclusão da Pet 16.704 e manteve sessão extraordinária exclusivamente para a Pet 16.662; Gilmar Mendes havia enviado ofício sugerindo reunião dos processos, mudança na condução e análise prioritária do pedido de nulidade apresentado pela PGR.

O presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, decidiu neste sábado (12) manter a sessão plenária extraordinária marcada para terça-feira, 15 de setembro, às 10h, na qual a Corte enfrentará um dos capítulos mais delicados da crise provocada pelo caso Banco Master: a controvérsia em torno do relatório da Polícia Federal e dos elementos envolvendo o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

A decisão ocorre depois de dias de intensa movimentação dentro do Supremo.

Ministros como Gilmar Mendes, Cristiano Zanin e Flávio Dino adotaram posições ou apresentaram questionamentos relacionados aos procedimentos conduzidos por André Mendonça. Nos bastidores, segundo a apuração que embasa esta reportagem, houve também articulação em torno da forma e do momento em que os processos deveriam chegar ao Plenário.

Mas Fachin decidiu manter a sessão.

E fez isso de maneira expressa neste sábado.

“Mantendo-se a Sessão Plenária Extraordinária”

No documento referente à Pet 16.704/DF, Fachin rejeitou o pedido para que esse processo fosse incluído imediatamente na mesma pauta.

Escreveu o presidente do STF:

Indefiro o pedido de inclusão em pauta da Pet 16.704, mantendo-se a Sessão Plenária Extraordinária designada exclusivamente para apreciação da Pet 16.662.”

Fachin ainda determinou que, encerrada a instrução da Pet 16.704, o processo seja levado ao calendário do Supremo em 23 de setembro de 2026.

Na prática, o presidente separou os dois procedimentos.

A Pet 16.662 permanece na sessão extraordinária de terça-feira. A Pet 16.704 deverá seguir para o dia 23.

Gilmar queria reunir os processos

A decisão ganha importância quando confrontada com o documento encaminhado por Gilmar Mendes à Presidência.

Gilmar apresentou quatro sugestões a Fachin.

A primeira era justamente:

que a Pet 16.662 e a Pet 16.704 sejam reunidas, ficando a condução desses feitos concentrada na Presidência”.

Também sugeriu que Fachin avocasse a Pet 16.662, com fundamento no artigo 82 do Código de Processo Penal, para que a matéria fosse instruída e delimitada antes de chegar ao julgamento.

Em um terceiro ponto, Gilmar afirmou que, caso a sessão extraordinária fosse mantida na data designada, a própria Presidência deveria relatar o caso no Plenário.

Por fim, pediu que o julgamento começasse pelas questões preliminares, especialmente pela:

“arguição de nulidade apresentada pela Procuradoria-Geral da República”.

PGR quer derrubar relatório

Esse último ponto pode ser decisivo.

A Procuradoria-Geral da República questiona a validade do material produzido pela Polícia Federal que colocou sob escrutínio relações e comunicações envolvendo Daniel Vorcaro e autoridades.

Portanto, antes mesmo de o Supremo chegar ao mérito dos elementos envolvendo Moraes, existe uma batalha processual para saber se o relatório poderá ser utilizado e qual será seu alcance jurídico.

É justamente a preliminar de nulidade que Gilmar Mendes quer ver examinada no início do julgamento.

Fachin não acolheu a reunião dos casos neste momento

Ao menos em relação à pauta de terça-feira, Fachin tomou caminho diferente daquele sugerido por Gilmar.

A sessão foi preservada.

A Pet 16.704 não será adicionada ao julgamento.

E o processo foi direcionado para outra data.

Isso não significa que Fachin já tenha decidido contra Moraes ou a favor da abertura de uma investigação.

Significa apenas que a discussão marcada para terça-feira não foi retirada do calendário.

Uma semana de intensa movimentação

A decisão encerra, ao menos por enquanto, dias de dúvidas sobre o julgamento.

O caso produziu uma sequência incomum de manifestações e decisões dentro do próprio Supremo.

André Mendonça adotou medidas contra a cúpula da Polícia Federal.

Flávio Dino reagiu em outro procedimento.

Fachin precisou intervir diante de decisões monocráticas conflitantes.

Gilmar Mendes apresentou suas ponderações diretamente à Presidência.

Cristiano Zanin também apresentou questionamentos relacionados à condução de Mendonça.

E o próprio Moraes passou a se manifestar processualmente em meio à divulgação do material.

A movimentação demonstra o tamanho da crise instalada dentro da Corte.

Documentos do Master vieram a público

Paralelamente, a retirada do sigilo começou a revelar documentos que estavam fora do conhecimento público.

Entre eles está o contrato celebrado entre o Banco Master e o escritório Barci de Moraes Sociedade de Advogados, ligado a Viviane Barci de Moraes, esposa de Alexandre de Moraes.

O instrumento previa 36 parcelas de R$ 3 milhões líquidos, totalizando R$ 108 milhões líquidos.

Considerando a tributação descrita no documento, o valor bruto projetado alcançava aproximadamente R$ 131,27 milhões.

O contrato incluía consultoria estratégica e jurídica em procedimentos e inquéritos perante as Polícias Federal e Civis, além de atuação perante Banco Central, Receita Federal, Cade e outros órgãos.

A existência do contrato, isoladamente, não comprova irregularidade.

Mas o documento passou a integrar o contexto dos questionamentos sobre as relações entre o universo empresarial de Vorcaro e pessoas próximas ao ministro.

Terça-feira, às 10h

Agora existe uma certeza:

a sessão está mantida.

O julgamento extraordinário começa às 10h da próxima terça-feira (15).

A transmissão será pública, pelos canais oficiais do Supremo, incluindo TV Justiça, Rádio Justiça e o canal do STF no YouTube.

O Portal O Contribuinte também fará a retransmissão e cobertura ao vivo da sessão em seus canais, acompanhando os votos e os desdobramentos em tempo real.

Fachin não antecipou o resultado.

Mas, mesmo depois da movimentação dos últimos dias e das sugestões encaminhadas por Gilmar Mendes, o encontro do caso Master com o Plenário do Supremo continua marcado para terça-feira.