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Presa na Antidotum, Alir já teve endereço profissional ligado a advogado alvo de buscas na operação

Duarte & Cruz se apresenta como corretora exclusiva do Plano Santa Casa Saúde e hoje reúne negócios na área da saúde; antigas relações empresariais e profissionais ganham relevância após operação que prendeu Alir Terra.

A Operação Antidotum, deflagrada na sexta-feira, 11 de setembro, pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul, por meio do Gecoc e do Gaeco, colocou sob uma nova perspectiva relações profissionais e empresariais que já vinham sendo acompanhadas pelo Portal O Contribuinte antes mesmo das prisões e buscas realizadas nesta semana.

A operação atingiu diretamente a cúpula da Santa Casa de Campo Grande, levou à prisão preventiva da presidente Alir Terra Lima e de outros integrantes ligados à instituição e também resultou no cumprimento de medidas de busca e apreensão no escritório de advocacia e na sede da Santa Cruz Saúde, conforme confirmou a defesa do advogado Paulo da Cruz Duarte.

Paulo não foi preso e não consta entre os destinatários dos mandados de prisão preventiva. A situação dele, portanto, é diferente da de Alir, que permanece presa.

As diligências, entretanto, colocaram novamente no radar uma relação profissional antiga entre os dois, além do crescimento, ao longo dos últimos anos, de empresas relacionadas a Paulo no setor da saúde e da própria estrutura empresarial hoje apresentada publicamente como Duarte & Cruz Group.

Um endereço que já havia chamado atenção

Antes mesmo da Operação Antidotum, O Contribuinte havia revelado que registros empresariais e profissionais mostravam uma coincidência envolvendo Alir Terra Lima, Paulo da Cruz Duarte e um endereço no bairro Royal Park, em Campo Grande.

O endereço é a Rua Hélio Yoshiaki Ikeziri, nº 34, sala 403.

O local havia aparecido em registros relacionados à atividade profissional de Alir antes de ela assumir a presidência da Santa Casa.

Posteriormente, o mesmo endereço passou a aparecer em registros relacionados a Paulo da Cruz Duarte e a diferentes empresas vinculadas ao setor da saúde.

Essa sucessão já havia sido objeto de apuração do portal.

A existência de um mesmo endereço, isoladamente, não representa irregularidade. O ponto que chamava atenção era o histórico: um endereço anteriormente relacionado à atual presidente da Santa Casa que, posteriormente, aparecia ligado a advogado e empresas cuja atuação se concentrava justamente no segmento da saúde.

Empresas cresceram no setor da saúde

Os registros consultados anteriormente pelo O Contribuinte mostravam Paulo da Cruz Duarte relacionado a diferentes pessoas jurídicas voltadas ao mercado da saúde.

Entre elas estavam a DR Tele Saúde Ltda., de telemedicina e saúde digital; a DR Smart Saúde Ltda., relacionada a soluções de telessaúde; a Deissê Medicamentos Ltda., ligada ao comércio de medicamentos; a Health Life Planos de Saúde Ltda.; e a Santa Cruz Saúde – Gestão em Planos de Saúde Ltda.

As empresas atuavam em diferentes frentes de um mesmo setor: saúde digital, medicamentos, assistência e gestão de planos.

Paralelamente, a marca Duarte & Cruz passou a ampliar sua apresentação pública e atualmente utiliza a denominação Duarte & Cruz Group, reunindo atividades empresariais e jurídicas.

O crescimento dessa estrutura empresarial também passou a chamar atenção porque uma das relações comerciais divulgadas publicamente pelo próprio grupo envolve diretamente a Santa Casa Saúde.

Corretora se apresentava como exclusiva da Santa Casa Saúde

Nas próprias redes sociais, a Duarte & Cruz divulgava-se como:

“Corretora exclusiva do Plano Santa Casa Saúde.”

A Operação Antidotum, deflagrada na sexta-feira, 11 de setembro, pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul, por meio do Gecoc e do Gaeco, colocou sob uma nova perspectiva relações profissionais e empresariais que já vinham sendo acompanhadas pelo Portal O Contribuinte antes mesmo das prisões e buscas realizadas nesta semana.

A operação atingiu diretamente a cúpula da Santa Casa de Campo Grande, levou à prisão preventiva da presidente Alir Terra Lima e de outros integrantes ligados à instituição e também resultou no cumprimento de medidas de busca e apreensão no escritório de advocacia e na sede da Santa Cruz Saúde, conforme confirmou a defesa do advogado Paulo da Cruz Duarte.

Paulo não foi preso e não consta entre os destinatários dos mandados de prisão preventiva. A situação dele, portanto, é diferente da de Alir, que permanece presa.

As diligências, entretanto, colocaram novamente no radar uma relação profissional antiga entre os dois, além do crescimento, ao longo dos últimos anos, de empresas relacionadas a Paulo no setor da saúde e da própria estrutura empresarial hoje apresentada publicamente como Duarte & Cruz Group.

O contrato chegaria a R$ 5,4 milhões.

Segundo a investigação, os serviços não teriam sido prestados na proporção dos pagamentos realizados, e apenas no primeiro ano o suposto desvio teria alcançado R$ 1,4 milhão.

Somadas as duas frentes divulgadas até agora, os prejuízos mínimos investigados chegam a aproximadamente R$ 4,9 milhões.

Alir está presa; Paulo foi alvo de buscas

O desdobramento da operação também torna necessária uma diferenciação objetiva entre os dois personagens dessa relação antiga.

Alir Terra Lima foi presa preventivamente e permanece nessa condição.

Já Paulo da Cruz Duarte foi alvo de diligências de busca e apreensão, mas não foi preso.

Questionamentos já haviam chegado ao Judiciário

Antes da deflagração da Antidotum, questões envolvendo transparência, contratos, governança e relações administrativas da Santa Casa também já haviam sido levadas ao Judiciário pelo Instituto Artigo Quinto, representado pelo advogado Oswaldo Meza Batista.

A medida buscava produção antecipada de provas e acesso a documentos relacionados à administração da instituição.

Entre os pontos levantados estavam questionamentos sobre gestão, transparência e relações envolvendo empresas e pessoas ligadas ao ambiente da Santa Casa.

Esses questionamentos ocorreram antes da operação.

Parte dessas relações e questionamentos já vinha sendo documentada e levada às autoridades antes das prisões e buscas.

Uma relação que agora ganha novo contexto

A Operação Antidotum não transforma, por si só, antigas relações profissionais, coincidências de endereço ou participações empresariais em prova de irregularidade.

Mas a investigação dá um novo peso a fatos que já estavam documentados.

O endereço anteriormente relacionado a Alir.

A posterior presença de Paulo e empresas da saúde naquele mesmo local.

A expansão de negócios relacionados ao setor.

A criação de uma estrutura apresentada como Duarte & Cruz Group.

A relação pública da Duarte & Cruz como corretora exclusiva do Plano Santa Casa Saúde.

E, agora, as buscas realizadas no escritório e na sede da Santa Cruz Saúde no mesmo momento em que Alir foi presa preventivamente.

Será a investigação que deverá esclarecer se existe ou não alguma conexão entre essas relações anteriores e os contratos atualmente sob apuração.