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indicados de Lula ampliam atuação em processos que cercam caso Moraes

Cristiano Zanin requisitou diretamente à PF a íntegra do celular de Daniel Vorcaro, enquanto Flávio Dino adotou decisões que repercutem sobre investigações e publicidade de dados; ambos chegaram ao Supremo por indicação do atual presidente.

Dois ministros indicados pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva estão no centro das principais movimentações que agitam o Supremo Tribunal Federal a menos de 48 horas da sessão extraordinária relacionada ao caso Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro.

E as movimentações continuam até no domingo.

Neste dia 13, Cristiano Zanin, ex-advogado de Lula e indicado pelo presidente ao STF, determinou que a Polícia Federal entregue diretamente ao seu gabinete, até as 23h, uma cópia integral da mídia extraída do celular de Daniel Vorcaro.

Em outra frente, Flávio Dino, ex-ministro da Justiça de Lula e também indicado pelo presidente para o Supremo, vem adotando decisões que dialogam diretamente com a crise instalada entre integrantes da Corte, a Polícia Federal e as investigações que passaram a alcançar Moraes.

Zanin foi advogado de Lula

Cristiano Zanin não foi apenas uma indicação presidencial convencional.

Antes de chegar ao STF, atuou durante anos na defesa pessoal de Lula, inclusive nos processos relacionados à Lava Jato.

Neste domingo, Zanin escreveu diretamente ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, requisitando todo o conteúdo do celular de Vorcaro.

Justificou que:

“não existe hierarquia entre os Ministros do Supremo Tribunal Federal”.

E sustentou que os elementos de prova pertencem ao Plenário e a seus integrantes, não a um ministro específico.

Dino foi ministro da Justiça

Flávio Dino possui outra ligação direta com o atual governo.

Antes de assumir uma cadeira no Supremo, foi ministro da Justiça e Segurança Pública de Lula.

Foi durante sua gestão no Ministério da Justiça que Andrei Rodrigues assumiu a Direção-Geral da Polícia Federal, em 2023.

Na crise atual, Dino tomou uma das decisões mais controversas quando, em outro procedimento, determinou a recondução de Andrei Rodrigues e Leandro Almada depois de André Mendonça ter determinado seus afastamentos.

A sucessão de decisões conflitantes levou Fachin a intervir.

Dino fala em “vazamentos seletivos”

Em decisão apresentada neste fim de semana, Dino também tratou do tema da publicidade das investigações.

O ministro escreveu que a publicidade pode prevenir:

“vazamentos seletivos”.

E afirmou que tais vazamentos:

“quebram a imparcialidade na condução da investigação criminal e do processo penal”.

Dino mencionou situações em que uma autoridade poderia escolher alvos de acordo com:

“amizades e inimizades”

ou outros interesses ilegítimos.

Formalmente, o texto apresenta uma tese geral sobre publicidade, imparcialidade e condução de investigações.

Politicamente, entretanto, a manifestação surge no exato momento em que o Supremo discute acusações de seletividade e conflitos na investigação do caso Master.

Mendonça fala em “outros interesses”

No outro extremo dessa disputa está André Mendonça.

Neste domingo, ele afirmou que a tentativa de inserir a íntegra do celular de Vorcaro no julgamento de terça-feira poderia “tumultuar” a sessão.

E terminou seu despacho advertindo contra:

“subterfúgios ou desvios de rotas, rumo a outros interesses que não os da Justiça”.

Não citou Lula.

Não acusou formalmente Zanin ou Dino de atuarem politicamente.

Mas a escolha das palavras demonstra a gravidade do conflito instalado dentro da Corte.

Terça-feira se aproxima

Toda essa movimentação acontece enquanto Fachin mantém a sessão extraordinária de terça-feira (15).

O julgamento deverá enfrentar a controvérsia relacionada ao material produzido pela PF e à possibilidade de avanço de uma investigação envolvendo Moraes.

E é nesse contexto que a atuação de Zanin e Dino ganha inevitável dimensão política.

Um foi advogado de Lula. O outro, ministro de Lula. Os dois foram escolhidos pelo atual presidente para o Supremo. E ambos estão hoje no centro da maior disputa interna criada pelo caso Master.

Isso não prova coordenação.

Mas é uma informação que o público tem direito de conhecer antes de acompanhar o julgamento.