Reeleito no primeiro turno, governador alcança 914.323 votos e 67,07% dos votos válidos, maiores marcas já registradas em Mato Grosso do Sul desde 1982
Eduardo Riedel (Progressistas) entrou para a história de Mato Grosso do Sul neste domingo (4). Reeleito governador no primeiro turno, o candidato recebeu 914.323 votos, correspondentes a 67,07% dos votos válidos, e estabeleceu dois novos recordes na história eleitoral do Estado: maior número absoluto de votos e maior percentual já obtidos por um candidato ao Governo de Mato Grosso do Sul desde o início das eleições diretas, em 1982.
O levantamento foi realizado pelo O Contribuinte, com base nos resultados oficiais das eleições disponibilizados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e pelo Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul (TRE-MS).
A votação de Riedel supera marcas que permaneceram por décadas entre os principais resultados da política sul-mato-grossense.
Em percentual, o antigo recorde pertencia a Marcelo Miranda, eleito governador em 1986 com 61,39% dos votos válidos, o equivalente a 412.974 votos. A marca permaneceu no topo por 40 anos.
Agora, Riedel elevou o recorde para 67,07%, uma diferença de 5,68 pontos percentuais.
O segundo maior percentual da série histórica também pertencia a um dos nomes mais conhecidos da política estadual. Em 2006, André Puccinelli foi eleito no primeiro turno com 61,34%, apenas 0,05 ponto percentual abaixo de Marcelo Miranda.
Já em 1998, Zeca do PT chegou a 61,27% dos votos válidos no segundo turno, quando derrotou Ricardo Bacha.
Com isso, antes de 2026, os três maiores percentuais da história de Mato Grosso do Sul eram:
Marcelo Miranda (1986): 61,39%
André Puccinelli (2006): 61,34%
Zeca do PT (1998): 61,27%
Riedel agora ocupa isoladamente o primeiro lugar, com 67,07%.
Também é o maior número de votos
Além do percentual, Riedel estabeleceu o recorde em número absoluto de votos.
Os 914.323 votos recebidos pelo governador superam a marca anterior de André Puccinelli em 2006, quando o então candidato do PMDB foi eleito no primeiro turno com 726.806 votos.
A diferença é de 187.517 votos.
O resultado também supera a própria votação de Riedel em 2022. Naquele ano, quando disputou pela primeira vez o Governo de Mato Grosso do Sul, o então candidato pelo PSDB recebeu 808.210 votos no segundo turno, equivalentes a 56,90% dos votos válidos, contra 612.113 de Capitão Contar.
Em 2026, quatro anos depois, Riedel chegou a 914.323 votos, um crescimento de 106.113 votos em relação à sua votação final de 2022.
O percentual também cresceu 10,17 pontos, passando de 56,90% para 67,07%.
De estreante a recordista
A dimensão do resultado ganha ainda mais peso quando se observa a trajetória política de Riedel.
Em 2022, ele chegou à disputa pelo Governo de Mato Grosso do Sul como um nome que se apresentava muito mais como gestor e administrador do que como político tradicional.
Foi sua primeira eleição para o cargo de governador.
Naquele pleito, Riedel precisou chegar ao segundo turno para superar Capitão Contar e conquistar o mandato.
Quatro anos depois, já como governador e candidato à reeleição, o cenário foi completamente diferente.
Riedel não apenas venceu novamente. Ele encerrou a disputa no primeiro turno, conquistou mais de 900 mil votos e estabeleceu os dois maiores recordes eleitorais da história do Estado.
O resultado coloca o governador à frente de políticos que durante décadas foram considerados referências de força eleitoral em Mato Grosso do Sul, como Zeca do PT e, principalmente, André Puccinelli, que foi eleito duas vezes em primeiro turno.

O histórico das eleições para governador em MS
As eleições diretas para governador de Mato Grosso do Sul começaram em 1982, ainda antes da Constituição de 1988.
Naquele ano, Wilson Barbosa Martins foi eleito com 258.192 votos, correspondentes a 51,10% dos votos nominais.
Em 1986, Marcelo Miranda venceu com 412.974 votos, alcançando 61,39%.
Em 1990, já sob as regras eleitorais que previam a possibilidade de segundo turno, Pedro Pedrossian foi eleito no primeiro turno com 417.589 votos, ou 59,39% dos votos válidos.
Quatro anos depois, em 1994, Wilson Barbosa Martins retornou ao Governo de Mato Grosso do Sul com 392.365 votos, equivalentes a 53,70%.
A partir de 1998, o Estado passou a registrar efetivamente eleições decididas em segundo turno.
Naquele ano, Zeca do PT chegou à segunda votação após terminar o primeiro turno atrás de Ricardo Bacha. No segundo turno, virou a disputa e foi eleito com 548.040 votos, ou 61,27% dos votos válidos.
Em 2002, Zeca novamente precisou do segundo turno. Após obter 48,33% na primeira votação, venceu Marisa Serrano na segunda, com 53,74%.
A sequência foi interrompida em 2006, quando André Puccinelli foi eleito no primeiro turno com 61,34%, recebendo 726.806 votos.
Em 2010, Puccinelli repetiu o feito. Foi reeleito com 704.407 votos, equivalentes a 56% dos votos válidos, e tornou-se, até então, o último governador de Mato Grosso do Sul eleito diretamente no primeiro turno.
Depois disso, o Estado passou por três eleições consecutivas com segundo turno.
Em 2014, Reinaldo Azambuja chegou ao segundo turno após obter 39,17% na primeira votação e venceu Delcídio do Amaral na segunda.
Em 2018, candidato à reeleição, Reinaldo novamente precisou de duas votações. Terminou o primeiro turno com 44,61% e venceu Juiz Odilon na segunda rodada.
Em 2022, a disputa foi ainda mais pulverizada. Capitão Contar terminou o primeiro turno com 26,71%, enquanto Eduardo Riedel obteve 25,16%. No segundo turno, Riedel venceu e recebeu 56,90% dos votos válidos.
Até então, 2010 era a última eleição estadual decidida no primeiro turno.
Em 2026, 16 anos depois, Riedel voltou a colocar Mato Grosso do Sul entre os Estados que definiram o governador já na primeira votação.
Ironia do destino
Há ainda uma curiosidade que envolve diretamente a eleição de 2026.
O recorde de percentual de votos que Riedel acaba de quebrar pertencia justamente a Marcelo Miranda, que foi governador em 1986.
Quatro décadas depois, João Henrique Catan, candidato do Novo ao Governo de Mato Grosso do Sul em 2026, entrou na disputa tendo uma ligação familiar com o antigo recordista.
Ou seja: o candidato que disputou o Governo de Mato Grosso do Sul nesta eleição é neto do governador cuja marca de 61,39% permaneceu por 40 anos no topo da história eleitoral do Estado.
Agora, o recorde pertence a Riedel.
Um recorde construído no primeiro turno
Mesmo quando consideradas as eleições que precisaram de segundo turno, a votação obtida por Riedel em uma única votação, no primeiro turno de 2026, permanece acima das marcas históricas dos vencedores nas disputas anteriores.
Com 914.323 votos e 67,07% dos votos válidos, Eduardo Riedel encerra a eleição de 2026 não apenas como governador reeleito, mas como o candidato a governador mais votado e com o maior percentual de votos da história de Mato Grosso do Sul desde a redemocratização.
A eleição também marca uma mudança significativa no cenário político estadual: o governador que chegou ao pleito de 2022 como um estreante na disputa pelo Executivo e com perfil predominantemente de gestor agora deixa as urnas de 2026 com o maior resultado eleitoral já registrado em Mato Grosso do Sul.