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O Contribuinte faz balanço do último debate presidencial entre Lula e Flávio; confira os principais confrontos e a checagem de fatos

Encontro na TV Globo passou pelas cinco regiões do Brasil, discutiu economia, educação, saúde e segurança e terminou com troca de acusações patrimoniais.

O último debate presidencial antes do segundo turno das eleições de 2026 foi marcado por propostas, provocações e troca de acusações entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). Realizado na noite de sexta-feira (23), na TV Globo, o confronto reuniu discussões sobre economia, saúde, educação, segurança pública, políticas sociais e denúncias envolvendo patrimônio e corrupção.

O Contribuinte reuniu os principais momentos dos quatro blocos do programa, que aconteceu a dois dias da votação, marcada para domingo, 25 de outubro.

Lula concentrou parte de suas intervenções na defesa de políticas sociais, investimentos públicos e medidas de valorização do salário mínimo. Flávio priorizou críticas ao endividamento da população, à carga tributária, aos problemas do SUS e ao avanço da criminalidade, além de apresentar propostas para um eventual governo.

O encontro teve ainda pedidos de desculpas, direitos de resposta, questionamentos sobre a trajetória dos presidenciáveis e acusações relacionadas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

Primeiro bloco: obras inacabadas, impostos e agronegócio

A primeira etapa foi dedicada aos desafios das cinco regiões brasileiras.

Flávio Bolsonaro cobrou explicações de Lula sobre obras públicas inacabadas e apresentou propostas de expansão ferroviária, concessões de rodovias, desenvolvimento da infraestrutura digital e fortalecimento do transporte de mercadorias.

Lula rebateu defendendo o histórico de investimentos dos governos petistas. Citou obras ferroviárias, portuárias, aeroportuárias e projetos de mobilidade urbana.

O salário mínimo também provocou divergências. Lula destacou os reajustes realizados durante suas administrações, segundo ele acima da inflação, enquanto Flávio questionou o poder de compra dos trabalhadores, os impostos e o endividamento das famílias sob os governos petistas.

Na discussão sobre o Centro-Oeste, o agronegócio foi o principal assunto. Flávio criticou a burocracia e os juros do Plano Safra. Lula defendeu o crescimento das exportações e os investimentos federais no setor.

As discussões sobre Sul, Norte e Nordeste envolveram aposentadorias, enchentes no Rio Grande do Sul, saneamento básico, meio ambiente, infraestrutura e criminalidade.

Um dos momentos de provocação aconteceu quando Lula sugeriu que Flávio pesquisasse na internet informações sobre investimentos na Região Norte.

O candidato respondeu: “Lula, quem governa o Brasil é você ou o Google?”

Segundo bloco: políticas sociais, pandemia e dificuldades do SUS

A segunda etapa concentrou discussões sobre licença-maternidade, Bolsa Família, dívida pública e saúde.

Lula questionou Flávio sobre uma votação contrária à ampliação da licença-maternidade durante seu mandato na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. O candidato reconheceu o posicionamento passado e afirmou que atualmente votaria de maneira diferente.

O debate também registrou um pedido de desculpas de Flávio, após Lula reagir a uma referência a ele ter nove dedos, Lula não gostou da referência e cobrou o candidato Flavio.

Em seguida, o candidato do PL questionou se o presidente iria pedir desculpas a população em situação de rua, as mulheres por conta do alto índice de feminicídios, além de bater na tecla do endividamento das famílias e os preços dos alimentos.

Na saúde, Lula criticou a condução da pandemia durante o governo Jair Bolsonaro e defendeu o Sistema Único de Saúde.

Flávio respondeu citando filas por cirurgias, falta de medicamentos e dificuldades financeiras das Santas Casas. Prometeu atualizar pagamentos da tabela SUS, utilizando como referência a experiência paulista de complementação dos valores.

Terceiro bloco: apostas online, educação e combate às facções

O terceiro bloco começou com críticas à situação financeira dos brasileiros.

Flávio afirmou que o aumento do custo de vida compromete o orçamento familiar e apresentou a proposta de transformar a Caixa Econômica Federal em um instrumento de financiamento para empreendedores e moradores das periferias.

Lula defendeu iniciativas de renegociação de dívidas e falou sobre os prejuízos causados pelas apostas online.

Na educação, o presidente destacou investimentos em escolas de tempo integral. Flávio prometeu ampliar a modalidade, manter o Pé-de-Meia e investir em inteligência artificial, esportes, tecnologia e creches.

O confronto ganhou intensidade na segurança pública.

Flávio defendeu penas mais rigorosas, redução da maioridade penal para determinados crimes graves e classificação de facções criminosas como organizações terroristas.

Lula criticou essas propostas, discutiu a violência policial e defendeu a PEC da Segurança Pública, além de medidas de integração das forças policiais e enfrentamento às milícias.

Quarto bloco: Vorcaro, patrimônio e desafio sobre sigilos

Na rodada de tema livre, os candidatos concentraram parte da discussão em acusações patrimoniais e financeiras.

Lula abriu o bloco questionando Flávio sobre uma disputa envolvendo uma ilha e o jogador Richarlison. O candidato respondeu que a questão já teria sido resolvida judicialmente.

Flávio, por sua vez, questionou Lula sobre uma suposta garrafa de whisky avaliada em R$ 500 mil, que teria sido recebida de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.

Os dois trocaram acusações envolvendo o empresário, financiamentos de produções audiovisuais, imóveis milionários e patrimônio de familiares.

Lula desafiou Flávio a divulgar movimentações bancárias junto com ele no sábado, véspera da votação. Flávio cobrou informações sobre o cartão corporativo da Presidência e registros de visitas atribuídas a Vorcaro.

Checagem do Ranking dos Políticos analisou 137 declarações

Após o confronto, o Ranking dos Políticos divulgou uma publicação com o resultado de uma checagem de 137 alegações atribuídas aos dois candidatos.

De acordo com os números apresentados, foram verificadas 63 declarações de Lula, sendo 28 classificadas como verdadeiras, 26 como imprecisas e nove como falsas. Isso representa, respectivamente, 44,4%, 41,3% e 14,3%.

No caso de Flávio Bolsonaro, a publicação apresenta 74 declarações analisadas: 48 verdadeiras, 21 imprecisas e cinco falsas, equivalentes a 64,9%, 28,4% e 6,7%.

Considerações finais: democracia, poder de compra e segurança

Nas considerações finais, Lula defendeu sua trajetória política e apresentou a eleição como uma decisão importante para a democracia brasileira.

Flávio agradeceu o apoio recebido durante a campanha, mencionou Jair Bolsonaro e apresentou três compromissos: não fazer promessas que não possa cumprir, recuperar o poder de compra dos brasileiros e reforçar a segurança pública.

Os dois encerraram a participação pedindo votos.

Com o debate finalizado, Lula e Flávio entram no último dia de campanha antes da votação de domingo (25), quando os brasileiros definirão o próximo presidente da República.