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“A eleição será apenas protocolar”, avalia fonte do Judiciário sobre disputa pela vaga no TJMS

Interlocutores ouvidos pela reportagem afirmam que bastidores já apontam Ana Carolina Ali Garcia como favorita para a escolha final do governador Eduardo Riedel após a formação da lista tríplice

A votação marcada para esta quarta-feira (17), às 10 horas, no Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS), deveria representar um dos momentos mais importantes da disputa pela vaga aberta com a saída do desembargador Ary Raghiant Neto. Será nessa etapa que os desembargadores reduzirão a lista sêxtupla formada pela OAB-MS para uma lista tríplice, que seguirá para a decisão final do governador Eduardo Riedel (PSDB).

Nos bastidores, porém, a percepção de parte do meio jurídico é outra.

Em conversas reservadas com a reportagem, fontes com trânsito entre integrantes do Judiciário e da advocacia afirmaram que a disputa já estaria sendo analisada sob a perspectiva da escolha final do governador, e não necessariamente da votação que ocorrerá no Tribunal de Justiça.

Uma das fontes, integrante do alto escalão do meio jurídico estadual, foi direta ao resumir o sentimento que, segundo ela, circula nos bastidores.

“A avaliação de muita gente é que a eleição será apenas protocolar.”

Segundo esse interlocutor, o entendimento de parte dos operadores do Direito é que a ex-procuradora-geral do Estado, Ana Carolina Ali Garcia, já aparece como o nome mais associado à preferência do governador Eduardo Riedel.

“O comentário é que ela precisa estar na lista tríplice. Chegando lá, muitos acreditam que todos já sabem qual será a escolha do governador.”

A fonte ressalta que se trata de uma leitura de bastidor e não de uma informação oficial do Palácio Guaicurus ou do Tribunal de Justiça.

Ainda assim, segundo ela, a percepção passou a ganhar força à medida que a candidatura da ex-procuradora-geral avançou no processo de seleção.

O peso da decisão final

Uma segunda fonte ouvida pela reportagem seguiu linha semelhante.

Para esse interlocutor, a disputa pela vaga aberta por Ary Raghiant Neto acabou evidenciando uma característica própria do modelo constitucional adotado para o preenchimento de vagas pelo quinto constitucional: a relevância da decisão final do chefe do Executivo.

“Hoje existe um entendimento entre muitas pessoas de que o principal peso da disputa está na caneta do governador.”

Segundo essa fonte, o debate deixou de girar exclusivamente em torno dos currículos dos candidatos e passou a incorporar análises sobre a relação institucional entre os Poderes.

“Os desembargadores vão votar e essa é uma etapa importante. Mas é inegável que a decisão final pertence ao governador. E é justamente isso que domina as conversas nos bastidores.”

Favoritismo domina conversas

A avaliação dos interlocutores ouvidos pela reportagem é que o favoritismo atribuído a Ana Carolina Ali Garcia passou a ser um dos temas centrais das discussões sobre a vaga.

Ex-procuradora-geral do Estado, Ana Carolina deixou o cargo em abril deste ano, pouco depois da abertura da vaga decorrente da saída de Ary Raghiant Neto, e passou a integrar a disputa pelo quinto constitucional destinado à advocacia.

Desde então, seu nome tem sido frequentemente citado nos bastidores como um dos mais competitivos da seleção.

“Ninguém discute que ela tem currículo e trajetória jurídica. O que se comenta hoje é que ela também é vista como alguém que conta com forte prestígio político dentro do governo.”

A votação desta quarta-feira

Apesar das especulações, o processo segue formalmente em aberto.

Os desembargadores do Tribunal de Justiça votarão nesta quarta-feira para definir quais três nomes permanecerão na disputa.

Somente depois dessa etapa a lista tríplice será encaminhada ao governador Eduardo Riedel, que terá a prerrogativa constitucional de escolher o novo desembargador.

Disputam a vaga:

Advogadas

Ana Carolina Ali Garcia

Regina Iara Ayub Bezerra

Silmara Salamaia Gonçalves

Advogados

José Eduardo Chemin Cury

Ewerton Araújo de Brito

José Roberto Rodrigues da Rosa

Enquanto a votação não acontece, uma frase atribuída a uma das fontes ouvidas pela reportagem resume o clima que tomou conta dos bastidores nas últimas horas:

“A discussão não é mais sobre quem está na disputa. A discussão é sobre quem o governador quer escolher.”