Martin De Luca representa a empresa ligada a Donald Trump e a plataforma Rumble em ação contra o ministro na Justiça Federal da Flórida
As novas revelações envolvendo o ministro Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro ganharam repercussão nos Estados Unidos.
Martin De Luca, advogado que representa a Trump Media e a plataforma Rumble em um processo contra Moraes na Justiça Federal da Flórida, classificou como “inacreditáveis” as informações divulgadas sobre a participação do ministro na análise do contrato milionário firmado entre o Banco Master e o escritório de sua esposa, Viviane Barci de Moraes.
A reação foi publicada no X nesta terça-feira, 1º de setembro. De Luca compartilhou um comentário do jornalista norte-americano Glenn Greenwald e escreveu:
“Inacreditável.”
A declaração demonstra que o caso deixou de produzir repercussões exclusivamente no Brasil. As revelações agora chegam aos advogados e aliados políticos que já confrontam Moraes nos Estados Unidos por decisões com efeitos sobre empresas e usuários localizados em território norte-americano.
Advogado representa empresas em ação contra Moraes
Martin De Luca não atua como advogado pessoal do presidente Donald Trump nesse processo. Ele representa a Trump Media & Technology Group, empresa ligada ao presidente norte-americano, e a plataforma Rumble.
As duas companhias ajuizaram uma ação contra Alexandre de Moraes no Tribunal Distrital dos Estados Unidos para o Distrito Central da Flórida.
O processo questiona ordens atribuídas ao ministro brasileiro que teriam determinado restrições contra plataformas e usuários com efeitos nos Estados Unidos. As empresas argumentam que Moraes ultrapassou sua autoridade territorial e atingiu atividades protegidas pelas leis norte-americanas de liberdade de expressão.
A ação foi apresentada em fevereiro de 2025 e tramita sob o número 8:2025-cv-00411. Em maio, De Luca anunciou que Moraes havia sido formalmente notificado por e-mail após autorização da Justiça Federal da Flórida.
O advogado já havia afirmado que as revelações sobre a relação de Moraes com Vorcaro poderiam produzir consequências nos Estados Unidos. Agora, voltou a repercutir o caso publicamente.
Greenwald ironiza justificativa para contrato milionário
A publicação compartilhada por De Luca foi feita por Glenn Greenwald, jornalista norte-americano radicado no Brasil e conhecido internacionalmente por reportagens envolvendo vigilância estatal, liberdade de expressão e abusos de poder.
Greenwald ironizou a justificativa profissional para o contrato de aproximadamente R$ 131,2 milhões firmado pelo Banco Master com o escritório de Viviane Barci de Moraes.

“Pera aí… então é possível que os R$ 131 milhões que o Banco Master concordou em pagar a Viviane Barci de Moraes não se devessem apenas ao fato de ela ser a maior superadvogada do mundo, mas pudessem também estar porque o marido dela governa o Brasil a partir do STF?”
Moraes editou versão do documento
A reação internacional ocorreu depois da divulgação de metadados indicando que Alexandre de Moraes abriu e modificou uma versão do contrato firmado entre o Banco Master e o escritório de sua esposa.
O arquivo foi extraído do celular de Daniel Vorcaro durante a Operação Compliance Zero. Segundo os dados técnicos, uma versão do documento foi modificada em um perfil do Office 365 identificado como “Ministro Alexandre de Moraes”.
A edição teria ocorrido às 23h04 de 15 de janeiro de 2024, aproximadamente uma hora e 40 minutos depois de Vorcaro devolver a minuta a Viviane.
O escritório Barci de Moraes confirmou que o ministro teve acesso ao contrato. Em nota, informou que Moraes foi consultado pelo setor de compliance sobre eventuais impedimentos legais à contratação.
Segundo a manifestação, concluiu-se que não havia impedimento nem previsão de atuação perante o STF. O escritório afirma que os serviços foram efetivamente prestados.
A confirmação demonstrou, contudo, que o ministro não era alheio ao acordo comercial mantido entre o banco de Vorcaro e a banca de sua família.
Contrato previa até R$ 131,2 milhões
O documento estabelecia o pagamento de 36 parcelas mensais. Considerados os valores brutos registrados na minuta, o desembolso poderia atingir aproximadamente R$ 131,2 milhões.
O contrato vigorou até a liquidação do Banco Master, em novembro de 2025.
O escritório de Viviane informou anteriormente ter produzido pareceres e participado de reuniões de trabalho para a instituição financeira, negando qualquer atuação em processos do banco perante o Supremo.
O valor elevado, a amplitude dos serviços previstos e a participação de Moraes na análise da minuta passaram a ser examinados em conjunto com as mensagens encontradas no celular de Vorcaro.
Mensagens ampliaram gravidade do caso
O relatório da Polícia Federal não se restringe ao contrato.
As comunicações divulgadas mostram que Vorcaro procurava um contato identificado como “Alexandre de Moraes BRASILIA” para tratar do avanço das investigações contra o Banco Master.
Em uma das mensagens, o banqueiro pergunta se seria possível “reverter” uma situação com “Paulo ou Andrei”. A PF relaciona os nomes a Paulo Gonet, procurador-geral da República, e Andrei Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal.
Em outra, Vorcaro pede:
“Se o Andrei conseguir atrasar pra outra semana, pois tem feriado, o banco não quebra. Tenta chamar ele e sensibilizar isso se achar possível.”
Dois dias antes de ser preso, o banqueiro também questiona:
“Acha que segunda já tenho que estar fora?”
O conteúdo integral das eventuais respostas de Moraes não foi divulgado. As mensagens não comprovam isoladamente que o ministro tenha atendido aos pedidos, mas mostram a expectativa de Vorcaro de obter orientação ou auxílio por meio daquele contato.
Moraes negou ter recebido as comunicações mais recentes divulgadas e classificou as acusações como “ilação mentirosa”.
Cartões para filhos também repercutem
Outro elemento que chamou atenção nos Estados Unidos foi a informação de que Vorcaro teria autorizado a emissão de cartões de crédito com limite de R$ 300 mil para cada um dos dois filhos de Alexandre e Viviane Moraes.
O dado aparece em mensagem analisada pela Polícia Federal. A autorização, isoladamente, não esclarece se os cartões foram efetivamente emitidos, utilizados ou quem seria responsável pelo pagamento das despesas.
Essas informações ainda precisam ser detalhadas pela investigação.
Mesmo assim, o conteúdo foi compartilhado no X por Jason Miller, ex-conselheiro e aliado de Donald Trump. Na publicação, Miller reagiu com emojis de olhos, utilizados normalmente para indicar atenção ou observação sobre o assunto.
A repercussão mostra que aliados de Trump acompanham os desdobramentos do caso e procuram relacioná-los às acusações já apresentadas contra Moraes nos Estados Unidos.
Miller também repercute suposto pagamento com imóvel
Jason Miller compartilhou ainda uma publicação segundo a qual Viviane Barci de Moraes teria aceitado receber um imóvel ligado a Vorcaro como forma de pagamento.
Nesse caso, o norte-americano reagiu com um emoji de dúvida.
A informação precisa ser tratada como alegação reproduzida em uma publicação, e não como fato definitivamente comprovado. É necessário verificar a existência do imóvel, sua propriedade, os documentos da negociação e se a proposta chegou a ser concretizada.
A reação de Miller, porém, amplia a circulação internacional das acusações envolvendo Moraes e sua família.
Relatório foi tornado público por Mendonça
O conteúdo ganhou repercussão depois que o ministro André Mendonça retirou o sigilo da Petição 16.662.
Mendonça também pediu ao presidente do STF, Edson Fachin, a convocação de uma sessão presencial do plenário para analisar os elementos apresentados pela Polícia Federal.
O relator afirmou que o caminho dos autos leva “inevitavelmente” ao colegiado e defendeu que a discussão aconteça de forma pública e transparente.
Paulo Gonet pediu a anulação do relatório. O procurador-geral argumenta que Mendonça não poderia determinar uma investigação envolvendo outro ministro do STF sem autorização prévia do plenário.
A PF sustenta que trabalhou sobre dados já existentes no celular legalmente apreendido de Vorcaro e apenas identificou interlocutores, contextos e vínculos encontrados no acervo da Operação Compliance Zero.
Caso pode ser incorporado à disputa judicial nos EUA
As novas revelações não alteram automaticamente o mérito da ação movida por Trump Media e Rumble na Flórida.
O processo norte-americano discute principalmente os efeitos extraterritoriais das decisões de Moraes sobre plataformas, empresas e usuários nos Estados Unidos. O contrato com o Banco Master e as mensagens de Vorcaro pertencem a outro contexto jurídico.
Apesar disso, o material pode ser utilizado politicamente pelas empresas para reforçar a narrativa de que a atuação do ministro precisa ser submetida a controles externos.
Qualquer tentativa de incorporar formalmente as revelações ao processo dependerá de sua relevância jurídica e da autorização do tribunal norte-americano.
Crise brasileira atravessa fronteiras
A palavra “inacreditável”, publicada por Martin De Luca, é curta, mas politicamente significativa.
Ela parte de um advogado que já enfrenta Moraes em uma corte federal norte-americana e que acompanha os questionamentos sobre os limites da autoridade do ministro fora do Brasil.
A repercussão de Glenn Greenwald e Jason Miller mostra que as revelações do caso Master passaram a circular entre jornalistas, advogados e aliados de Donald Trump.
Moraes agora enfrenta questionamentos simultâneos no Brasil e no exterior: no Supremo, sobre sua relação com Vorcaro; no Senado, diante dos pedidos de impeachment; e nos Estados Unidos, em uma ação que discute os efeitos internacionais de suas decisões.
O Contribuinte continuará acompanhando os desdobramentos da ação na Flórida e as manifestações internacionais sobre o caso. As informações sobre o contrato foram divulgadas pela imprensa brasileira e confirmadas parcialmente pelo escritório Barci de Moraes; as demais suspeitas ainda dependem de investigação e manifestação das pessoas citadas.