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Flávio convoca manifestação “Fora Lula e Fora Moraes” para o 7 de Setembro

Senador marcou mobilização para as 15 horas na Avenida Paulista e pretende ampliar a pressão sobre o Senado pelo impeachment do ministro do STF.

O senador Flávio Bolsonaro convocou seus apoiadores para uma manifestação marcada para a próxima segunda-feira, 7 de setembro, às 15 horas, na Avenida Paulista, em São Paulo.

O ato terá como palavras de ordem “Fora Lula” e “Fora Moraes”, segundo publicação feita pelo parlamentar no X. Na convocação, Flávio informou o horário e o local da mobilização e questionou seus seguidores:

“Dia 7/Set, às 15:00, na Av. Paulista: Fora Lula e Fora Moraes! Quem vai?”

A manifestação ocorrerá em meio à repercussão nacional das mensagens encontradas pela Polícia Federal no celular de Daniel Vorcaro e à pressão pela abertura de um processo de impeachment contra Alexandre de Moraes no Senado.

Convocação veio após discurso no Senado

A publicação foi feita no contexto do posicionamento adotado por Flávio durante sessão no Senado Federal realizada nesta terça-feira, 1º de setembro.

No plenário, o senador repercutiu as revelações do caso Banco Master, voltou a defender o impeachment de Moraes e cobrou diretamente uma posição do presidente da Casa, Davi Alcolumbre.

Para Flávio, as informações divulgadas deixaram de exigir apenas explicações públicas e passaram a justificar uma atuação formal do Senado.

A manifestação do dia 7 pretende levar essa cobrança às ruas e aumentar a pressão popular sobre Alcolumbre e os demais senadores.

Caso Vorcaro estará no centro da mobilização

A convocação ocorre depois da divulgação de uma sequência de mensagens atribuídas a Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master.

Nas comunicações, o banqueiro procura um contato identificado pela PF como Alexandre de Moraes para tratar do avanço da Operação Compliance Zero.

Em uma delas, Vorcaro pergunta:

“Não conseguimos reverter isso com Paulo ou Andrei? Muita sacanagem isso.”

A Polícia Federal relaciona as referências a Paulo Gonet, procurador-geral da República, e Andrei Rodrigues, diretor-geral da corporação.

Em outra mensagem, o banqueiro sugere que Moraes tente convencer Andrei a adiar uma medida policial:

“Se o Andrei conseguir atrasar pra outra semana, pois tem feriado, o banco não quebra. Tenta chamar ele e sensibilizar isso se achar possível.”

Dois dias antes de ser preso, Vorcaro também questionou Moraes:

“Acha que segunda já tenho que estar fora?”

As respostas atribuídas ao ministro não foram divulgadas integralmente. As mensagens, isoladamente, não comprovam que Moraes tenha atendido aos pedidos, mas revelam que Vorcaro o considerava um interlocutor capaz de alcançar o comando da PF e da PGR.

Contrato milionário ampliou repercussão

O conteúdo ganhou maior gravidade política por causa do contrato de aproximadamente R$ 131 milhões firmado entre o Banco Master e o escritório de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro.

Metadados do arquivo indicaram que a versão final da minuta foi modificada em um perfil do Office 365 identificado como “Ministro Alexandre de Moraes”.

O escritório confirmou que Moraes foi consultado sobre a legalidade da contratação. Segundo a explicação apresentada, o setor de compliance procurou o ministro para verificar a existência de eventuais impedimentos e concluiu que não havia previsão de atuação no Supremo.

A confirmação afastou a versão de que Moraes desconhecia completamente o acordo comercial mantido pelo banco com o escritório de sua família.

A participação do ministro no exame do contrato, somada às mensagens posteriores de Vorcaro, passou a alimentar pedidos de investigação e impeachment.

Mobilização busca pressionar Alcolumbre

Embora a manifestação tenha como palavras de ordem a saída de Lula e Moraes, a pressão institucional imediata recairá sobre o Senado.

A Constituição atribui à Casa a competência para processar e julgar ministros do STF por crimes de responsabilidade. Entretanto, os pedidos apresentados dependem de encaminhamento dentro do Senado.

Flávio responsabiliza Davi Alcolumbre pela paralisação das representações e cobra a abertura de um processo que permita examinar formalmente as acusações.

O ato na Paulista pretende mostrar que a cobrança não está restrita aos discursos parlamentares.

Manifestação não substitui investigação

A mobilização política não define responsabilidade criminal nem substitui o devido processo legal.

Moraes possui direito ao contraditório, à ampla defesa e à presunção de inocência. As mensagens precisam ser periciadas e contextualizadas, principalmente porque ainda não foi divulgado o conteúdo completo das respostas atribuídas ao ministro.

Entretanto, a exigência de investigação também faz parte do Estado de Direito.

Pedir que as instituições examinem a conduta de uma autoridade não equivale a condená-la antecipadamente. Significa defender que integrantes do topo da República sejam submetidos a mecanismos reais de controle.

Gonet tenta anular relatório

Enquanto cresce a mobilização pelo impeachment de Moraes, Paulo Gonet pediu ao STF a anulação do relatório da PF que detalha as comunicações de Vorcaro.

O procurador-geral sustenta que André Mendonça teria ultrapassado sua competência ao determinar uma análise que resultou em 188 páginas dedicadas a Alexandre de Moraes.

A PF afirma que utilizou dados brutos já existentes no acervo da Operação Compliance Zero e que seu trabalho consistiu na identificação dos interlocutores encontrados no celular do banqueiro.

O próprio Gonet aparece citado no material. Essa circunstância provocou uma reclamação disciplinar no Conselho Nacional do Ministério Público, com pedidos de impedimento no caso Master e afastamento cautelar do procurador-geral.

Mendonça quer decisão pública

André Mendonça já determinou a retirada do sigilo dos autos e afirmou que o caso será levado “inevitavelmente” ao plenário do Supremo.

O relator também defendeu que a deliberação aconteça de maneira pública, transparente e em sessão presencial.

Portanto, o ato na Paulista ocorrerá enquanto o país aguarda duas definições: a data da sessão no STF e uma resposta de Davi Alcolumbre sobre os pedidos de impeachment.

7 de Setembro amplia temperatura política

A manifestação convocada por Flávio tem potencial para transformar o caso Banco Master em uma das principais pautas políticas do feriado da Independência.

O tamanho da mobilização somente poderá ser medido depois do ato. Até lá, estimativas de público ou afirmações sobre adesão devem ser tratadas como projeções dos organizadores.

O fato político já está colocado: a relação entre Moraes e Vorcaro deixou os documentos da investigação e chegou à disputa nas ruas.

Flávio pretende utilizar o 7 de Setembro para reunir apoiadores, cobrar o Senado e defender que Alexandre de Moraes deixe o Supremo.

A partir de agora, Davi Alcolumbre e os demais senadores terão de decidir se enfrentarão institucionalmente as revelações ou se continuarão tratando o impeachment como um assunto proibido dentro da Casa responsável por julgá-lo.

O Contribuinte acompanhará a mobilização na Avenida Paulista, as manifestações dos participantes e as respostas do Senado e do Supremo. O espaço permanece aberto a todas as autoridades citadas.