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Alcolumbre diz à oposição que a indicação do próximo ministro do STF só vai acontecer em 2027, com o candidato que vencer a eleição

Após derrota histórica, Senado sinaliza que Lula pode ficar sem novas indicações ao Supremo

A crise institucional aberta com a rejeição inédita de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF) ganhou um novo e explosivo capítulo nos bastidores de Brasília. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), teria sinalizado à oposição que qualquer nova indicação ao STF pode ser travada até 2027 — transferindo, na prática, a decisão para o próximo presidente da República.

A articulação ocorre após a derrota histórica do governo Lula no Senado, que rejeitou o nome do advogado-geral da União por 42 votos a 34. Foi a primeira vez em 132 anos, desde 1894, que um indicado ao Supremo foi barrado, marcando um abalo profundo na relação entre Executivo e Legislativo.

Nos corredores do Congresso, senadores relatam que pediram diretamente a Alcolumbre que segure novas indicações ao menos até o fim do processo eleitoral. A avaliação predominante é que qualquer nome enviado por Lula, neste momento, corre alto risco de rejeição, especialmente sem alinhamento prévio com o Senado.

A movimentação revela uma mudança significativa no equilíbrio de forças: o Senado deixa de atuar apenas como casa revisora e passa a impor condições políticas explícitas para a ocupação de cadeiras no STF.

Entre parlamentares, há a leitura de que o único nome hoje com viabilidade real seria o do ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSB-MG), que conta com o aval de Alcolumbre e transita com menos resistência entre diferentes blocos. Ainda assim, até essa possibilidade é vista com cautela diante do ambiente eleitoral já contaminado.

“A dificuldade é evidente. O processo eleitoral vai interferir diretamente. Dificilmente haverá análise de um novo nome antes da eleição, a não ser em um cenário muito específico”, afirmou o senador Efraim Filho (PL-PB).

Durante a sabatina de Messias na Comissão de Constituição e Justiça, o movimento já havia sido antecipado. Senadores como Márcio Bittar (PL-AC) e Marcos Rogério (PL-RO) defenderam abertamente que a escolha do próximo ministro fique para o presidente eleito em outubro, abrindo caminho para que a composição do STF seja influenciada diretamente pelo resultado das urnas.

Nos bastidores, a derrota de Messias é atribuída diretamente à atuação de Alcolumbre, que teria se irritado com a decisão de Lula de ignorar sua indicação preferida, justamente Rodrigo Pacheco. O presidente do Senado, inclusive, rompeu uma tradição ao não receber Messias para conversas prévias, além de, segundo relatos, atuar na construção de votos contrários.

O placar final surpreendeu até mesmo aliados do governo, que projetavam vitória com até 48 votos favoráveis. O resultado foi classificado por senadores como “acachapante” e expôs fragilidades graves na articulação política do Planalto.

A oposição não perdeu tempo. Líderes bolsonaristas trataram o episódio como um divisor de águas e um recado direto ao governo.

“O Senado deixou claro que não aceitará interferências. Foi um marco”, declarou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que também projeta o impacto da decisão no cenário eleitoral.

A leitura entre oposicionistas é de que o episódio inaugura um novo ciclo político, em que o Congresso passa a impor derrotas sucessivas ao Executivo — inclusive em temas estratégicos e institucionais.

Enquanto isso, Jorge Messias tentou adotar um tom mais cauteloso após a derrota. Reconheceu o desgaste sofrido durante o processo e mencionou uma campanha de desconstrução de sua imagem, sem apontar diretamente os responsáveis.

“Não é fácil passar por uma reprovação. Sabemos o que aconteceu”, afirmou.

Com o STF no centro da disputa política e o Senado disposto a endurecer o jogo, o impasse sobre futuras indicações pode se arrastar, e transformar uma prerrogativa constitucional do presidente em mais um campo de disputa eleitoral antecipada.