Relatório reproduz mensagens trocadas entre Ed Carlo Burgatt e o advogado Gabriel Taquino, nas quais ambos comentam contratos envolvendo municípios sul-mato-grossenses e demonstram expectativa com os valores que poderiam ser recebidos.
As investigações da Operação Gutenberg continuam revelando detalhes dos bastidores do suposto esquema que, segundo o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), movimentou aproximadamente R$ 27 milhões em contratos públicos para aquisição de livros paradidáticos e teria utilizado a estrutura da regulação estadual da saúde para ampliar negócios junto a municípios.
Um dos trechos que mais chamou a atenção no relatório do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) reúne mensagens atribuídas ao então coordenador estadual de Regulação Assistencial, Ed Carlo Britto Burgatt, e ao advogado Gabriel Taquino de Paula, ambos presos durante a operação.
Segundo o relatório, a conversa ocorreu enquanto os investigados acompanhavam a possibilidade de fechamento de contratos envolvendo municípios do interior de Mato Grosso do Sul.
“Ali é aposentadoria”
Em um dos trechos reproduzidos pelo Ministério Público, Gabriel Taquino demonstra entusiasmo com a perspectiva de um contrato relacionado ao município de Três Lagoas.
“Ali é aposentadoria.”
Na sequência, acrescenta:
“É uma grana que demoraríamos anos para ganhar.”
Ed Carlo responde demonstrando compartilhar da expectativa criada em torno da negociação.
Para os investigadores, os diálogos ajudam a contextualizar a relevância financeira que determinados contratos possuíam para os integrantes do grupo investigado.
“Essa semana vai ser bem próspera”
Em outro momento citado no relatório, Ed Carlo comenta que pretendia participar de reuniões relacionadas ao município de Caarapó.
Segundo a investigação, a conversa indica que os investigados acreditavam que novas negociações poderiam resultar em outros contratos.
Em determinado trecho, Ed Carlo afirma:
“Essa semana vai ser bem próspera.”
O relatório também registra diálogos em que os investigados discutem valores que poderiam ser obtidos caso determinadas negociações fossem concluídas.
“Dinheiro é dinheiro”
Outro trecho destacado pelo Gaeco revela a disposição atribuída aos investigados para ampliar o número de contratos.
Durante a conversa, um deles afirma que até contratos de menor valor seriam interessantes.
Ed Carlo então responde:
“Não tem tamanho nem distância… dinheiro é dinheiro. Vamos fechar tudo que der.”
Segundo o Ministério Público, esse conjunto de mensagens integra o material utilizado para compreender a dinâmica da suposta organização criminosa.
Conversas serão confrontadas com outras provas
Os diálogos não são analisados isoladamente.
Segundo a investigação, as mensagens passam por cruzamento com contratos administrativos, documentos fiscais, transferências bancárias, celulares apreendidos, extratos financeiros e demais provas recolhidas durante a Operação Gutenberg.
A intenção do Ministério Público é verificar se o conteúdo das conversas encontra correspondência com os contratos efetivamente firmados e com a movimentação financeira investigada.
Até o momento, a Operação Gutenberg resultou em prisões preventivas, buscas e apreensões em Mato Grosso do Sul, São Paulo e Goiás. A investigação prossegue e os fatos ainda serão analisados pelo Poder Judiciário.
As mensagens reproduzidas nesta reportagem constam do relatório investigativo do Ministério Público. A responsabilidade criminal dos investigados será definida ao longo do processo, sendo assegurados a todos a ampla defesa, o contraditório e a presunção de inocência.
Veja:
