O ex-deputado estadual Marcelo Tavares assumiu o comando do Tribunal de Contas do Maranhão (TCE-MA) nesta segunda-feira (17). A alteração ocorreu após o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), afastar do cargo o conselheiro Daniel Brandão pelo período de 180 dias.
Daniel Brandão, sobrinho do atual governador Carlos Brandão, foi citado pela Polícia Federal como suspeito em um caso de assassinato de João Bosco Sobrinho Pereira de Oliveira, em 2022. A decisão de afastamento também proíbe o investigado de acessar sistemas da Corte, usar bens públicos e manter contato formal com o seu tio.
O crime pelo qual Daniel Brandão é investigado ocorreu no contexto de um esquema envolvendo repasses indevidos de recursos públicos. A PF destaca que Daniel convocou a reunião para dividir valores ilícitos e saiu pouco antes dos tiros de Gilbson Júnior contra João Bosco. Para a PF, a Polícia Civil omitiu dados essenciais.
O caso chegou ao STF após passar pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) devido a suspeitas contra o senador Weverton Rocha (PDT-MA), que teria atuado para acobertar o crime. O ministro apontou que o inquérito original tentou abafar as verdadeiras motivações e proteger intermediários da cúpula dessa organização política no estado.
Já o novo dirigente do TCE-MA, Marcelo Tavares, tem um longo histórico de aliança com o ministro da Suprema Corte. Ele foi conselheiro de Dino à época em que o magistrado era governador do estado, entre 2015 e 2022. O ex-parlamentar também chefiou a Casa Civil maranhense entre 2014 e 2018 e reassumiu a posição em 2019. Ele foi o grande articulador político de Flávio Dino na Assembleia Legislativa até ser nomeado conselheiro.