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Após aval do Bird, Riedel acelera execução do Rodar MS e antecipa projetos

Reunião define cronograma de aplicação após liberação oficial dos recursos

Uma reunião marcada para esta terça-feira (28), em Campo Grande, deve definir o cronograma de aplicação de um dos maiores pacotes de investimento em infraestrutura rodoviária de Mato Grosso do Sul nos últimos anos. Com cerca de R$ 1 bilhão já disponíveis, o programa Rodar MS entra na fase em que o discurso dá lugar à execução, e onde historicamente se concentram os maiores desafios da administração pública.

Os extratos dos contratos de empréstimo junto ao Bird (Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento), no valor de US$ 200 milhões, foram publicados no Diário Oficial do Estado desta segunda-feira (27), formalizando a liberação dos recursos. Na prática, isso significa que o governo estadual já pode iniciar a aplicação do dinheiro.

O governador Eduardo Riedel (PP) confirmou que a gestão optou por antecipar etapas do processo, elaborando projetos antes mesmo da confirmação do financiamento.

“A partir da disponibilidade, a gente começa a executar os projetos que a gente já tinha. Fizemos na confiança de que ia sair o recurso, para não esperar o dinheiro sair, ter que fazer o projeto e aplicar”, afirmou.

A estratégia revela uma tentativa de ganhar tempo, um dos principais gargalos em obras públicas , mas também expõe um modelo de gestão baseado em risco calculado, já que a elaboração prévia de projetos sem garantia formal de recursos nem sempre é prática comum na administração pública.

O Rodar MS prevê investimentos em até 800 quilômetros de rodovias estaduais, distribuídos em diversas regiões. O pacote inclui tanto obras de pavimentação e manutenção quanto a adoção de parcerias público-privadas (PPPs), modelo que vem sendo utilizado como alternativa para ampliar a capacidade de investimento sem pressionar diretamente o caixa do Estado.

Os recursos são resultado de uma articulação que envolve financiamento internacional e contrapartida nacional. O contrato com o Bird soma US$ 200 milhões, enquanto o Governo Federal aporta mais US$ 50 milhões. Com a cotação atual, o montante chega a cerca de R$ 1,2 bilhão.

O acordo foi formalizado no último dia 14 de abril, com a assinatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do governador Eduardo Riedel, em agenda que contou com a presença de parlamentares sul-mato-grossenses. Dias antes, em 10 de abril, o Estado já havia concluído a contratação do crédito internacional.

Na ponta, os investimentos devem alcançar municípios como Naviraí, Nova Andradina, Paranaíba e Três Lagoas, além de cidades menores que historicamente enfrentam dificuldades de acesso e logística. Ao todo, serão contempladas rodovias estratégicas como as MS-141, MS-145, MS-290, MS-276 e MS-395, entre outras.

Do total previsto, cerca de 590 quilômetros serão alvo de obras diretas de recuperação e ampliação, especialmente nas regionais de Naviraí e Nova Andradina. Outros 210 quilômetros serão incluídos em um modelo de concessão via PPP, nas rodovias MS-377 e MS-240, com contratos previstos para até 30 anos.

Esse formato híbrido, combinando investimento público direto com concessões de longo prazo ,tem sido adotado como alternativa para dar escala a projetos de infraestrutura em um cenário de restrições fiscais. Por outro lado, exige capacidade de regulação e fiscalização por parte do Estado, sob risco de comprometer a qualidade da entrega ao longo do tempo.

A reunião desta terça-feira será, portanto, mais do que um ato administrativo: é o ponto de partida para medir a capacidade do governo em transformar um volume expressivo de recursos em obras concretas. Em projetos dessa magnitude, o histórico mostra que o desafio não está apenas em obter financiamento, mas em garantir execução eficiente, dentro do prazo e com impacto real para a população.

O Rodar MS, agora com dinheiro em caixa, deixa de ser promessa e passa a ser teste de gestão