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Após Tereza aceitar ser vice, PP reafirma neutralidade e Flávio mantém negociação aberta

Decisão da cúpula do PP frustra anúncio imediato da composição, mas não encerra a tentativa de incluir a ex-ministra da Agricultura na chapa presidencial.

O aceite de Tereza Cristina para ser candidata a vice-presidente na chapa de Flávio Bolsonaro não foi suficiente para alterar, até o momento, a posição oficial do Progressistas.

Depois de consultar os diretórios estaduais, a cúpula nacional do partido comunicou à senadora que permanecerá neutra na disputa pelo Palácio do Planalto.

A decisão criou um cenário politicamente contraditório dentro da legenda: Tereza aceitou o convite, Flávio confirmou publicamente o acordo entre os dois, mas o partido ao qual a senadora é filiada preferiu não apoiar oficialmente nenhuma candidatura presidencial.

O Progressistas iniciou na quarta-feira uma série de consultas às suas direções estaduais para saber se havia ambiente interno para rever a neutralidade e aderir à candidatura de Flávio.

Segundo as informações encaminhadas ao O Contribuinte, a maioria dos diretórios preferiu manter distância formal da disputa nacional.

A posição foi comunicada a Tereza depois de a senadora demonstrar disposição para integrar a chapa.

Flávio confirma que Tereza aceitou

Antes de o partido anunciar sua decisão, Flávio Bolsonaro confirmou publicamente que havia feito o convite e recebido uma resposta positiva da senadora.

“A Tereza Cristina é um quadro excepcional, foi ministra do presidente Bolsonaro, uma referência em várias áreas, em especial no agro, respeitadíssima dentro da política, dentro do país e fora do país. Então, o convite foi feito, ela aceitou e agora estamos nas conversas para saber se o partido vai avançar ou não”, declarou.

A manifestação de Flávio confirma que o principal obstáculo já não era mais a decisão pessoal de Tereza.

A senadora havia sinalizado disposição para participar da chapa, mas dependia de uma construção política dentro do Progressistas e da federação partidária.

Com a reafirmação da neutralidade, a vaga permanece formalmente aberta.

Tereza havia recusado inicialmente

A possibilidade de Tereza integrar a chapa passou por diferentes etapas.

Inicialmente, a senadora teria recusado a proposta por considerar como prioridade a disputa pela presidência do Senado Federal em 2027.

Seu projeto político seria permanecer no Congresso, fortalecer sua posição entre os senadores e tentar chegar ao comando da Casa.

As conversas, porém, avançaram.

Flávio procurou novamente a senadora e conseguiu dela um aceno favorável à composição presidencial.

Segundo as informações apresentadas ao O Contribuinte, Tereza também teria estabelecido condições para aceitar o convite.

Uma delas seria a garantia de maior protagonismo feminino em um eventual governo, com mais mulheres ocupando ministérios e cargos estratégicos.

Flávio teria aceitado a condição.

O aceite animou parte do partido

A resposta positiva de Tereza chegou a movimentar uma ala do Progressistas próxima ao PL e ao grupo político de Jair Bolsonaro.

Esse segmento passou a defender que o partido abandonasse a neutralidade e autorizasse a participação da senadora na chapa presidencial.

Tereza é considerada uma das principais lideranças nacionais do PP.

Ex-ministra da Agricultura, ela possui forte presença no agronegócio, influência no Congresso e boa interlocução com dirigentes partidários, governadores, empresários e representantes do setor produtivo.

Mesmo com esse peso, o grupo favorável à aliança não teria conseguido formar maioria entre os diretórios estaduais.

A cúpula decidiu respeitar a posição predominante e reafirmou a neutralidade.

Por que o PP prefere a neutralidade

A explicação oficial é que o partido precisa considerar as diferentes realidades eleitorais existentes no país.

Em estados onde o eleitorado de direita é majoritário, uma aliança com Flávio poderia beneficiar candidatos locais.

Em outras regiões, especialmente onde Lula e o PT possuem maior força, o apoio ao candidato do PL poderia criar dificuldades para deputados, senadores, governadores e lideranças do Progressistas.

A neutralidade permite que cada diretório administre seu próprio cenário eleitoral sem ficar obrigado a seguir uma orientação presidencial única.

Esse argumento foi decisivo na consulta interna.

Na prática, o PP preferiu preservar seus projetos estaduais a assumir uma posição nacional em torno da candidatura de Flávio.

Tereza tem peso suficiente para manter negociação viva

Apesar da decisão do partido, a possibilidade de uma composição ainda não foi considerada encerrada.

Tereza Cristina foi eleita senadora por Mato Grosso do Sul em 2022 com 829.149 votos, tornando-se a candidata ao Senado mais votada da história do Estado.

Antes disso, exerceu dois mandatos como deputada federal e comandou o Ministério da Agricultura durante o governo de Jair Bolsonaro.

Sua trajetória a transformou em uma das principais vozes do agronegócio brasileiro.

Tereza também possui influência na Frente Parlamentar da Agropecuária, que reúne cerca de 330 deputados e senadores.

Esse capital político ajuda a explicar por que Flávio ainda não desistiu de sua indicação, mesmo depois da manifestação do Progressistas.

Flávio admite indefinição

Ao comentar as negociações com partidos do centro, Flávio reconheceu que as articulações poderiam terminar sem acordo.

Segundo ele, “tudo pode acontecer, inclusive nada”.

A frase demonstra que o senador sabe que o aceite pessoal de Tereza não resolve sozinho o impasse partidário.

Para que a composição avance, será necessário construir uma solução que contemple a senadora e, ao mesmo tempo, não obrigue todos os diretórios do Progressistas a aderirem ao palanque do PL.

Uma das possibilidades discutidas nos bastidores seria a liberação da senadora para integrar a chapa, mantendo neutros os filiados e diretórios que não desejarem participar da campanha.

Essa alternativa ainda depende de entendimento político, partidário e eleitoral.

Chapa puro-sangue aparece como alternativa

Sem o apoio do Progressistas ou de outra legenda, Flávio poderá ser levado a formar uma chapa inteiramente composta por integrantes do PL.

Entre os nomes mencionados estão a vereadora Priscila Costa, do Ceará, e a deputada federal Júlia Zanatta, de Santa Catarina.

As duas possuem forte identificação com o bolsonarismo e com o eleitorado conservador.

No entanto, uma escolha interna não produziria a mesma ampliação partidária e eleitoral que Tereza Cristina poderia oferecer.

A senadora agregaria à chapa experiência administrativa, diálogo com o centro, ligação com o agronegócio e força política em uma região estratégica do país.

Neutralidade não encerra a disputa

A decisão do Progressistas representa um obstáculo importante, mas ainda não significa o encerramento definitivo da articulação.

Flávio confirmou que Tereza aceitou o convite e deixou claro que continua aguardando uma solução partidária.

A cúpula do PP, por sua vez, reafirmou a neutralidade, mas terá de administrar a pressão de lideranças internas, empresários e representantes do agronegócio favoráveis à composição.