Governo argentino passa a ter entre as possibilidades recorrer a fóruns diplomáticos e políticos ligados ao Escudo das Américas, aliança liderada pelos Estados Unidos.
A decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), de negar o pedido para que o presidente da Argentina, Javier Milei, visitasse o ex-presidente Jair Bolsonaro, pode produzir reflexos que vão além da política brasileira e alcançar o cenário diplomático das Américas.
Integrantes da comunidade diplomática e analistas internacionais avaliam que uma das possibilidades abertas após a negativa é que o episódio seja levado ao debate entre os países que integram o Escudo das Américas, coalizão criada neste ano pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
A aliança reúne governos conservadores da América Latina alinhados à política externa de Washington e tem a Argentina como um de seus principais integrantes.
Negativa amplia repercussão
Neste sábado (18), Alexandre de Moraes rejeitou o pedido da defesa de Jair Bolsonaro para autorizar a visita de Javier Milei, prevista para o próximo dia 25 de julho.
Ao negar a solicitação, o ministro afirmou que Bolsonaro continua submetido às medidas cautelares impostas pelo STF e considerou o pedido “prejudicado”, já que a decisão anunciada na sexta-feira (17) proibiu visitas com finalidade político-eleitoral até o fim das eleições.
Além disso, Moraes fez um novo alerta à defesa do ex-presidente, afirmando que eventual descumprimento das medidas poderá resultar na revogação da prisão domiciliar humanitária e no retorno de Bolsonaro ao sistema prisional em regime fechado.
Caso pode ganhar dimensão internacional
A negativa chamou atenção porque envolve diretamente um chefe de Estado estrangeiro.
Javier Milei havia anunciado publicamente que viajaria ao Brasil para apoiar a pré-candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro e visitar Jair Bolsonaro.
Com a decisão do STF, o encontro foi oficialmente impedido.
Nos bastidores, a avaliação é que o episódio poderá ampliar a repercussão internacional do caso Bolsonaro, especialmente entre governos latino-americanos alinhados a Milei e ao presidente Donald Trump.
Nesse contexto, uma das possibilidades discutidas por observadores da política internacional é que o tema venha a ser tratado em ambientes diplomáticos ligados ao Escudo das Américas.
Brasil pode enfrentar novo desgaste externo
Caso a questão venha a ser debatida dentro da coalizão, o episódio poderá ampliar o desgaste internacional envolvendo o Brasil, que já enfrenta críticas de setores políticos estrangeiros em razão das decisões judiciais relacionadas ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
Nos últimos meses, integrantes do governo norte-americano e parlamentares dos Estados Unidos fizeram manifestações públicas sobre decisões do Supremo Tribunal Federal envolvendo liberdade de expressão, plataformas digitais e lideranças da oposição brasileira.
Coalizão reúne principais aliados de Washington
Criado neste ano por iniciativa do presidente Donald Trump, o Escudo das Américas reúne países como Argentina, El Salvador, Paraguai, Equador, Chile, Panamá, Costa Rica, República Dominicana, Guiana, Honduras, Bolívia e Trinidad e Tobago.
Oficialmente, a coalizão foi criada para ampliar a cooperação no combate ao narcotráfico, ao crime organizado e à imigração ilegal, além de fortalecer a presença estratégica dos Estados Unidos no Hemisfério Ocidental.
Na prática, porém, o grupo também passou a representar um importante fórum político entre governos conservadores da região.