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Chefe da Regulação da saúde de MS preso: polícia investiga patrimônio familiar e possível ocultação de bens

Coordenador estadual da Regulação Assistencial da SES e sua filha estão entre os presos preventivamente na Operação Gutenberg.

A prisão preventiva do coordenador estadual de Regulação Assistencial da Secretaria de Estado de Saúde (SES), Ed Carlos Britto Burgatt, colocou no centro da Operação Gutenberg um dos setores mais estratégicos da saúde pública de Mato Grosso do Sul.

Além de apurar a atuação do servidor no suposto esquema investigado pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), a investigação também avança sobre a estrutura patrimonial ligada à família de Burgatt.

Entre as linhas investigativas está a análise da empresa Capital Saúde, registrada em nome de Jéssyca Burgatt, filha de Ed Carlos, que também foi presa preventivamente durante a operação.

Segundo informações obtidas pela reportagem, investigadores apuram se Jéssyca exercia efetivamente a administração da empresa ou se figurava formalmente no quadro societário enquanto o verdadeiro controlador seria seu pai. Essa hipótese faz parte das diligências patrimoniais conduzidas pelas autoridades e, até o momento, não há conclusão oficial sobre o tema.

Prisões ocorreram simultaneamente

Ed Carlos foi preso em sua residência, localizada no Jardim Panamá, em Campo Grande.

Já Jéssyca Burgatt foi conduzida ao 2º Distrito Policial após o cumprimento do mandado de prisão preventiva.

O advogado Mário Afonso Teixeira confirmou as prisões e informou que acompanharia o caso para tomar conhecimento do conteúdo integral da investigação.

Empresa entrou no radar

A Capital Saúde, sediada em Campo Grande, passou a integrar o foco das apurações patrimoniais.

O objetivo é identificar a origem dos recursos utilizados pela empresa, sua estrutura financeira e eventual relação com os fatos investigados pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS).

Os investigadores também analisam movimentações financeiras, contratos, documentos e outros elementos apreendidos durante a operação.

Até o momento, o MPMS não divulgou qualquer conclusão sobre eventual responsabilidade da empresa ou de seus sócios.

Regulação da Saúde

Ed Carlos ocupava um dos cargos mais sensíveis da Secretaria de Estado de Saúde.

Como coordenador estadual da Regulação Assistencial, era responsável por um sistema que organiza o acesso de pacientes do SUS a consultas especializadas, exames de alta complexidade, internações, cirurgias e leitos hospitalares em todo Mato Grosso do Sul.

Segundo o MPMS, uma das hipóteses investigadas é que a influência sobre esse sistema tenha sido utilizada para favorecer interesses do grupo investigado.

Também é apurada a suspeita de que autorizações para exames, cirurgias e internações, em situações específicas investigadas, tenham servido como instrumento de pressão para aquisição de livros comercializados pela organização.

Esquema investigado

A Operação Gutenberg apura um suposto esquema de mais de R$ 27 milhões envolvendo contratos públicos de livros paradidáticos, corrupção, fraude em contratações públicas e lavagem de dinheiro.

Segundo o MPMS, empresários e servidores públicos teriam atuado de forma coordenada para direcionar contratos e distribuir recursos entre pessoas físicas e jurídicas, com o objetivo de ocultar a origem dos valores.

As investigações prosseguem e todos os investigados permanecem amparados pelos princípios constitucionais da ampla defesa, do contraditório e da presunção de inocência.