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Com apoio da família Bolsonaro e 22 propostas para MS, Ana Portela chega às urnas como nome de renovação para a Assembleia

Candidata encerra campanha após percorrer municípios, realizar grandes mobilizações e receber manifestações públicas de nomes ligados ao PL e à família Bolsonaro

Da primeira eleição para vereadora de Campo Grande, em 2024, à primeira disputa por uma cadeira na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul em 2026. Em apenas dois anos, Ana Portela (PL) saiu de uma candidatura municipal apoiada por Jair Bolsonaro para uma campanha estadual que termina com Michelle Bolsonaro pedindo votos para ela e uma plataforma de 22 propostas para Mato Grosso do Sul.

Neste sábado (3), último dia antes das eleições, Ana chega ao fim de sua primeira caminhada estadual depois de uma campanha marcada por mobilizações em Campo Grande, viagens pelo interior, forte presença nas redes sociais e manifestações públicas de apoio de lideranças de seu campo político.

A votação acontece neste domingo, 4 de outubro.

Ana tenta chegar pela primeira vez à Assembleia e se apresenta ao eleitor como um dos nomes de renovação da composição do Legislativo estadual. O resultado, porém, dependerá das urnas e das regras do sistema proporcional.

A campanha termina praticamente da mesma maneira como começou: apostando em presença nas ruas.

Uma campanha que começou com mais de 2 mil pessoas

O primeiro grande sinal dessa estratégia veio ainda no lançamento oficial da candidatura.

Realizado simbolicamente em um dia 22, número eleitoral do PL, o lançamento reuniu mais de 2 mil pessoas, segundo números divulgados pela organização.

O evento contou com lideranças políticas e partidárias e marcou a saída de Ana de uma atuação essencialmente municipal para uma campanha que precisaria conquistar votos em todo Mato Grosso do Sul.

Ali começava o desafio central da candidata: levar para o Estado o nome construído em Campo Grande.

Durante os meses seguintes, Ana percorreu municípios e participou de reuniões e agendas em diferentes regiões de MS. A campanha buscou apresentar sua trajetória na Capital ao mesmo tempo em que introduzia propostas voltadas ao interior.


22 propostas para Mato Grosso do Sul

Foi nesse percurso que Ana apresentou as chamadas “22 ações para mudar o MS”, plataforma eleitoral dividida em áreas como saúde, segurança, educação, juventude, infraestrutura, empreendedorismo e políticas para mulheres.

Na saúde, entre as propostas estão o Programa Mãe Sul-Mato-Grossense, acompanhamento pós-parto, transparência na regulação de leitos de UTI, ampliação do atendimento relacionado ao autismo, políticas para doenças raras e expansão de serviços especializados no interior.

Na segurança, Ana propõe utilização de tecnologia no monitoramento da fronteira, câmeras com leitura de placas e ações integradas contra o tráfico de drogas.

Para educação e juventude, a plataforma inclui polos de ensino superior vinculados às vocações econômicas regionais, incentivo ao primeiro emprego, ações de prevenção ao suicídio infantojuvenil, atividades esportivas e culturais nas escolas e medidas de prevenção às drogas.

Empreendedorismo também ocupa espaço no programa, com propostas de acesso ao crédito, incentivos para pequenos negócios e ações voltadas especificamente às mulheres.

São compromissos de campanha. A implementação de cada medida, caso Ana seja eleita, dependerá das competências constitucionais de um deputado estadual e, conforme o caso, de aprovação legislativa, disponibilidade orçamentária e atuação do Poder Executivo.

A força do primeiro mandato entrou na campanha

Ana também utilizou seu primeiro mandato como vereadora como cartão de apresentação.

Eleita em 2024, ela iniciou a atuação na Câmara Municipal em 2025.

Durante o mandato, assumiu a relatoria da CPI do Transporte Público, relacionada ao serviço prestado pelo Consórcio Guaicurus, e apresentou projetos e indicações.

No balanço divulgado pela própria vereadora durante a campanha, são 14 projetos de lei sancionados, mais de 90 projetos apresentados, mais de 3 mil atendimentos realizados e mais de 4 mil indicações de melhorias para Campo Grande.

Entre as iniciativas destacadas pela campanha estão medidas relacionadas à reabilitação de mulheres mastectomizadas, salas de integração sensorial e empreendedorismo feminino.

Foi essa experiência municipal que Ana procurou transportar para o discurso estadual.

De Jair Bolsonaro em 2024 a Michelle em 2026

Outro elemento atravessa as duas eleições disputadas por Ana Portela: sua relação política com a família Bolsonaro.

Em 2024, quando ainda buscava sua primeira vitória eleitoral, Ana recebeu apoio público de Jair Bolsonaro para vereadora de Campo Grande.

A ligação entre as famílias é anterior à entrada de Ana na política. Seu pai, Tenente Portela, mantém amizade de décadas com Jair Bolsonaro.

Depois de eleita, Ana ampliou sua participação dentro do PL e assumiu a presidência do PL Mulher em Mato Grosso do Sul, estrutura partidária comandada nacionalmente por Michelle Bolsonaro.

Em 2026, essa proximidade apareceu novamente.

Só que desta vez com Michelle diretamente na campanha.

Michelle Bolsonaro pede votos para Ana

Em setembro, Ana viajou a Brasília e participou de uma gravação com Michelle Bolsonaro.

O Contribuinte acompanhou os bastidores daquele encontro e antecipou que o material seria utilizado posteriormente na campanha.

Na reta final, o vídeo foi divulgado.

Michelle declarou apoio à candidata e pediu votos para Ana na disputa pela Assembleia, fazendo também referência ao apoio do “Capitão”, expressão utilizada por aliados para Jair Bolsonaro.

Assim, a relação política iniciada eleitoralmente com o apoio de Jair em 2024 atravessou a campanha estadual de 2026 com a participação de Michelle.

Capitão Contar: “a 01 do Capitão”

Ana recebeu ainda o apoio público de Capitão Contar.

Em vídeo divulgado durante a campanha, Contar apresentou a candidata como:

“A 01 do Capitão.”

Na gravação, ele afirmou que Ana possui “garra” e “valores firmes” e declarou voto nela para deputada estadual.

No dia seguinte, Ana e Contar estiveram juntos novamente na motociata e na manifestação de 7 de Setembro, em Campo Grande.

A candidata participou da mobilização ao lado de outras lideranças da direita e levou apoiadores para o ato.

Dani Marques e a agenda econômica

A campanha também teve espaço para pautas econômicas.

Em setembro, Ana gravou com Dani Marques, ex-presidente da Caixa Econômica Federal.

As duas discutiram educação financeira, empreendedorismo, acesso ao crédito, burocracia e impostos.

Ana aproveitou a conversa para apresentar uma iniciativa de seu mandato relacionada à educação financeira e fez críticas à ideia de enriquecimento fácil por meio de apostas.

“É importante para dizer para os jovens do nosso estado que ‘Tigrinho’ não é o futuro”, declarou na ocasião.

Dani, por sua vez, elogiou o trabalho apresentado pela vereadora e defendeu facilidades para abertura de empresas, acesso ao crédito, orientação financeira, redução da burocracia e dos impostos.

Uma campanha também marcada por ataques e problemas nas redes

Nem toda a caminhada foi de apoios e mobilizações.

Ana também reclamou publicamente de ataques durante a eleição.

Em setembro, a candidata relatou uma entrada anormal de bots e seguidores falsos em seu Instagram e afirmou que precisou restringir temporariamente o perfil para tentar conter o problema.

A campanha também reagiu a publicações negativas contra a vereadora.

Aliados atribuíram parte dessas críticas à disputa política e ao espaço conquistado por Ana. Não foram apresentados, entretanto, elementos que permitam responsabilizar adversários específicos pelo episódio dos supostos bots ou relacioná-lo diretamente a outras campanhas.

Última grande reunião lotou praça na Piratininga

Já nos últimos dias antes das urnas, Ana voltou a apostar em mobilização presencial.

Na última grande reunião da campanha, uma praça na região da Avenida Manoel da Costa Lima, na Vila Piratininga, recebeu mais de mil pessoas, segundo a organização.

O encontro teve carros de som e concentração de apoiadores.

Ana utilizou a reunião para agradecer a quem participou da caminhada e pedir mobilização até o último momento permitido pela legislação eleitoral.

O pedido foi para que apoiadores conversassem com familiares, amigos e conhecidos e apresentassem sua candidatura.

A grande reunião terminou.

A campanha seguiu.

Da Capital ao interior

Se em 2024 Ana precisava convencer o eleitor de Campo Grande, em 2026 o território tornou-se muito maior.

A candidata percorreu municípios e buscou construir presença no interior, onde apresentou as 22 propostas e tentou ampliar uma base eleitoral originalmente concentrada na Capital.

Esse é um dos principais testes que as urnas responderão neste domingo.

Pesquisas divulgadas durante a campanha incluíram o nome de Ana na disputa proporcional, mas levantamentos para deputado estadual possuem limitações importantes e não permitem determinar antecipadamente quem será eleito. A distribuição das cadeiras depende dos votos individuais e também do desempenho partidário, conforme as regras do sistema proporcional.

Primeira tentativa de chegar à Assembleia

Ana Portela chega, portanto, ao dia 4 de outubro com uma trajetória eleitoral curta, mas marcada por dois pleitos consecutivos.

Em 2024, disputou sua primeira eleição, recebeu apoio de Jair Bolsonaro e conquistou uma cadeira na Câmara Municipal.

Em 2025, iniciou o primeiro mandato.

Em 2026, assumiu o desafio de disputar uma vaga na Assembleia Legislativa, apresentou 22 propostas, percorreu Mato Grosso do Sul, participou de grandes mobilizações e recebeu apoios públicos como os de Michelle Bolsonaro e Capitão Contar.

Agora, não há mais pesquisa, reunião ou vídeo capaz de substituir aquilo que acontece neste domingo.

Depois de meses de campanha, será o voto dos sul-mato-grossenses que definirá se Ana Portela dará o segundo passo de sua ainda recente trajetória eleitoral e trocará a Câmara Municipal pela disputa de uma cadeira na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul.