Presidenciável já havia dispensado escolta oferecida pela Polícia Federal e passou a utilizar estrutura ligada ao Senado em seus deslocamentos.
A segurança pública não apareceu apenas no discurso de Flávio Bolsonaro durante o primeiro dia oficial da campanha presidencial.
Ela também esteve visível na própria estrutura montada para proteger o candidato.
Flávio participou do ato em Copacabana utilizando colete à prova de balas e, horas depois, afirmou ter recebido mais de 1,8 mil ameaças de morte.
Segundo a campanha, dezenas dessas manifestações resultaram em procedimentos ou investigações conduzidos pela Polícia do Senado.
Colete deve ser permanente
A equipe informou que novas medidas de proteção passaram a ser adotadas diante do que classifica como crescimento das ameaças.
Entre elas estão:
aumento do número de agentes;
utilização permanente de colete balístico;
reforço da segurança em eventos;
e maior controle sobre a aproximação do público.
O coordenador da campanha, Rogério Marinho, confirmou preocupação com a possibilidade de ataques.
Campanha apresenta números
Em nota divulgada anteriormente, a equipe de Flávio apresentou a seguinte classificação das mensagens monitoradas:
868 ameaças explícitas;
647 manifestações classificadas como incitação à violência;
640 referências codificadas;
133 conteúdos relacionados a planejamento ou oportunidade de ataques.
Essas categorias foram fornecidas pela própria campanha.
Trinta casos teriam avançado
Segundo a equipe do candidato, cerca de 30 ameaças teriam gerado investigações da Polícia do Senado Federal.
Flávio afirmou ainda que agentes teriam levado uma pessoa à delegacia em razão de suspeitas relacionadas a um possível ataque planejado para Juiz de Fora.
Os detalhes e o estágio dessas apurações não foram apresentados integralmente nas informações transcritas.
Flávio relaciona ameaças às facções
O senador afirma que as ameaças aumentaram depois de começar a defender publicamente a classificação de facções criminosas como organizações terroristas.
“Foi só eu dizer que vou classificar PCC, CV e milícias como organizações terroristas, já recebi mais de mil e oitocentas ameaças de morte”, declarou.
A relação causal é uma afirmação do próprio candidato e não está demonstrada publicamente apenas pelos dados disponibilizados.
Polícia do Senado faz segurança
Flávio conta atualmente com proteção da Polícia do Senado em Brasília e durante viagens.
Em julho, ele dispensou a escolta oferecida pela Polícia Federal.
Segundo o candidato, havia desconfiança em relação à estrutura federal em razão de a direção da corporação ter sido indicada pelo governo Lula.
A PF possui uma estrutura específica preparada para realizar a segurança de candidatos durante a campanha.
Lembrança do atentado contra Jair Bolsonaro
Aliados frequentemente relacionam as preocupações atuais ao atentado sofrido por Jair Bolsonaro em Juiz de Fora durante a campanha presidencial de 2018.
Flávio já afirmou que não consegue mais circular entre apoiadores com a mesma liberdade que gostaria por receio de que alguém tente “concluir o que não conseguiram fazer” com seu pai.
O episódio de 2018 permanece, portanto, como referência central na estratégia de segurança da campanha.
Eduardo Bolsonaro também faz alerta
Eduardo Bolsonaro afirmou publicamente que o irmão precisa aumentar os cuidados.
Segundo ele, retirar Flávio da disputa produziria consequências eleitorais relevantes.
A declaração elevou o debate sobre a segurança do candidato dentro do próprio grupo político.
Campanha acusa radicalização
Rogério Marinho atribuiu parte do risco a setores radicais da esquerda.
Não existem, porém, evidências públicas apresentadas nas informações disponíveis de que haja uma articulação organizada de grupos políticos de esquerda para assassinar Flávio.
Esse ponto precisa ser diferenciado das ameaças individuais efetivamente registradas.
Histórico de violência política exige cautela
Episódios de violência política já ocorreram no Brasil envolvendo autores e vítimas ligados a diferentes posições ideológicas.
Por isso, ameaças concretas devem ser investigadas individualmente e tratadas como questão de segurança pública, sem atribuição automática de responsabilidade coletiva a partidos ou grupos políticos sem evidências.
Campanha começa sob esquema reforçado
A imagem de Flávio discursando de colete à prova de balas em Copacabana deverá acompanhar a primeira fase de sua campanha.
Ao mesmo tempo em que transforma segurança pública em uma das principais bandeiras eleitorais, o candidato passa a disputar a Presidência sob um esquema de proteção reforçado.
O desafio será manter contato direto com os eleitores, algo que a campanha considera importante, sem reduzir os protocolos adotados para proteger o presidenciável.