Presidente escolheu o Estádio Primeiro de Maio, símbolo de sua trajetória sindical, para iniciar a campanha e prometeu criar um Ministério da Segurança Pública caso a PEC da área seja aprovada.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) escolheu São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, para abrir oficialmente sua campanha em busca de um novo mandato à Presidência da República.
O local não foi escolhido por acaso.
Foi em São Bernardo que Lula construiu sua trajetória política como líder sindical durante as grandes greves do fim dos anos 1970 e início dos anos 1980, em um movimento que ajudou a impulsionar a criação do Partido dos Trabalhadores.
Décadas depois, o petista voltou ao Estádio Primeiro de Maio para tentar transformar memória, simbolismo e trajetória pessoal em força eleitoral.
“Onde tudo começou”
A campanha explorou justamente essa narrativa.
No palco, um dos lemas foi “Onde tudo começou”.
O evento buscou resgatar a imagem do Lula sindicalista, cercado por lideranças históricas, antigos metalúrgicos e aliados políticos.
O presidente relembrou episódios da própria vida, citou intelectuais ligados à formação do PT, falou da mãe, Dona Lindu, e agradeceu repetidas vezes a Deus.
A estratégia foi clara: apresentar a candidatura como continuidade de uma trajetória que atravessa quase cinco décadas de vida pública.

Quarto mandato como objetivo
Lula afirmou que pretende conquistar um quarto mandato presidencial.
Durante o discurso, disse que continuará na política enquanto estiver vivo e voltou a atacar a direita.
O presidente tentou transformar a eleição em uma disputa entre sua trajetória e a possibilidade de retorno de um campo político adversário.
Foi uma fala com forte apelo ideológico e emocional.
Segurança pública ganha protagonismo
Apesar da carga histórica, o tema mais concreto do discurso foi a segurança pública.
Lula voltou a defender a criação de um Ministério da Segurança Pública.
Segundo ele, a medida depende da aprovação da PEC da Segurança que tramita no Congresso.
“Se a PEC for aprovada, eu vou criar o Ministério da Segurança Pública para dividir a responsabilidade com estados e municípios”, afirmou.

Lula quer ampliar papel da União
A proposta pretende aumentar a participação do governo federal no enfrentamento ao crime organizado.
O presidente argumenta que União, estados e municípios precisam atuar de maneira mais integrada.
A PEC é tratada pelo governo como prioridade.
Lula mencionou ainda conversas recentes com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, sobre a tramitação da proposta.
Facções também entram na mira
Lula também prometeu enfrentar lideranças de organizações criminosas.
Segundo ele, o combate ao crime não deve se concentrar apenas nos integrantes que atuam nas comunidades.
“É fácil matar o bandido numa favela. Agora, o cara que manda está no apartamento de cobertura. O cara que manda está morando no condomínio”, afirmou.
A fala busca deslocar o foco para a estrutura financeira das facções e para quem financia ou comanda as organizações.
Educação como prevenção
O petista também defendeu investimento em educação como forma de prevenção à criminalidade.
“Investir em educação é mais barato que cadeia”, disse.
Lula argumenta que políticas sociais e educacionais devem atuar antes de o jovem ser cooptado pelo crime.
A abordagem contrasta com propostas mais voltadas ao endurecimento penal apresentadas por adversários.
Governo tenta vender resultado contra o crime
Durante o discurso, Lula afirmou que sua administração teria conseguido sequestrar mais recursos de organizações criminosas do que o governo Jair Bolsonaro.
O presidente citou valores de R$ 35 bilhões contra R$ 1 bilhão no governo anterior.
Esses números foram apresentados em discurso de campanha e precisam ser confrontados com dados oficiais antes de serem tratados como comparação factual.
Mulheres ganharam mais espaço
O ato também marcou uma tentativa de corrigir críticas feitas após a convenção do PT, quando houve reclamações sobre a baixa participação feminina nos discursos.
Desta vez, mulheres ocuparam espaço de destaque.
A primeira-dama Janja da Silva discursou, falou sobre liderança feminina, combate à violência contra a mulher e homenageou Dona Marisa.
Benedita da Silva também participou do início das falas.
Janja canta jingle
Janja participou ainda do lançamento de um jingle de campanha ao lado do pastor e cantor Kleber Lucas.
A presença da primeira-dama foi mais ativa e simbólica do que em eventos anteriores.
A campanha tenta utilizar Janja como ponte com o eleitorado feminino e com setores religiosos e progressistas.
Alckmin reforça soberania
O vice-presidente Geraldo Alckmin também discursou.
Ele falou sobre desenvolvimento econômico, indústria e soberania nacional.
Um dos motes utilizados foi a defesa do Brasil diante de disputas comerciais e internacionais.
A ideia de soberania aparece como uma das palavras-chave da campanha petista.
Haddad também esteve no palco
O ato contou ainda com a presença de Fernando Haddad, candidato ao governo de São Paulo.
A presença do ex-ministro reforçou a tentativa do PT de reconstruir sua força no estado mais populoso do país.
São Paulo segue sendo estratégico para qualquer candidatura presidencial.
O peso simbólico de São Bernardo
A escolha de São Bernardo também mostra que Lula pretende usar sua biografia como instrumento eleitoral.
O ABC perdeu parte da força política que já teve para o PT.
Ainda assim, o partido considera a região fundamental para sua identidade.
Retornar ao Estádio Primeiro de Maio foi uma forma de lembrar ao eleitor quem é Lula, de onde veio e como construiu sua carreira.
A campanha aposta em nostalgia
O evento teve uma forte carga de nostalgia.
Imagens antigas, referências às greves, menções à família e a lideranças históricas fizeram parte da narrativa.
O risco é que o excesso de passado dificulte a apresentação de uma agenda de futuro.
A campanha, por isso, tenta combinar memória com propostas concretas em segurança, economia e soberania.
Público e estrutura
O ato contou com caravanas organizadas pelo partido e com uma grande estrutura de palco e telões.
Militantes ocuparam arquibancadas e o gramado do estádio.
Ao longo do discurso, parte do público deixou o local sob forte sol, algo que o próprio Lula comentou de maneira bem-humorada ao final.
Lula tenta falar com jovens e mulheres
Além de resgatar sua base tradicional, o presidente fez acenos a públicos considerados decisivos.
Mulheres e jovens apareceram em diferentes momentos da fala.
A campanha sabe que esses segmentos podem definir uma eleição equilibrada.
O desafio será transformar esses acenos em propostas capazes de gerar adesão.
Primeiro dia mostra a estratégia
A largada deixou claro o caminho escolhido pelo petista.
Lula quer usar a própria história como prova de experiência.
Quer apresentar seu governo como capaz de enfrentar o crime organizado por meio de integração institucional e combate financeiro.
Quer reforçar a presença feminina e falar de educação como ferramenta de prevenção.
E quer transformar São Bernardo em símbolo de continuidade.
A campanha começou onde Lula gosta de dizer que tudo começou.
Agora, o desafio será convencer o eleitor de que sua trajetória também oferece respostas para o Brasil de 2026.