Candidato à reeleição percorreu atos de aliados em Campo Grande, participou de adesivaços e afirmou que, até outubro, estará nas ruas enquanto divide a agenda com compromissos de governo.
Eduardo Riedel (PP) iniciou oficialmente neste domingo, 16 de agosto, a campanha pela reeleição ao Governo de Mato Grosso do Sul com uma estratégia diferente de um tradicional grande ato de lançamento.
Em vez de montar um evento exclusivo para marcar a largada de sua campanha, o governador decidiu circular por agendas de candidatos aliados em Campo Grande, participar de lançamentos, adesivaços e encontros com apoiadores e colocar em prática já no primeiro dia o discurso de uma campanha apoiada em uma ampla estrutura partidária.
“De hoje até outubro estamos na rua”, resumiu Riedel durante uma das primeiras atividades eleitorais.
O governador afirmou que a partir de agora pretende intensificar as conversas com a população, participar de reuniões e percorrer diferentes regiões do Estado enquanto apresenta as entregas de seu primeiro mandato e as propostas para os próximos quatro anos.
“A gente começa agora um processo de conversa com a sociedade. Vocês vão exercitar isso muito nos próximos 45 dias. Eu prometi que só falaria de política quando ela tivesse início e agora começamos. De hoje até outubro estamos na rua”, declarou.
A fala marcou a mudança de postura do governador com a abertura oficial da campanha.
Até então, Riedel vinha defendendo que as discussões eleitorais fossem concentradas no período legalmente destinado à campanha. Com o calendário aberto, o candidato à reeleição sinalizou que entrará diretamente no corpo a corpo.
Sem evento próprio
O primeiro movimento da campanha também demonstrou uma escolha estratégica.
Riedel decidiu não realizar um evento oficial exclusivamente para lançar sua candidatura.

Segundo ele, como os candidatos a deputado estadual e federal de sua base estavam promovendo atividades simultâneas em diferentes pontos de Mato Grosso do Sul, a decisão foi distribuir sua presença por essas agendas.
“Não vou ter um evento oficial. Está espalhado no Estado, nas proporcionais, seja federal, seja estadual. Como não podemos estar em todas, optamos por não fazer um nosso e vamos nas agendas dos candidatos”, afirmou.
O governador descreveu a campanha como um movimento “esparramado” por todo o Estado.
A estratégia também permite que Riedel utilize a estrutura política da ampla coligação formada para sustentar sua candidatura à reeleição.
A aliança reúne nove partidos e conta com candidatos a deputado estadual e federal espalhados por diferentes municípios.
Em vez de concentrar a largada em um único palco, o governador passou a participar das mobilizações promovidas pelos próprios aliados.
Primeira agenda no São Lourenço
Uma das primeiras atividades ocorreu no comitê da candidata a deputada federal Viviane Luiza (PSDB), no bairro São Lourenço, em Campo Grande.

O evento reuniu apoiadores, candidatos e lideranças da coligação.
Além de Riedel, participaram o ex-governador e candidato ao Senado Reinaldo Azambuja (PL) e o deputado estadual Lídio Lopes (Avante), candidato à reeleição.
O ato lotou o espaço e serviu como lançamento da candidatura de Viviane, mas também marcou oficialmente o início da agenda eleitoral de Riedel.
Durante o encontro, o governador reforçou que pretende acompanhar os candidatos proporcionais ao longo da campanha.
A intenção é utilizar essas agendas como oportunidade para conversar com o eleitorado e fortalecer as chapas que dão sustentação à candidatura majoritária.
Coligação como estrutura de campanha
A opção por não realizar um evento próprio está diretamente relacionada à dimensão da base política formada por Riedel.
O governador chega à eleição apoiado por uma aliança de nove partidos e uma extensa rede de candidatos proporcionais.
Na convenção realizada no início do mês, a composição reuniu cerca de 10 mil pessoas e confirmou Riedel para a reeleição, Barbosinha novamente como vice e Reinaldo Azambuja e Capitão Contar como candidatos ao Senado.
Agora, a campanha começa a colocar essa estrutura nas ruas.
“A gente não tem como estar em todo lugar ao mesmo tempo. E é para isso que tem time. É para isso que a gente tem coligação forte”, afirmou Riedel.
A frase ajuda a explicar a estratégia adotada no primeiro dia.
Em vez de centralizar toda a campanha na figura do governador, a coordenação pretende utilizar as candidaturas proporcionais para ampliar a presença do grupo em diferentes regiões.
Cada candidato estadual ou federal possui sua própria rede de apoiadores, lideranças locais, comitês e agendas.
A candidatura de Riedel pretende se conectar a essas estruturas ao longo dos 45 dias.
Adesivaço com candidatos do PL
No fim da tarde, o governador também participou de um adesivaço realizado nos altos da Avenida Afonso Pena, em Campo Grande, em apoio a candidatos do PL.
A mobilização reuniu nomes da legenda que disputam diferentes cargos.
Entre os participantes estavam os candidatos ao Senado Reinaldo Azambuja e Capitão Contar, além do deputado estadual Márcio Fernandes, que busca novo mandato.
Ao participar de um evento organizado por candidatos do PL, mesmo sendo filiado ao Progressistas, Riedel reforçou na prática a integração entre os dois partidos dentro da coligação estadual.
A aproximação é um dos principais elementos da campanha de 2026.
O PP ficou com a candidatura ao Governo, enquanto o PL ocupa as duas vagas da aliança na disputa pelo Senado.
A presença de Riedel no adesivaço também demonstra a intenção de circular pelas agendas dos diferentes partidos que compõem sua base.
“Vou ter que me virar nos 30”
Se a primeira mensagem da campanha foi a presença nas ruas, a segunda foi o desafio de conciliar a eleição com o exercício do cargo.
Riedel continuará governador durante todo o período eleitoral e precisará dividir o tempo entre compromissos administrativos e agendas de campanha.
No próprio primeiro dia, ele tinha um compromisso oficial do Governo do Estado em Furnas do Dionísio.
“Eu tenho compromisso de governo, meio-dia em Furnas do Dionísio, então eu vou ter que me virar nos 30 aí, entre as agendas de campanha e as agendas de governo”, afirmou.
Segundo Riedel, boa parte dos próximos 45 dias já está comprometida.
“Dos 45 dias, já tem mais de 26 dias definidos com agenda de imprensa, de debate, de reunião programada e de reuniões que eu não posso deixar de estar como governador”, disse.
A rotina deverá ser uma das principais características da campanha do candidato à reeleição.
Riedel terá de participar de entrevistas, debates, reuniões eleitorais e compromissos com aliados sem abandonar as responsabilidades institucionais do Governo do Estado.
“Aí não é campanha, é agenda de Estado, que eu tenho que estar e a gente vai compartilhar esse tempo nesses próximos 45 dias”, explicou.
Mais da metade da campanha já comprometida
A declaração revela o tamanho do desafio logístico.
Dos 45 dias previstos para o período eleitoral, pelo menos 26 já possuem compromissos definidos, segundo o próprio governador.

Isso significa que mais da metade do calendário estará parcialmente ocupada por debates, entrevistas, reuniões e compromissos institucionais.
Riedel já confirmou presença em pelo menos dois debates durante o primeiro turno.
Um será promovido pelo Midiamax e outro pela TV Morena.
A participação ocorre em um cenário no qual candidatos favoritos em outros estados e até nomes da disputa presidencial vêm adotando estratégias mais seletivas em relação aos debates.
No caso de Riedel, esses encontros passarão a dividir espaço com a agenda administrativa e o corpo a corpo eleitoral.
Prioridade será andar e conversar
Apesar das limitações, Riedel afirmou que pretende priorizar o contato direto com os eleitores.
Questionado sobre o principal objetivo da campanha, respondeu que pretende andar pelo Estado.
“Acho que andar, né? Conversar com as pessoas, seja em forma de reunião de pessoas, de forma em carreata, levar nossa mensagem”, afirmou.
A estratégia deverá combinar encontros menores, eventos partidários, carreatas, adesivaços e visitas aos municípios.
Ao contrário de uma campanha baseada apenas em grandes atos, Riedel sinaliza que pretende utilizar diferentes formatos para alcançar o eleitor.
O primeiro dia já demonstrou essa dinâmica.
Em poucas horas, o governador participou de agendas de diferentes aliados, circulou por comitês e adesivaços e conciliou compromissos políticos com uma agenda institucional.
Campanha tenta transformar aliança em presença territorial
A estratégia também testa uma das principais apostas políticas de Riedel para a eleição.
Sua coligação reúne partidos que até recentemente estiveram em campos opostos.
Capitão Contar, por exemplo, enfrentou Riedel no segundo turno da eleição de 2022.
Quatro anos depois, é candidato ao Senado pela mesma aliança.
Reinaldo Azambuja, Nelsinho Trad, Barbosinha, Tereza Cristina e outras lideranças também participam da composição.
Agora, a missão da campanha será fazer essa união sair dos acordos partidários e chegar às ruas.
Ao optar por começar a eleição em eventos de candidatos aliados, Riedel tenta mostrar justamente isso.
A estrutura não ficará concentrada em sua candidatura, mas será distribuída por todo o grupo político.
Monica Riedel participa da largada
A primeira-dama Monica Riedel também participou das atividades do primeiro dia de campanha.

Durante o ato no comitê de Viviane Luiza, ela destacou a importância da escolha dos representantes para o Legislativo.
“Candidatos bons, competentes e sérios, em quem a gente pode confiar o voto, fazem a diferença e podem mudar a nossa vida e transformar a nossa realidade de uma forma diferente”, afirmou.
A presença da primeira-dama também deverá ser utilizada ao longo da campanha para reforçar a proximidade do governador com diferentes públicos.
Monica já participou de agendas políticas e institucionais ao lado de Riedel e tende a permanecer presente nos principais atos da candidatura.
Reinaldo defende política próxima das pessoas
O ex-governador Reinaldo Azambuja também participou da largada eleitoral.
Candidato ao Senado pelo PL, Reinaldo destacou a necessidade de aproximação com a população.
“A gente precisa de uma política que tenha sensibilidade, que esteja perto das pessoas e que seja capaz de transformar vidas”, afirmou.
A declaração segue a mesma linha adotada por Riedel ao defender uma campanha baseada no contato direto.
Reinaldo deverá ser um dos principais companheiros de agenda do governador.
Além de candidato ao Senado, ele é uma das figuras centrais da formação da aliança de nove partidos e possui forte estrutura política nos municípios.
Campanha começa apoiada em entregas
Riedel já havia indicado durante a convenção que sua campanha seria baseada na apresentação dos resultados do primeiro mandato e nas propostas para aquilo que ainda precisa ser concluído.
Entre os temas que deverão aparecer estão equilíbrio fiscal, infraestrutura, qualificação profissional, geração de emprego, regionalização da saúde, redução da extrema pobreza e combate às facções criminosas.
O governador também pretende apresentar a continuidade administrativa como argumento eleitoral.
Por isso, o corpo a corpo terá uma função importante.
A campanha tentará transformar indicadores, obras e políticas públicas em uma mensagem mais direta para o eleitor.
Riedel terá de responder também às críticas da oposição e defender pessoalmente os resultados dos quatro anos de gestão.
Um primeiro dia com simbolismo político
A escolha de começar a campanha sem um evento exclusivo possui também um simbolismo.
Riedel chega à eleição com uma das maiores alianças partidárias do Estado.
Ao abrir mão de um ato centrado em sua própria candidatura e circular pelos eventos dos aliados, o governador tenta mostrar que a campanha será coletiva.
No primeiro dia, esteve com candidatos do PSDB, Avante e PL.
A intenção é repetir essa lógica com outros partidos da coligação.
Para um candidato que apresenta a unidade de centro e direita como um dos principais ativos eleitorais, a largada procura transformar o discurso em imagem.
“De hoje até outubro”
A partir deste domingo, Riedel passa definitivamente da administração para uma rotina dupla: governador durante o mandato e candidato à reeleição durante o período eleitoral.
Seu primeiro dia ofereceu uma prévia do que deverá acontecer até outubro.
Agendas oficiais, compromissos eleitorais, entrevistas, debates, viagens e participação em eventos de aliados disputarão espaço diariamente.
A estratégia escolhida foi não concentrar a campanha em um único comitê ou lançamento.
Riedel pretende circular.
“De hoje até outubro estamos na rua”, afirmou.
A frase deverá acompanhar uma campanha que começa tentando transformar a força de uma aliança de nove partidos em presença nos bairros, municípios e agendas de candidatos espalhados por Mato Grosso do Sul.
O primeiro teste foi em Campo Grande.
A partir de agora, o desafio será levar a mesma mobilização para o restante do Estado e convencer o eleitor de que o projeto iniciado há quatro anos merece continuar por mais um mandato.