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Diante de 10 mil pessoas e apoiado por nove partidos, Riedel oficializa candidatura à reeleição

Governador inicia campanha sustentado por uma ampla frente de centro-direita, mantém Barbosinha na vice e fecha as chapas de Reinaldo Azambuja e Capitão Contar ao Senado

O governador Eduardo Riedel, do Progressistas, oficializou neste sábado, 1º de agosto, sua candidatura à reeleição ao Governo de Mato Grosso do Sul sustentado por uma ampla frente política formada por nove partidos.

A convenção conjunta, realizada em Campo Grande, reuniu cerca de 10 mil pessoas, entre prefeitos, vice-prefeitos, vereadores, dirigentes partidários, candidatos às eleições proporcionais, apoiadores e algumas das principais lideranças políticas do Estado.

Além da candidatura de Riedel, o evento confirmou Barbosinha, do Republicanos, novamente como candidato a vice-governador. O ex-governador Reinaldo Azambuja e o ex-deputado estadual Capitão Contar, ambos do PL, foram oficializados para as duas vagas de Mato Grosso do Sul no Senado.

A coligação reúne PP, União Brasil, PL, PSDB, Cidadania, MDB, Republicanos, Avante e PSD. A composição coloca no mesmo palanque grupos que estiveram em campos adversários nas eleições anteriores e consolida Riedel como o candidato apoiado pela maior frente partidária da disputa estadual.

Mais do que confirmar candidaturas, a convenção demonstrou a capacidade de articulação construída pelo governador ao longo do mandato. Riedel conseguiu reunir nomes como Reinaldo Azambuja, Capitão Contar, Nelsinho Trad, André Puccinelli, Rose Modesto, Barbosinha e Tereza Cristina em torno de um único projeto eleitoral.

Algumas dessas lideranças estiveram em lados opostos na eleição de 2022. Capitão Contar, por exemplo, enfrentou Riedel no segundo turno da disputa pelo Governo do Estado. Quatro anos depois, os dois passam a integrar a mesma chapa majoritária, com Riedel candidato à reeleição e Contar concorrendo ao Senado.

Durante seu discurso, o governador apresentou essa união como um exemplo político que Mato Grosso do Sul oferece ao restante do país.

“Não é fácil. Nós temos muitas lideranças fortes e expressivas, cada uma com seu jeito e seu estilo, mas o propósito é o mesmo. A linha é a mesma. Mato Grosso do Sul dá um exemplo para o Brasil ao conseguir construir essa unidade”, declarou.

Chapa completa para o Governo e o Senado

A convenção também encerrou as principais indefinições relacionadas à composição da chapa majoritária.

Eduardo Riedel disputará novamente o Governo do Estado ao lado de Barbosinha. A repetição da dobradinha representa um fato inédito desde que a possibilidade de reeleição foi instituída no Brasil, em 1998.

Nas disputas anteriores em Mato Grosso do Sul, os governadores que tentaram um segundo mandato trocaram seus candidatos a vice. Com Riedel e Barbosinha, pela primeira vez uma chapa formada por governador e vice eleitos poderá ser repetida em uma eleição estadual.

Para o Senado, a aliança terá Reinaldo Azambuja e Capitão Contar como candidatos.

Reinaldo contará com o senador Nelsinho Trad como primeiro suplente. O ex-secretário estadual de Fazenda Felipe Mattos, do União Brasil, ocupará a segunda suplência.

Na chapa de Capitão Contar, o primeiro suplente será Cláudio Jorge Mendonça, do Progressistas. A segunda suplência ficará com o empresário Luciano Medeiros, também do PP, conforme a composição apresentada durante a convenção.

Chapa aprovada na convenção

Governo do Estado

Eduardo Riedel, do PP — governador
Barbosinha, do Republicanos — vice-governador

Senado

Reinaldo Azambuja, do PL — candidato ao Senado
Nelsinho Trad, do PSD — primeiro suplente
Felipe Mattos, do União Brasil — segundo suplente

Capitão Contar, do PL — candidato ao Senado
Cláudio Jorge Mendonça, do PP — primeiro suplente
Luciano Medeiros, do PP — segundo suplente

Recuo de Nelsinho fortaleceu composição

Um dos movimentos decisivos para a formação da frente unificada foi a desistência do senador Nelsinho Trad de disputar a reeleição.

Nelsinho aparecia entre os principais nomes da disputa pelo Senado e era citado nas pesquisas como um dos candidatos mais competitivos. O recuo alterou diretamente o cenário eleitoral e permitiu que o PSD permanecesse na aliança de Riedel sem ampliar a divisão entre os candidatos do mesmo campo político.

O senador foi confirmado como primeiro suplente de Reinaldo Azambuja e prometeu participar ativamente da campanha.

Durante a convenção, Riedel classificou a decisão de Nelsinho como uma das maiores demonstrações de grandeza política que presenciou.

“É um gesto de que Mato Grosso do Sul sempre vai se lembrar”, afirmou o governador.

Tereza Cristina também destacou o movimento do senador e defendeu que a decisão seja reconhecida pelos integrantes da aliança. Nelsinho, por sua vez, afirmou que colocou a unidade do grupo acima de seu projeto pessoal.

A presença do PSD na composição ampliou a base partidária de Riedel e ajudou a consolidar uma chapa que reúne duas candidaturas ao Senado sem a manutenção de uma terceira candidatura competitiva dentro do mesmo campo político.

Reinaldo fala em união sem divisões

Candidato ao Senado, Reinaldo Azambuja afirmou que a composição foi construída em torno da continuidade do projeto administrativo iniciado durante seus dois mandatos e mantido pelo governo de Eduardo Riedel.

O ex-governador citou os indicadores sociais, o crescimento econômico, a capacidade de investimento, a regionalização da saúde e os resultados obtidos na educação como pontos de convergência entre os partidos.

“Aqui não tem divisão. Não tem Nelsinho, não tem Reinaldo, não tem Contar. Nós somos um só e vamos trabalhar para vencer as eleições”, declarou.

Segundo Reinaldo, a aliança conseguiu superar diferenças políticas e eleitorais para unir o campo da direita e do centro em Mato Grosso do Sul.

A aproximação inclui lideranças que estiveram em palanques adversários nos últimos anos, como Capitão Contar, André Puccinelli e Rose Modesto.

Riedel apresenta prioridades para eventual segundo mandato

Além das articulações políticas, Riedel utilizou a convenção para apresentar alguns dos eixos que deverão orientar seu plano de governo.

O documento será protocolado na Justiça Eleitoral juntamente com o pedido de registro da candidatura. Segundo o governador, não se tratará apenas de uma formalidade eleitoral, mas de um compromisso com as ações previstas para um eventual segundo mandato.

Entre as prioridades mencionadas estão a manutenção do equilíbrio fiscal, a preservação da capacidade de investimento do Estado, a expansão da infraestrutura, a atração de investimentos privados e a geração de emprego e renda.

Na educação, Riedel pretende ampliar a formação profissional durante o ensino médio, permitindo que os estudantes concluam essa etapa preparados para ingressar no mercado de trabalho.

Na área social, o governador defendeu políticas voltadas às necessidades específicas das famílias e destacou a redução da extrema pobreza no Estado, que, segundo os dados apresentados por ele, caiu de 2,4% para 1,6%.

O plano também deverá contemplar o combate às facções criminosas, a conclusão da regionalização da saúde e a consolidação de uma rede formada por cinco hospitais regionais.

Esporte, turismo e cultura serão apresentados como atividades capazes de gerar desenvolvimento econômico, oportunidades e fortalecimento da identidade sul-mato-grossense.

Campanha terá entregas e propostas como principais eixos

Riedel afirmou que sua campanha será baseada na apresentação das entregas realizadas durante o primeiro mandato e nas propostas para os próximos quatro anos.

O período oficial de campanha começa no dia 16 de agosto. Até lá, os partidos deverão concluir os registros das candidaturas e organizar as estruturas eleitorais.

“A orientação é trabalhar, conversar e convencer. Sendo uma candidatura à reeleição, é mostrar o que foi feito e o que ainda precisa ser feito, com transparência e sinceridade. A decisão está nas mãos do povo sul-mato-grossense”, declarou.

O governador também afirmou que pretende discutir críticas, problemas e objetivos do Estado por meio de propostas, sem ignorar as dificuldades ainda enfrentadas pela população.

Tereza Cristina ganha protagonismo nacional

A convenção estadual também se transformou em palco de uma discussão nacional.

Riedel defendeu publicamente que o Progressistas reveja a decisão de permanecer neutro na eleição presidencial e autorize a indicação da senadora Tereza Cristina como candidata a vice-presidente na chapa de Flávio Bolsonaro.

A manifestação ganhou peso por partir de um governador do próprio PP, confirmado como candidato à reeleição por uma coligação que tem o PL como um de seus principais integrantes.

Riedel afirmou que Mato Grosso do Sul não está em cima do muro e pediu que o partido continue discutindo a participação de Tereza na chapa nacional até o encerramento do prazo para os registros eleitorais.

Tereza Cristina, embora tenha afirmado respeitar a decisão nacional do PP, confirmou que participará da campanha de Flávio Bolsonaro mesmo sem integrar formalmente a chapa.

Dessa forma, a convenção que oficializou a candidatura de Riedel também expôs uma diferença entre a posição adotada pelo diretório nacional do Progressistas e o caminho político escolhido pela principal liderança do partido em Mato Grosso do Sul.

União como primeiro ativo da campanha

Ao reunir nove partidos, manter Barbosinha na vice, concluir as duas chapas ao Senado e aproximar antigos adversários, Riedel inicia oficialmente a disputa pela reeleição tendo a unidade política como um de seus principais ativos.

A composição demonstra que a eleição de 2026 em Mato Grosso do Sul não será apenas uma disputa pela continuidade administrativa. Também representará um teste para uma aliança que reuniu diferentes grupos políticos, superou rivalidades recentes e pretende apresentar ao eleitorado uma frente unificada de centro-direita.

A partir de agora, o desafio do governador será transformar o tamanho da aliança partidária em presença eleitoral, mobilização nos municípios e votos nas urnas.