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Riedel e Barbosinha repetem chapa e protagonizam fato inédito na história política de MS

Desde 1998, nenhum governador sul-mato-grossense havia disputado a reeleição mantendo o mesmo companheiro de chapa

A confirmação de Barbosinha, do Republicanos, como candidato a vice-governador na chapa de Eduardo Riedel, do Progressistas, colocou a eleição de 2026 diante de um fato inédito na história política de Mato Grosso do Sul.

Pela primeira vez desde que a reeleição foi instituída no Brasil, em 1998, um governador sul-mato-grossense tentará permanecer no cargo mantendo o mesmo vice na chapa.

Barbosinha foi confirmado neste sábado, 1º de agosto, durante a convenção estadual do Republicanos, realizada em Campo Grande. O nome dele já vinha sendo tratado como prioridade dentro da base aliada e foi oficializado na composição encabeçada por Riedel.

A dobradinha foi eleita em 2022 e, ao longo do primeiro mandato, permaneceu politicamente unida. Agora, governador e vice se apresentam novamente ao eleitorado defendendo a continuidade do projeto administrativo iniciado há quatro anos.

Ao falar sobre a escolha, Barbosinha destacou o apoio recebido de prefeitos, vice-prefeitos, vereadores, lideranças partidárias e do próprio governador.

“Muito feliz e lisonjeado pela oportunidade que Deus me concede, pelo apoio dos prefeitos, vice-prefeitos, vereadores, vereadoras e também do próprio governador do Estado”, afirmou.

Segundo Barbosinha, a definição do vice também depende de uma relação de confiança pessoal com o governador.

“Vice, embora ele seja um conjunto de apoio da cidade em que você reside, que, no meu caso, a minha base é Dourados, também é uma escolha muito pessoal do governador. Então, é um privilégio muito grande”, declarou.

Um fato inédito desde a criação da reeleição

Desde que a possibilidade de reeleição passou a valer, Mato Grosso do Sul teve três governadores que tentaram conquistar um segundo mandato consecutivo. Em todos os casos anteriores, houve mudança no nome indicado para a vice-governadoria.

O primeiro foi Zeca do PT, em 2002. Ele havia sido eleito quatro anos antes ao lado de Moacir Kohl, então filiado ao PDT. Antes da eleição seguinte, porém, os dois romperam politicamente.

Moacir Kohl disputou o Governo do Estado contra o antigo aliado, enquanto Zeca buscou a reeleição tendo Egon Krakhecke como candidato a vice.

Em 2010, André Puccinelli, do MDB, concorreu ao segundo mandato ao lado de Simone Tebet. Na eleição anterior, em 2006, o vice da chapa havia sido Murilo Zauith, que naquele momento optou por disputar uma vaga no Senado.

O mesmo ocorreu em 2018. Reinaldo Azambuja, então no PSDB, tentou a reeleição com Murilo Zauith na vice. A vice-governadora do primeiro mandato, Rose Modesto, deixou a chapa majoritária e foi eleita deputada federal.

Dessa forma, Riedel e Barbosinha poderão se tornar a primeira dupla formada por governador e vice a disputar conjuntamente a renovação do mandato em Mato Grosso do Sul.

Permanência indica confiança política

A manutenção de Barbosinha também sinaliza que a relação política construída durante o mandato atravessou os quatro anos sem rupturas públicas ou disputas pela posição na chapa.

Historicamente, o posto de vice-governador costuma ser utilizado como instrumento de negociação partidária durante a formação de alianças. Em 2026, Riedel passou a contar com uma base formada por nove partidos, o que aumentou a quantidade de forças interessadas em espaços na chapa majoritária.

Ainda assim, o governador manteve Barbosinha na composição.

A decisão demonstra o peso do Republicanos dentro da aliança, a confiança pessoal de Riedel no vice e a avaliação de que a parceria construída desde 2022 contribuiu para a estabilidade do governo.

Durante a convenção, Barbosinha afirmou que procurou atuar como colaborador da administração e não como um personagem isolado dentro da estrutura do Executivo.

Em seu discurso, ele defendeu a soma de forças como princípio da nova composição política formada no Estado.

“Essa é a construção política com P maiúsculo. É a política que soma, não a política que subtrai ou diminui. Que esse exemplo possa irradiar para o Brasil”, declarou.

Base política em Dourados

Além da relação com o governador, Barbosinha também representa uma das regiões mais importantes do Estado.

Ex-prefeito de Angélica, ex-deputado estadual e ex-secretário estadual de Justiça e Segurança Pública, ele mantém sua principal base política em Dourados e na região sul de Mato Grosso do Sul.

A presença dele na chapa amplia a representação territorial do grupo e ajuda a equilibrar uma composição que reúne lideranças de diferentes regiões.

Dourados é o segundo maior município de Mato Grosso do Sul e exerce influência política e econômica sobre toda a região sul. Por isso, a permanência de Barbosinha também atende a uma estratégia eleitoral da aliança de Riedel.

O Republicanos espera aproveitar a presença do vice na chapa majoritária para fortalecer suas candidaturas proporcionais.

Barbosinha afirmou que o partido trabalha com a expectativa de eleger pelo menos três deputados estaduais e dois deputados federais.

Republicanos mantém espaço estratégico

Com a confirmação do nome de Barbosinha, o Republicanos preserva uma posição central dentro da aliança de nove partidos formada em torno da reeleição de Riedel.

A coligação ainda reúne PP, PL, União Brasil, PSDB, Cidadania, MDB, Avante e PSD.

Mesmo com o aumento da base aliada e a entrada de novas forças na composição, o Republicanos conseguiu manter a vice-governadoria. A decisão reforça o papel do partido na sustentação política do atual governo e na construção da campanha eleitoral.

Barbosinha também passa a ser uma das principais pontes entre o Executivo estadual e as lideranças municipais do grupo.

Durante o mandato, ele participou de agendas administrativas em diferentes regiões, representou o governo em compromissos oficiais e acompanhou a execução de projetos estaduais.

Chapa aposta na continuidade

A repetição da chapa será utilizada pela campanha como uma demonstração de estabilidade e continuidade.

Riedel e Barbosinha deverão apresentar ao eleitorado os resultados do primeiro mandato e defender a necessidade de mais quatro anos para concluir projetos nas áreas de infraestrutura, saúde, educação, segurança pública e desenvolvimento econômico.

O governador já afirmou que sua campanha será orientada pela apresentação das entregas realizadas e dos compromissos ainda pendentes.

Barbosinha, por sua vez, deverá reforçar o discurso de que a parceria estabelecida em 2022 funcionou administrativamente e merece ser mantida.

A decisão de repetir a chapa diferencia a eleição de 2026 das disputas anteriores e oferece à campanha uma narrativa simples: o mesmo governador e o mesmo vice pedem ao eleitor a renovação do mandato.

De coadjuvante a personagem da eleição

Embora o cargo de vice seja frequentemente tratado como secundário durante as campanhas, Barbosinha passa a ocupar uma posição de destaque nesta eleição justamente pelo caráter histórico da composição.

A permanência dele demonstra que a formação da chapa não foi apenas resultado de um acordo de convenção. Ela representa a continuidade de uma relação política construída durante todo o mandato.

Ao confirmar Barbosinha, Riedel também evitou uma disputa interna entre os nove partidos da aliança pela indicação da vice-governadoria.

Com a chapa definida, a base aliada poderá concentrar esforços na campanha do governador e nas duas candidaturas ao Senado, representadas por Reinaldo Azambuja e Capitão Contar.

A partir do início oficial da campanha, Riedel e Barbosinha voltarão às ruas como a primeira dupla da história de Mato Grosso do Sul a tentar, junta, renovar o mandato de governador e vice-governador.