(67) 9 9689-6297 | ocontribuintebr@gmail.com

Exclusivo: conheça Marcelo Ivo de Carvalho, o delegado da PF por trás da armadilha que colocou Ramagem na mira do ICE

Oficial de ligação da PF no ICE em Miami, Marcelo Ivo tem no histórico atropelamento fatal com CNH vencida e embriaguez no Brasil, e operações de monitoramento de brasileiros em território americano

Alexandre Ramagem, ex-deputado federal e ex-diretor da ABIN, foi detido na segunda-feira, 13 de abril de 2026, pelo Serviço de Imigração e Controle de Aduanas dos Estados Unidos (ICE), em Orlando, na Flórida. No mesmo dia, o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, comemorou a detenção e apresentou o caso como resultado de “cooperação internacional”, que teria levado à captura de um foragido da Justiça brasileira, condenado pelo STF por “tentativa de golpe de Estado”.

O documento que embasou a detenção — o Notice to Appear, obtido pelo jornalista Samuel Pancher do Metrópoles — não menciona cooperação com o Brasil, não cita crimes praticados em território brasileiro nem faz referência a pedido de extradição. Na quarta-feira, 15 de abril, Ramagem foi solto sem fiança, procedimento padrão em casos de processo de remoção com pedido de asilo pendente.

Segundo reportagem da BBC News Brasil, investigadores brasileiros admitiram que a via migratória foi usada como alternativa ao caminho formal da extradição. A detenção via ICE seria uma forma de contornar o processo diplomático tradicional, considerado mais incerto e politicamente sensível

A liberação confirma informações divulgadas pelo jornalista Paulo Figueiredo — sócio da Immigrex, empresa responsável pelo pedido de asilo de Ramagem— de que a detenção teve início após uma infração de trânsito leve. Segundo ele, Ramagem apresentou carteira de habilitação brasileira, já fora do prazo de validade para uso nos Estados Unidos, o que levou o ICE a verificar sua situação migratória. Ramagem havia entrado no país em 11 de setembro de 2025 com visto de turista (B-2), com permanência autorizada até 10 de março de 2026, e permaneceu após o vencimento — situação conhecida como overstay.

A soltura transformou a derrota da PF de Lula em espetáculo público. No mesmo dia, Figueiredo anunciou nas redes: “Às 22h vou fazer uma live e tomar um Macallan com vocês comentando a liberdade do grande Alexandre Ramagem.” A escolha da bebida não foi aleatória. Em 25 de abril de 2024, Andrei participou de uma degustação privada de uísque Macallan no George Club, em Londres. O evento foi pago por Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e custou cerca de R$ 3,3 milhões. Estavam presentes os ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, e o procurador-geral Paulo Gonet. Andrei Rodrigues, como diretor-geral da PF, comanda toda a estrutura de investigação criminal do país — incluindo eventuais apurações que envolvam o setor financeiro.

Na manhã seguinte à soltura de Ramagem, Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo comemoraram em vídeo gravado em frente ao Departamento de Estado, em Washington DC. Eduardo afirmou que a Polícia Federal perdeu credibilidade por não conseguir viabilizar a extradição de cerca de 70 nomes incluídos em pedidos do ministro Alexandre de Moraes à Argentina, nem de Oswaldo Eustáquio, que está na Espanha, e de Allan dos Santos, nos Estados Unidos.

“Com certeza, se tivessem conseguido a extradição do Allan dos Santos, teriam ido atrás do Paulo Figueiredo, Rodrigo Constantino, eu, e todo mundo que está aqui nos Estados Unidos. É por isso que eu entendo que houve tanta energia do Andrei, que comanda a Polícia Federal do Lula, no caso do Ramagem”, disse Eduardo. Figueiredo acrescentou que não vê o mesmo empenho do governo brasileiro no combate a organizações criminosas como o Comando Vermelho e o PCC.

Embora a narrativa de Andrei não tenha resistido, suas próprias declarações à imprensa gabando-se da vitória revelaram os bastidores da operação. Ao blog da jornalista Ana Flor, no G1, o diretor-geral da PF confirmou que “um delegado brasileiro que atua no ICE contribuiu para a prisão de Ramagem em Orlando” e que esse agente “deu alertas sobre Ramagem que auxiliaram na detenção”.

Há um único delegado da Polícia Federal lotado dentro do ICE nos Estados Unidos. Ele atua no escritório de Miami, no endereço 11226 NW 20th Street — o mesmo centro a partir do qual o órgão coordena operações migratórias em toda a Flórida, inclusive em Orlando. Seu nome aparece na página oficial da PF no portal do governo federal: Marcelo Ivo de Carvalho.

Este é o mesmo agente que, em 2024, monitorou uma cidadã americana em Pompano Beach por ordem de Alexandre de Moraes, sem que ela fosse ré em qualquer processo. É também o mesmo agente que, segundo apuração desta investigação, conduzia operações de vigilância discreta na Flórida sem mandado judicial americano — práticas que a CNN Brasil confirmoao relatar a campana feita sobre a esposa de Ramagem em solo americano.

Se confirmadas, essas condutas deixam de ser mera irregularidade e passam a enfrentar limites diretos da legislação americana. O Foreign Agents Registration Act exige que qualquer pessoa que atue no país em nome de um governo estrangeiro — inclusive em atividades de monitoramento ou coleta de informações — esteja formalmente registrada junto ao Departamento de Justiça.

Além disso, a prestação de informações falsas a autoridades migratórias pode configurar violação da lei federal de declarações falsas (18 U.S.C. § 1001) que tipifica a omissão ou falsidade em declarações a agentes federais. A legislação americana não reconhece poder investigativo a forças policiais estrangeiras sem acordo formal, credenciamento e observância das autoridades locais. Em casos que envolvem vigilância, a prática também está sujeita ao controle judicial dos Estados Unidos.

Procuramos a Assessoria de Imprensa da Polícia Federal e o delegado Marcelo Ivo de Carvalho, sem resposta até a publicação.