A possibilidade de um El Niño mais intenso no fim de 2026 acendeu um alerta entre produtores de mandioca e indústrias do setor. Especialistas avaliam que o fenômeno climático pode aumentar a incidência de doenças nas lavouras, reduzir a produtividade e pressionar ainda mais a oferta da raiz, principalmente no Paraná, principal polo brasileiro da indústria de amido de mandioca.
Segundo técnicos do Sistema Faep (Federação da Agricultura do Estado do Paraná), o excesso de chuvas e as alterações nas temperaturas favorecem o surgimento de doenças como bacteriose, antracnose e cercosporiose, que comprometem o desenvolvimento das plantas e podem provocar perdas significativas nas lavouras. O cenário preocupa especialmente diante da possibilidade de um episódio mais forte do fenômeno climático.
Além das condições climáticas, o setor já enfrenta dificuldades relacionadas à baixa rentabilidade da cultura. Muitos produtores reduziram o plantio devido ao aumento dos custos de produção, ao endividamento e à concorrência com outras atividades agrícolas mais lucrativas. Como consequência, a oferta de mandioca já está ajustada, enquanto as indústrias trabalham com estoques reduzidos.
Pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) também observam que muitos agricultores estão concentrados no preparo do solo e no plantio da próxima safra, mas têm diminuído o ritmo de comercialização. Com menor disponibilidade de matéria-prima, os preços da mandioca registraram novas altas em boa parte das regiões acompanhadas pelo centro de pesquisas.
O Brasil é um dos maiores produtores mundiais de mandioca, utilizada tanto para o consumo in natura quanto para a fabricação de farinha, fécula e outros derivados. Por isso, uma eventual redução na produção pode afetar toda a cadeia produtiva, desde os agricultores até as indústrias alimentícias, elevando custos e impactando os preços ao consumidor.