Balanço atualizado da operação aponta apreensão de mais de R$ 3 milhões em cheques e mais de R$ 200 mil em dinheiro vivo.
O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) divulgou um novo balanço da Operação Gutenberg e revelou uma das apreensões mais expressivas da investigação: mais de R$ 3 milhões em cheques foram recolhidos durante o cumprimento dos mandados de busca e apreensão realizados em Mato Grosso do Sul, São Paulo e Goiás.
Além dos cheques, os investigadores apreenderam mais de R$ 200 mil em dinheiro em espécie, valor significativamente superior ao divulgado nas primeiras horas da operação. No balanço inicial, o Ministério Público havia informado a apreensão de R$ 69.795 e 907 dólares.
Segundo o Gaeco, também foram cumpridos 40 dos 43 mandados de busca e apreensão e 14 dos 16 mandados de prisão preventiva. Dois investigados ainda permanecem com mandados de prisão pendentes.
Apreensão amplia frente financeira da investigação
Embora a Operação Gutenberg tenha sido deflagrada para apurar um suposto esquema de fraudes em contratos públicos de livros paradidáticos, a apreensão dos cheques amplia uma das principais frentes da investigação: o rastreamento da movimentação financeira atribuída ao grupo investigado.
Os cheques passarão agora por perícia e deverão ser analisados em conjunto com contratos, documentos fiscais, extratos bancários, aparelhos eletrônicos e demais materiais recolhidos durante as buscas.
O objetivo é identificar a origem dos valores, os beneficiários, a circulação dos recursos e eventual relação com os contratos públicos investigados.
Por que os cheques chamam atenção?
Apesar da popularização do Pix e das transferências eletrônicas, cheques continuam sendo utilizados em operações empresariais de maior valor, especialmente como forma de pagamento parcelado, garantia comercial ou liquidação de negociações entre empresas.
Para investigadores financeiros, esse tipo de documento pode representar uma importante fonte de prova.
Cada cheque pode indicar quem emitiu o pagamento, quem recebeu os recursos, o banco utilizado, datas, valores e outras informações que ajudam a reconstruir o caminho percorrido pelo dinheiro.
Caso tenham sido compensados, esses documentos também permitem identificar a conta de destino dos recursos.
Dinheiro em espécie também será analisado
Outro ponto que chamou atenção dos investigadores foi o volume de dinheiro vivo encontrado durante as diligências.
Segundo o Gaeco, parte das cédulas apreendidas ainda estava acondicionada em maços lacrados pelo sistema bancário, circunstância que também deverá ser analisada durante a investigação.
A origem dos valores, a finalidade dos recursos e eventual relação com os fatos investigados serão objeto das próximas etapas da apuração.
Investigação segue em andamento
A Operação Gutenberg apura a atuação de uma suposta organização criminosa suspeita de fraudar contratos públicos, praticar corrupção ativa, corrupção passiva, lavagem de dinheiro e outros crimes contra a administração pública.
Segundo o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), o grupo teria movimentado aproximadamente R$ 27 milhões por meio de contratos relacionados principalmente à aquisição de livros paradidáticos. A investigação também alcança suspeitas envolvendo a estrutura da Regulação Estadual da Saúde.
Com o avanço das perícias, a expectativa é que a análise dos cheques e dos demais documentos financeiros ajude a esclarecer a dinâmica patrimonial do grupo investigado e o destino dos recursos apontados pelo Ministério Público.
Até eventual denúncia, julgamento e decisão definitiva, todos os investigados permanecem amparados pelos princípios constitucionais da ampla defesa, do contraditório e da presunção de inocência.