A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado rejeitou, nesta terça-feira, o relatório final que previa o indiciamento de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Procurador-Geral da República, em uma votação apertada e marcada por forte articulação política do governo Lula.
Com 6 votos contrários e 5 favoráveis, em um quórum de apenas 11 parlamentares, o parecer foi derrubado com apoio direto da base governista, após intensa movimentação nos bastidores.
Votaram contra o relatório os senadores Otto Alencar (PSD), Humberto Costa (PT), Soraya Thronicke (PSB), Rogério Carvalho (PT), Beto Faro (PT) e Leitão, formando a maioria que barrou o avanço do texto.
Relatório previa indiciamento de ministros do STF e do PGR
O documento, elaborado pelo senador Alessandro Vieira (MDB-SE), propunha o indiciamento dos ministros Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Gilmar Mendes, além do procurador-geral da República, Paulo Gonet.
Articulação do Planalto e pressão institucional
Nos bastidores, o Palácio do Planalto atuou diretamente para evitar a aprovação do relatório. Parlamentares relataram manobras de última hora e mobilização da base aliada para consolidar votos contrários.
O clima também foi tensionado por manifestações de integrantes do Judiciário. Ministros como Gilmar Mendes e Dias Toffoli criticaram duramente a condução da CPI, enquanto o ministro Flávio Dino também se posicionou contra o avanço de medidas envolvendo a Suprema Corte.
CPI termina sem indiciamentos
Com a rejeição, a CPI do Crime Organizado encerra seus trabalhos sem qualquer indiciamento formal, esvaziando o principal ponto de conflito do relatório final.
A decisão evita um confronto direto entre Congresso, STF e PGR, mas deve intensificar o debate político sobre os limites de atuação das CPIs e a responsabilização de autoridades de alto escalão no país.